Na cidade, enquanto uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) novinha está fechada, as pessoas fazem fila no posto de saúde, onde não há médicos.
Mais um dia de muita espera no posto de saúde de São Sebastião, mais um dia de indignação. “A gente fica humilhado. São Sebastião está acabada e ninguém luta pela cidade”, constata a dona de casa Ivonete Andrade. Ontem (7), a equipe do projeto JN no ar esteve no posto de saúde de São Sebastião e mostrou a demora no atendimento e a falta de médicos. "Ficamos chocados ao ver duas pessoas em busca de socorro no pronto-atendimento e ambas serem recusadas. Elas tiveram que buscar socorro em outros lugares. É chocante que isso aconteça a poucos passos da Esplanada dos Ministérios, do lado do coração do Brasil”, avalia o repórter Ernesto Paglia, do JN no ar.
Hoje, como de costume, havia muita gente no corredor principal do posto médico. A diferença é que tinha médico: dois clínicos e dois pediatras. Mas, nem sempre é assim. “Na maioria das vezes, a gente vem aqui e não resolve o problema. Quando resolve, demora muito”, diz o pintor Elton de Souza, pai de uma paciente. A Unidade de Pronto Atendimento, a UPA, de São Sebastião, anunciada como solução ainda no governo de José Roberto Arruda, ficou pronta. Os tapumes não foram tirados e dá para ver que nem tem rede de energia instalada.
O contrato assinado com a Cruz Vermelha, que faria a administração, foi cancelado na sexta-feira (3). “Não tem sentido eu abrir uma UPA agora com contrato, se eu não tenho condições de pagar. Especialmente um contrato que com irregularidades, que está sob auditoria do Tribunal de Conta. Além disso, a auditoria interna da secretaria também recomendou destratar”, afirma a secretária de Saúde, Fabíola Aguiar. Não há previsão de quando a UPA comece a atender a população. Enquanto isso, a dona de casa Vagna dos Santos chora por precisar da saúde pública e não poder contar com ela.
“A gente vem para cá porque não aguenta mais ficar em casa. Mas vem e fica morrendo na fila. Já vi muita gente passando mal e morrendo na fila. Eu não quero ser uma dessas”, diz, ao se desesperar.
A secretária de Saúde deu prazo de 72 horas para a Cruz Vermelha devolver o dinheiro que já havia recebido para administrar a UPA. A equipe de reportagem do DFTV tentou falar com a Cruz Vermelha essa manhã, mas ninguém atendeu o telefone.
Acompanhe a reportagem
Reportagem exibida no DFTV 1ª Edição em 08/09/10
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Falta de sinalização causa acidentes de trânsito em São Sebastião
Na Rua da Ponte, moradores denunciam que os veículos não respeitam a velocidade. Por causa da falta de quebra-molas, uma loja teve a frente destruída por um carro.
Na Rua da Ponte, em São Sebastião, os veículos disputam espaço na pista estreita. Não há sinalização e os carros parecem não respeitar o limite de velocidade. Quem precisa passar pelo local, reclama. O instrutor de trânsito Marlon Alvino escreveu para a Redação Móvel reclamando da situação que os moradores têm enfrentando no local. “Antes existia uma placa de preferência, que foi derrubada a mais ou menos uns três anos. A área já era de conflito, mas ficou pior depois da retirada da placa. Deveria existir, alem da placa, uma faixa de retenção, para regular o fluxo de quem vem”, relata.
Para prejudicar ainda mais o fluxo de veículos, uma lombada que existia no local foi retirada. Dela, restou apenas a placa. Já que os carros sempre passam em alta velocidade. “Geralmente, a média de velocidade dos veículos, principalmente dos ônibus, é de 60 quilômetros por hora. Mas como se trata de uma via coletora, os veículos deveriam atingir, no máximo, 40 quilômetros por hora”, afirma o Marlon Alvino. “É perigoso, principalmente, pra gente que tem criança, os motoristas não respeitam nem isso. Precisamos de uma faixa de pedestre ou de alguma sinalização”, diz a cozinheira Fabiana Costa.
A comerciante Marísia Brito foi uma vítima da falta de sinalização na rua. A frente da loja dela foi atingida por um carro e ficou destruída. “O carro veio em alta velocidade e, por causa falta de quebra-molas, ele entrou no meu bazar e saiu na lojinha ao lado”, conta a comerciante. A administração de São Sebastião informou que já pediu à Novacap quebra-molas, que devem ser construídos até o fim de outubro. O Detran também vai sinalizar a via. A Redação Móvel marcou o dia 03 de novembro no calendário para conferir as mudanças.
Acompanhe a reportagem:
Kenzô Machida / Juarez Dornelles
Reportagem exibida no DFTV 1ª edição em 28/09/10
Na Rua da Ponte, em São Sebastião, os veículos disputam espaço na pista estreita. Não há sinalização e os carros parecem não respeitar o limite de velocidade. Quem precisa passar pelo local, reclama. O instrutor de trânsito Marlon Alvino escreveu para a Redação Móvel reclamando da situação que os moradores têm enfrentando no local. “Antes existia uma placa de preferência, que foi derrubada a mais ou menos uns três anos. A área já era de conflito, mas ficou pior depois da retirada da placa. Deveria existir, alem da placa, uma faixa de retenção, para regular o fluxo de quem vem”, relata.
Para prejudicar ainda mais o fluxo de veículos, uma lombada que existia no local foi retirada. Dela, restou apenas a placa. Já que os carros sempre passam em alta velocidade. “Geralmente, a média de velocidade dos veículos, principalmente dos ônibus, é de 60 quilômetros por hora. Mas como se trata de uma via coletora, os veículos deveriam atingir, no máximo, 40 quilômetros por hora”, afirma o Marlon Alvino. “É perigoso, principalmente, pra gente que tem criança, os motoristas não respeitam nem isso. Precisamos de uma faixa de pedestre ou de alguma sinalização”, diz a cozinheira Fabiana Costa.
A comerciante Marísia Brito foi uma vítima da falta de sinalização na rua. A frente da loja dela foi atingida por um carro e ficou destruída. “O carro veio em alta velocidade e, por causa falta de quebra-molas, ele entrou no meu bazar e saiu na lojinha ao lado”, conta a comerciante. A administração de São Sebastião informou que já pediu à Novacap quebra-molas, que devem ser construídos até o fim de outubro. O Detran também vai sinalizar a via. A Redação Móvel marcou o dia 03 de novembro no calendário para conferir as mudanças.
Acompanhe a reportagem:
Kenzô Machida / Juarez Dornelles
Reportagem exibida no DFTV 1ª edição em 28/09/10
sábado, 25 de setembro de 2010
Debate Público
Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente do Distrito Federal (CDCA) promoveu debate na LBV com os candidatos ao Governo do DF. Escolas, organizações socias e diversas instituições de Brasília compareceram a esse importante evento.
O CDCA/DF promoveu, na última terça-feira (21/09) um debate com os principais candidatos ao Governo do Distrito Federal. Com atraso de mais de meia hora, o evento teve início por volta das 10h no Auditório Parlamundi, na Legião da Boa Vontade (LBV). O debate, que foi mediado por Estevão Damásio, jornalista da CBN, teve como eixo norteador o tema "Criança e Adolescente: Prioridade Absoluta" , cujo objetivo era ouvir dos candidatos suas propostas e programas voltados para a promoção, proteção e garantia dos direitos infanto-juvenis.
Para abrir oficialmente o debate, o grupo Batucada, formado por crianças e jovens, fez uma apresentação de percussão, mostrando uma gama de ritmos e sonoridades sem utilizar um só instrumento musical, a não ser o próprio corpo e as próprias mãos. Dando início aos trabalhos, foram convidados para compor a mesa a presidente do CDCA/DF Milda Pala Moraes, o jornalista Estevão Damásio, o adolescente Weberson, representando a infância e a adolescência e, finalmente, os governáveis Agnelo Queiroz (PT), Eduardo Brandão (PV) e Toninho (PSOL). O candidato do PSC, Joaquim Roriz, não compareceu ao evento, fato que foi comentado com bastante pesar por Milda Moraes. "É lamentável que o candidato Roriz perca mais uma oportunidade de apresentar seu programa de governo voltado para essas crianças e adolescentes.
O debate dividiu-se em seis blocos e, inicialmente, cada candidato dispôs de três minutos para apresentar suas propostas de governo direcionadas exclusivamente às políticas para a infância. Posteriormente, foram destinados mais três minutos para os debatedores poroporem possíveis soluções para o problema do crack e da exploração infantil. Confira alguns trechos dos discursos apresentados nos primeiro e segundo blocos.
"É fundamental construir mais creches em todo o Distrito Federal para crianças de 0 a 3 anos. (...) uma das primeiras ações do nosso governo será fechar o Caje", destacou com firmeza Toninho. "Aquilo não educa ninguém. É uma casa de "recuperação" que não serve para outra coisa se não onerar o Estado. Nossos jovens saem de lá pior do que entraram.Temos que dar total atenção à infância, não só o governo, mas toda a sociedade deve atuar pela promoção e proteção dos direitos das crianças e adolescentes. (...) Urge estruturarmos postos de saúde com profissionais competentes e preparados. A família também é fundamental no combate ao crack, uma tragédia que já fez vítimas demais". (Toninho do Psol).
"Precisamos criar Políticas Públicas que sejam aplicadas de forma transversal, envolvendo todas as áreas, de forma que atendam integralmente crianças e adolescentes de todas as classes sociais", argumentou Eduardo Brandão. "Em relação ao crack e à exploração de menores, vamos tratar com a máxima serveridade todos àqueles envolvidos com esses tipos de crime. A lei precisa punir exemplarmente. Contra o crack, o caminho é investir em educação e fazer com que o Estado assuma as suas responsabilidades constitucionais. Ressalto também que, se não dermos suporte e apoio às entidades sociais, não será possível vencer esta batalha contra o crack." (Eduardo Brandão do PV).
"Cuidar das nossas crianças e adolescentes é dever do Estado e de todos nós, defendeu Agnelo."Precisamos cuidadar do nosso futuro hoje. Investir em políticas públicas que atendam integralmente aos direitos da infância, é mais que obrigação das autoridades. E o nosso governo reafirma aqui o compromisso de zelar por esses direitos, garantidos na Constituição(...) a infãncia é um perído único na vida de cada um e por esse motivo tem que ser bem vivida, tem que ser cuidada, merece total atenção... Criar políticas integrais, investir no tratamento dos dependentes químicos e combater implacavelmente o tráfico de drogas via repressão policial, vigilância constante e desmantelamento das redes de exploração sexual, externas e internas: só assim venceremos o crack" (Agnelo do PT)
Durante o terceiro e quarto blocos, foram lidas algumas perguntas elaboradas previamente por crianças e jovens. Desta vez, o foco era a violação de direitos, como o trabalho infantil, a violência doméstica e a falta de um sistema educacional de qualidade. Alguns jornalistas e convidados da plateia também direcionaram perguntas aos candidatos.
"Crianças e adolescentes são prioridades do nosso governo e temos que respeitar e acatar a vontade de cada um, esclareceu Agnelo. "Uma escola que ofereça diversas atividades profissionais qualificadas. (...) não descansaremos até ampliarmos o número de escolas de tempo integral, modernizarmos os espaços escolares, contratarmos mais profissionais habilitados para atuarem na área da educação. A escola deve ser vista como um lugar alegre e cada vez mais atrativo para todos que a frequentam, com uma sólida infraestrutura, quadras para esporte e lazer, piscinas, salas de informática e uma educação de qualidade" (Agnelo do PT).
"O Estado não pode fechar os olhos para o futuro. E o futuro são vocês, crianças, jovens e adolescentes. (...) Os governos anteriores que passaram pelo Distrito Federal nunca priorizaram o atendimento aos direitos das nossas crianças, da nossa juventude, o que se configura como um tremedo descaso social. Vamos mudar essa situação, que é absolutamente inadmissível" (Eduardo Brandão do PV).
"Quero assumir aqui o compromisso de zelar pela garantia dos direitos de vocês, que mais do que ninguém, sabem o que é melhor para vocês, argumentou Toninho. " Mas é preciso mudar a atual cara da política que se instalou em Brasília. O PSOL reafirma o compromisso de honrar suas propostas e podem acreditar que as políticas voltadas para as áreas da infância e da adolescênica virão em primeiro lugar" (Toninho do PSOL).
A discussão das temáticas foi tranquila e bastante positiva. Só desta forma, ouvindo proposta por proposta e cara a cara com o seu candidato, o eleitor terá subsídios para fazer a escolha certa no próximo dia 03 de outubro. Em momento algum Agnelo, Toninho e Eduardo Brandão apelaram para ataques pessoais. Depois das considerações finais, os candidatos foram convocados a assinar um termo de compromisso, no qual estabelecem como prioridade de suas propostas de governo, a criança e o adolescente. Para a presidente do CDCA/DF, Milda Moraes, o termo será fundamental para monitorar o governo e cobrar dele a plena efetivação das ações voltadas para as crianças e adolescentes do Distrito Federal.
O que se espera realmente é que se faça cumprir com a máxima vontade e presteza a prioridade absoluta no atendimento às exigências do termo de compromisso firmado pelos aspirantes ao GDF na ocasiçao desse debate, independentemente daquele que vá ocupar a cadeira do Palácio do Buriti.
O debate “Criança e Adolescente: Prioridade Absoluta” é uma promoção do CDCA/DF, em parceria com a Agência de Notícias dos Direitos da Infância – ANDI, a Associação dos Conselheiros Tutelares do DF, o Fórum dos Direitos da Criança e do Adolescente do DF, o Fórum de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil do DF, o Fórum de Aprendizagem do DF, a Legião da Boa Vontade - LBV, o Instituto Marista de Assistência Social - IMAS e a Promotoria de Justiça de Defesa da Infância e da Juventude.
Compareceram ao evento crianças e jovens coordenados por representantes do Fórum de Entidades Sociais de São Sebastião (Centro Educacional 01, CEPSS, Brinquedoteca, Creche Rei Leão, Projeto Raios de Luz, Pralapidar, Casa de Paulo Freire, Ludocriarte, entre outras), escolas de Brasília, Cruzeiro, Santa Maria.
CEPSS
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Centro Educacional São Francisco ganha quadra de esporte coberta
A Administração Regional de São Sebastião iniciou as obras de construção da cobertura da quadra de esportes do Centro Educacional São Francisco, em São Sebastião. Atualmente, além de atender às aulas do currículo escolar, a escola desenvolve mais de 40 projetos
extracurriculares.
A expectativa da diretora é que, com a construção da cobertura, sejam desenvolvidas mais atividades no espaço. “Temos muitos projetos educacionais”, afirma a diretora da unidade, Leísa Sasso. “A quadra vai nos ajudar a ampliar o número de atividades oferecidas”.
Para o administrador regional, Alan Valim, a quadra coberta irá mudar o cenário da escola. Além disso, garantirá mais qualidade para as aulas de educação física. “Os moradores do Distrito Federal sofrem muito com a seca. É uma necessidade oferecer um espaço digno para os alunos desenvolverem as atividades”, explica Valim. “A construção da cobertura vai elevar a qualidade do ensino de educação física”.
A notícia da cobertura da quadra agradou principalmente aos alunos, que, muitas vezes, são impedidos de praticarem as atividades físicas por conta do calor. “Será muito bom para todos”, comemora o estudante Denis Carvalho, 18 anos. “Sempre que começamos a jogar, temos que parar porque o sol é muito forte. Com certeza, vamos aproveitar ainda mais o espaço”.
Para a coordenadora pedagógica, Juliana Chaves, a cobertura é uma importante conquista de toda comunidade escolar. “Temos outros projetos na escola. Tanto os alunos como os professores sofrem com a exposição ao sol”.
Cultura e lazer: Longe de ser uma prioridade
Quase metade das cidades do DF não tem
cinema ou teatro. Parques estão desativados e quadras de esporte sem
condições de uso. Essa é a realidade do esporte e do lazer na região.
Num campo de futebol em São Sebastião, a poeira também faz o papel de
zagueiro; o sol na alivia na marcação e a grama levou cartão vermelho
faz tempo. Mesmo assim, os peladeiros seguem na disputa. É assim que a
garotada da cidade dribla as dificuldades. Eles improvisam o gol e se
espremem na areia. Pior seria ficar sem brincar.
“Se tivesse outro campinho, se tivesse uma quadra. Podia ser um
sintético ou então uma graminha. A gente queria um gol de verdade”, pede
um grupo de meninos.
Tudo isso existe bem perto de onde o time costuma se divertir. A Vila Olímpica, pronta há cinco meses, mas ainda sem uso, tem campo como gramado sintético, quadra poliesportiva, pista de atletismo e três piscinas. São 30 mil metros quadrados ao custo de R$ 7,6 milhões de reais. Das 20 Vilas Olímpicas projetadas pelo governo, só uma foi entregue até agora, em Samambaia. Três estão em obras e duas prontas, ainda esperando licitação da empresa para administrar o espaço - caso de São Sebastião. “Estamos muito ansiosos para abrir logo o campinho. A gente quer aproveita”, fala um menino.
Outros espaços do DF poderiam ser aproveitados para a prática de esporte. Mas como acontece na QNL de Taguatinga, os espaços estão abandonados, geralmente com sujeira, piso desgastado, pichado, iluminação precária e risco de acidente. “O alambrado está todo solto, corre o risco de cair em cima de uma criança, causando uma lesão que pode ser irreversível”, alerta o técnico em segurança do trabalh Fábio Nogueira Vasconcelos.Os parques seriam uma boa opção para se divertir com a família, mas dos 68 no DF, nem metade funciona.
No Parque da Cidade, por exemplo, uma das grandes atrações ficou só na lembrança. Inaugurada em 1978, a piscina com ondas era uma sensação. Em 1994 foi fechada e agora, nem de longe, parece o que já foi um dia. E não nem há previsão para solucionar o problema. A situação está tão ruim que o governo não sabe se reforma, derruba tudo para construir uma nova piscina ou se faz uma outra atividade no lugar. Uma audiência pública ainda vai ser feita para ouvir a opinião da população. Enquanto isso, o mato cresce até entre os azulejos. “Aqui não tem praia, acho que uma piscina de ondas já dava uma enganadinha. Seria ótimo! Poderia voltar, torço pra que volte”, fala a assistente administrativa Cíntia Neves Silva.
A previsão é que, este ano, o governo gaste mais de R$ 125
milhões com cultura e esporte. Ter um bom lugar pra brincar, pra jogar
não serve apenas de entretenimento ou passatempo. Sem opções, a garotada
fica presa em casa, improvisa ou fica exposta aos perigos da rua. “A importância é que nós estamos afastando as nossas crianças
dos problemas sociais. Além disso, estamos contribuindo para a formação
do caráter e da vida social dessa criança”, destaca o prefeito
comunitário da QNL, Márcio Celestino Bahia.
Das 30 cidades do DF, 18 não têm teatro nem cinema. No Recanto
das Emas, os mais próximos ficam a15 quilômetros de distância. “Eu
queria que tivesse. Pelo menos, não gastaria muito dinheiro de passagem
para ir a Taguatinga só para ver um filme”, diz o estudante Maurício de
Araújo.
Algumas comunidades cansaram de esperar. Uma ONG do Recanto das Emas pegou prédio emprestado, juntou vontade de aprender com vontade de ajudar e passou a ensinar teatro, música e dança. O único pagamento exigido é tirar boas notas. O Instituto Batucar surgiu há oito anos, a partir de uma transformação. “A percussão corporal permitiu que subíssemos de 12 alunos para 200”, conta o coordenador-geral da iniciativa, Ricardo Amorim. “Acho muito legal porque a gente aprende mais e não fica nas ruas”, garante Joyce Silva, de 9 anos. O que a comunidade espera é que o exemplo incentivo também os futuros governantes. “Os pais e todos os eleitores têm, sim, de observar todas as propostas desses candidatos que estão aí. Para os candidatos, digo que eles levem o voto e o eleitor com seriedade”, destaca o presidente do Batucar, Gilberto Gustavo Santos.
Algumas comunidades cansaram de esperar. Uma ONG do Recanto das Emas pegou prédio emprestado, juntou vontade de aprender com vontade de ajudar e passou a ensinar teatro, música e dança. O único pagamento exigido é tirar boas notas. O Instituto Batucar surgiu há oito anos, a partir de uma transformação. “A percussão corporal permitiu que subíssemos de 12 alunos para 200”, conta o coordenador-geral da iniciativa, Ricardo Amorim. “Acho muito legal porque a gente aprende mais e não fica nas ruas”, garante Joyce Silva, de 9 anos. O que a comunidade espera é que o exemplo incentivo também os futuros governantes. “Os pais e todos os eleitores têm, sim, de observar todas as propostas desses candidatos que estão aí. Para os candidatos, digo que eles levem o voto e o eleitor com seriedade”, destaca o presidente do Batucar, Gilberto Gustavo Santos.
Acompanhe a reportagem:
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Professores de São Sebastião resolvem conflitos na base da conversa
Pesquisa encomendada pela Secretaria de Educação do Distrito Federal mostra que 69,7% dos alunos da rede pública afirmam já ter visto algum tipo de agressão física no colégio.
Em uma escola pública de periferia, a violência era tamanha que os alunos se atacavam a facadas. Até que, um dia, começou uma revolução do bem. É um exemplo para todo o Brasil. Vandalismo generalizado. “Entrava em sala, pichava, quebrava cadeiras, chutava, bagunçava”, admite o estudante Alair Evangelista da Costa Junior.
Ameaças dentro e fora da aula. “Vou riscar o seu carro, vou furar o seu pneu, vou te bater! Eu participo de uma gangue!”, enumera a professora de biologia Camila Almeida. Brigas incontroláveis. “Pode pegar a caneta e meter na barriga, na cabeça, no olho”, diz a estudante Kamilla de Jesus, que foi expulsa da escola depois de acertar um murro em uma colega. “Eu desloquei o nariz da menina”, recorda.
O que está acontecendo com as escolas públicas da capital? Uma pesquisa encomendada pela Secretaria de Educação do Distrito Federal mostra que 69,7% dos alunos da rede pública afirmam já ter visto algum tipo de agressão física no colégio. E 65% dos professores dizem já ter sofrido ou testemunhado alguma ameaça. Ao todo, 22,4% deles dizem já ter visto alunos portando armas de fogo dentro da escola. “Os pais muitas vezes saem cedo para trabalhar e esses meninos se criam sozinhos nas ruas”, diz Leísa Sasso, diretora do Centro Educacional São Francisco.
É o que acontece em São Sebastião, uma das cidades mais pobres do Distrito Federal. Lá 88,6% dos moradores que trabalham passam o dia fora para ganhar, no máximo, um salário mínimo. Entre 14 regiões escolares, é a terceira mais violenta. “Até esfaqueamento a gente já presenciou”, diz a professora Camila Almeida. Foi no começo do ano letivo. Uma adolescente levou duas facadas de uma colega de turma. Uma pegou na barriga e a outra quase perfurou o pulmão. Ela mudou de escola e até de cidade com medo de ser atacada de novo.
A agressão foi em frente à escola, à luz do dia, diante de centenas de testemunhas. A violência existe, é fato. Mas, pelo menos no Centro Educacional São Francisco, em São Sebastião, no Distrito Federal, casos extremos assim estão cada vez mais restritos ao lado de fora. Do portão para dentro, algo mudou. Ninguém imaginou que a escola pudesse um dia levar os conflitos na conversa. Com quase 3 mil adolescentes em três turnos, o Centro Educacional São Francisco é uma fábrica de confusão. “O conflito existe diariamente. O conflito não tem fim!”, afirma a diretora da escola, Leísa Sasso.
O aluno chega primeiro. Tenso. Irritado. O professor vem em seguida. Aborrecido, zangado. Clynfiton Rodrigues pediu a um colega que fizesse um trabalho no lugar dele. O professor Carlos Alberto Franco Neto não gostou. “Quando eu questionei o aluno, ele respondeu de uma maneira agressiva, em frente à sala de aula, que aquele trabalho era dele”, diz o professor. “Alguns professores têm que ser um pouco mais calmos”, reclama o estudante.
Uma mesa redonda, tempo para falar à vontade e dois mediadores: uma aluna e um professor. “Ele não está chateado porque você não fez o trabalho. É pela forma agressiva com que essa situação foi colocada”, diz o mediador. Os dois desabafam, os mediadores ajudam a encontrar a chave da concórdia. “Na hora eu estava muito alterado, muito nervoso. Eu não sabia nem o que estava fazendo”, diz Clynfiton.
“Às vezes a gente não percebe a reação que tem. Acho normal”, diz o professor Carlos Alberto, que afirma compreender a reação do aluno. “Às vezes, só de o aluno dizer o que sente já melhora, porque tem alguém escutando”, diz Flávia Tavares Beleza, do Instituto Pró-Mediação. Foi o que fez a professora Camila Almeida quando assumiu a turma que ninguém conseguia controlar. Ela garante que agora consegue levar uma aula até o fim. “Antes eu não conseguia. Esse curso de mediação faz a gente enxergar o quanto é importante parar para ouvir”, diz.
Mediação é harmonia. Mediação é rock'n’roll! Tudo para apresentar os novos mediadores da escola. Dia de formatura. Uma turma de professores-mediadores. E mais 30 alunos recrutados com o mais improvável dos critérios. “Eles foram escolhidos para esse projeto por serem líderes negativos. A mediação pegou o potencial de liderança que esse menino já tinha e colocou a nosso favor”, explica Leíssa Sasso.
Ex-bagunceiro, Alair Evangelista da Costa Junior agora exporta mediação. “Não só na escola, em todo lugar|: no serviço, em casa, na rua. Aonde eu vou sempre tem um conflito para eu mediar. Virei mediador 24 horas”, diverte-se o estudante. E até o impossível aconteceu: a brigona Kamilla de Jesus virou zen. “Por incrível que pareça, sou mediadora”, diz Kamilla.
A diretora se espanta. “Ela era terrível. Ela enfrentava professor, enfrentava a direção”, lembra Leísa Sasso. O pai nem reconhece. “Digamos que, como todo adolescente rebelde, ela também não ficava atrás”, diz o motorista Adão Aparecido de Jesus, pai de Kamilla. A avó, Maria José Pimenta, mal acredita. “Era pirracenta, muito malcriada. Gritava com o pai, gritava com a mãe, gritava com todos nós. Depois já foi tomando um tiquinho de juízo”.
Não que a vontade de brigar tenha sumido por completo. “Primeiro eu respiro, lembro do que eu já fiz e do que eu posso fazer, do que eu posso mudar”, ensina Kamilla. Mas a transformação de Kamilla é bem maior do que o seu o pavio curto. “Você aprende a ver o mundo de maneira diferente. Você aprende a dialogar, uma coisa que é muito raro ver entre adolescentes, principalmente na escola”, avalia.
A façanha de conter a violência num contexto de pobreza, tensão social e hormônios explosivos talvez se explique mesmo pela descoberta do afeto cada vez que um conflito chega ao fim. “As minhas amizades eram aquelas só de bater. ‘Se você não fizer isso comigo agora, você não é minha amiga’. E hoje eu já tenho!”, comemora a estudante.
Acompanhe a reportagem:
Em uma escola pública de periferia, a violência era tamanha que os alunos se atacavam a facadas. Até que, um dia, começou uma revolução do bem. É um exemplo para todo o Brasil. Vandalismo generalizado. “Entrava em sala, pichava, quebrava cadeiras, chutava, bagunçava”, admite o estudante Alair Evangelista da Costa Junior.
Ameaças dentro e fora da aula. “Vou riscar o seu carro, vou furar o seu pneu, vou te bater! Eu participo de uma gangue!”, enumera a professora de biologia Camila Almeida. Brigas incontroláveis. “Pode pegar a caneta e meter na barriga, na cabeça, no olho”, diz a estudante Kamilla de Jesus, que foi expulsa da escola depois de acertar um murro em uma colega. “Eu desloquei o nariz da menina”, recorda.
O que está acontecendo com as escolas públicas da capital? Uma pesquisa encomendada pela Secretaria de Educação do Distrito Federal mostra que 69,7% dos alunos da rede pública afirmam já ter visto algum tipo de agressão física no colégio. E 65% dos professores dizem já ter sofrido ou testemunhado alguma ameaça. Ao todo, 22,4% deles dizem já ter visto alunos portando armas de fogo dentro da escola. “Os pais muitas vezes saem cedo para trabalhar e esses meninos se criam sozinhos nas ruas”, diz Leísa Sasso, diretora do Centro Educacional São Francisco.
É o que acontece em São Sebastião, uma das cidades mais pobres do Distrito Federal. Lá 88,6% dos moradores que trabalham passam o dia fora para ganhar, no máximo, um salário mínimo. Entre 14 regiões escolares, é a terceira mais violenta. “Até esfaqueamento a gente já presenciou”, diz a professora Camila Almeida. Foi no começo do ano letivo. Uma adolescente levou duas facadas de uma colega de turma. Uma pegou na barriga e a outra quase perfurou o pulmão. Ela mudou de escola e até de cidade com medo de ser atacada de novo.
A agressão foi em frente à escola, à luz do dia, diante de centenas de testemunhas. A violência existe, é fato. Mas, pelo menos no Centro Educacional São Francisco, em São Sebastião, no Distrito Federal, casos extremos assim estão cada vez mais restritos ao lado de fora. Do portão para dentro, algo mudou. Ninguém imaginou que a escola pudesse um dia levar os conflitos na conversa. Com quase 3 mil adolescentes em três turnos, o Centro Educacional São Francisco é uma fábrica de confusão. “O conflito existe diariamente. O conflito não tem fim!”, afirma a diretora da escola, Leísa Sasso.
O aluno chega primeiro. Tenso. Irritado. O professor vem em seguida. Aborrecido, zangado. Clynfiton Rodrigues pediu a um colega que fizesse um trabalho no lugar dele. O professor Carlos Alberto Franco Neto não gostou. “Quando eu questionei o aluno, ele respondeu de uma maneira agressiva, em frente à sala de aula, que aquele trabalho era dele”, diz o professor. “Alguns professores têm que ser um pouco mais calmos”, reclama o estudante.
Uma mesa redonda, tempo para falar à vontade e dois mediadores: uma aluna e um professor. “Ele não está chateado porque você não fez o trabalho. É pela forma agressiva com que essa situação foi colocada”, diz o mediador. Os dois desabafam, os mediadores ajudam a encontrar a chave da concórdia. “Na hora eu estava muito alterado, muito nervoso. Eu não sabia nem o que estava fazendo”, diz Clynfiton.
“Às vezes a gente não percebe a reação que tem. Acho normal”, diz o professor Carlos Alberto, que afirma compreender a reação do aluno. “Às vezes, só de o aluno dizer o que sente já melhora, porque tem alguém escutando”, diz Flávia Tavares Beleza, do Instituto Pró-Mediação. Foi o que fez a professora Camila Almeida quando assumiu a turma que ninguém conseguia controlar. Ela garante que agora consegue levar uma aula até o fim. “Antes eu não conseguia. Esse curso de mediação faz a gente enxergar o quanto é importante parar para ouvir”, diz.
Mediação é harmonia. Mediação é rock'n’roll! Tudo para apresentar os novos mediadores da escola. Dia de formatura. Uma turma de professores-mediadores. E mais 30 alunos recrutados com o mais improvável dos critérios. “Eles foram escolhidos para esse projeto por serem líderes negativos. A mediação pegou o potencial de liderança que esse menino já tinha e colocou a nosso favor”, explica Leíssa Sasso.
Ex-bagunceiro, Alair Evangelista da Costa Junior agora exporta mediação. “Não só na escola, em todo lugar|: no serviço, em casa, na rua. Aonde eu vou sempre tem um conflito para eu mediar. Virei mediador 24 horas”, diverte-se o estudante. E até o impossível aconteceu: a brigona Kamilla de Jesus virou zen. “Por incrível que pareça, sou mediadora”, diz Kamilla.
A diretora se espanta. “Ela era terrível. Ela enfrentava professor, enfrentava a direção”, lembra Leísa Sasso. O pai nem reconhece. “Digamos que, como todo adolescente rebelde, ela também não ficava atrás”, diz o motorista Adão Aparecido de Jesus, pai de Kamilla. A avó, Maria José Pimenta, mal acredita. “Era pirracenta, muito malcriada. Gritava com o pai, gritava com a mãe, gritava com todos nós. Depois já foi tomando um tiquinho de juízo”.
Não que a vontade de brigar tenha sumido por completo. “Primeiro eu respiro, lembro do que eu já fiz e do que eu posso fazer, do que eu posso mudar”, ensina Kamilla. Mas a transformação de Kamilla é bem maior do que o seu o pavio curto. “Você aprende a ver o mundo de maneira diferente. Você aprende a dialogar, uma coisa que é muito raro ver entre adolescentes, principalmente na escola”, avalia.
A façanha de conter a violência num contexto de pobreza, tensão social e hormônios explosivos talvez se explique mesmo pela descoberta do afeto cada vez que um conflito chega ao fim. “As minhas amizades eram aquelas só de bater. ‘Se você não fizer isso comigo agora, você não é minha amiga’. E hoje eu já tenho!”, comemora a estudante.
Acompanhe a reportagem:
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Moradores de São Sebastião se unem para enfrentar dificuldades
Em meio a tantas carências, a mobilização da sociedade é o melhor lado desta região administrativa do Distrito Federal.
JN no Ar passou o Dia da Independência em São Sebastião, bem perto de Brasília, a capital do país. O Distrito Federal tem 2,5 milhões de habitantes. A maioria é gente que chegou de fora. Você conversa compessoas do Nordeste, do Sul, do Norte, como eu”, conta um morador. Não é um estado, nem um município. Abriga Brasília, a capital federal. Tem a maior expectativa de vida no país e também a melhor renda média nacional em uma economia baseada no setor da administração pública.
“Aqui, além de ser bom para trabalhar, é bom para sair, para se divertir, para todas as idades”, garante uma jovem. O Distrito Federal tem a sexta maior taxa de homicídios do país e a menor de mortalidade infantil na Região Centro-Oeste. Ao lado do Amapá, é o lugar onde mais brasileiros sabem ler e escrever. São quase dois milhões de eleitores. A equipe do JN no Ar trocou a chuvosa Roraima pela seca Brasília. O Planalto Central não recebe uma gota de chuva há mais de cem dias. A região administrativa de São Sebastião fica a menos de 20 quilômetros de Brasília.
Tão perto do centro das decisões políticas e institucionais do país, São Sebastião está bem longe de ter aquelas garantias mínimas que só a presença do estado pode oferecer. Talvez exatamente por isso a população do local tenha resolvido arregaçar as mangas e resolver os problemas com as próprias mãos. O pessoal de São Sebastião já se acostumou a organizar o próprio jogo, a própria vida. O campeonato de futebol, que envolve mais de 3 mil pessoas em duas ligas e três categorias, é iniciativa espontânea da comunidade, para o seu próprio bem.
Damos oportunidades para tirar pessoas das drogas”, diz o treinador Ailton Gomes da Silva. É da comunidade o maior esforço para curar o analfabetismo, que atinge 40% da população. “Sentimos falta de algumas políticas públicas na nossa cidade, e a educação é um ponto crucial”, destaca Elias Araújo, da Casa de Paulo Freire. Foi em casa que um garotinho de 8 anos conheceu a riqueza da música clássica. É por esforço próprio que os atletas de São Sebastião carregam o peito de medalhas. “A dificuldade é nossa maior motivação”, diz um atleta.
Com mais de cem mil habitantes, na periferia pobre de Brasília, São Sebastião é cidade dormitório para quem trabalha no Distrito Federal. À sombra da capital, não é município, mas região administrativa. Por ser uma região administrativa de Brasília, São Sebastião depende diretamente do governo do Distrito Federal. E neste ano sofreu muito com as turbulências. De fevereiro para cá, quando o governador José Roberto Arruda renunciou, depois de uma onda de escândalos, o Distrito Federal já teve três outros governadores.
Isso ajuda a explicar por que São Sebastião tem uma moderna vila olímpica pronta e fechada desde fevereiro, à espera de inauguração, enquanto os atletas se exercitam na poeira, e por que uma Unidade de Pronto-Atendimento continua fechada enquanto o posto de saúde atual rejeita paciente após paciente, sem médico para atender. “A gente chega aqui e fica no maior abandono. Estou passando mal, precisando de atendimento médico e não tenho. Para que trabalhamos e pagamos impostos se São Sebastião está esquecido desta forma?“, desabafou a dona de casa Araci Alves da Cunha.
“O Distrito Federal foi projetado para ter 500 mil habitantes no ano 2000 e hoje já estamos chegando perto dos 3 milhões”, conta Vilson Mesquita, do Conselho de Saúde de São Sebastião. “A rede de saúde do Distrito Federal não tem como atender à demanda local”. Em meio a tantas carências, a mobilização da sociedade é o melhor lado de São Sebastião. “A comunidade deve ocupar esse espaço, mas não tem como substituir o estado. A ocupação da comunidade vem para dar um complemento à ação do estado“, diz o educador Francisco Rodrigues.
Talvez a disposição para meter a mão na massa seja marca das raízes deste lugar. Quando fundador, Sebastião Azevedo Rodrigues, conhecido como Tião da Areia, chegou à região, há meio século, foi trabalhar no barro de São Sebastião, fonte dos tijolos que ergueram Brasília. Perguntado se faria tudo de novo, ele responde: “O difícil é a idade. Mas se eu voltasse à idade de 50 atrás, faria tudo de novo e com mais perfeição”.
Veja a reportagem:
JN no Ar passou o Dia da Independência em São Sebastião, bem perto de Brasília, a capital do país. O Distrito Federal tem 2,5 milhões de habitantes. A maioria é gente que chegou de fora. Você conversa compessoas do Nordeste, do Sul, do Norte, como eu”, conta um morador. Não é um estado, nem um município. Abriga Brasília, a capital federal. Tem a maior expectativa de vida no país e também a melhor renda média nacional em uma economia baseada no setor da administração pública.
“Aqui, além de ser bom para trabalhar, é bom para sair, para se divertir, para todas as idades”, garante uma jovem. O Distrito Federal tem a sexta maior taxa de homicídios do país e a menor de mortalidade infantil na Região Centro-Oeste. Ao lado do Amapá, é o lugar onde mais brasileiros sabem ler e escrever. São quase dois milhões de eleitores. A equipe do JN no Ar trocou a chuvosa Roraima pela seca Brasília. O Planalto Central não recebe uma gota de chuva há mais de cem dias. A região administrativa de São Sebastião fica a menos de 20 quilômetros de Brasília.
Tão perto do centro das decisões políticas e institucionais do país, São Sebastião está bem longe de ter aquelas garantias mínimas que só a presença do estado pode oferecer. Talvez exatamente por isso a população do local tenha resolvido arregaçar as mangas e resolver os problemas com as próprias mãos. O pessoal de São Sebastião já se acostumou a organizar o próprio jogo, a própria vida. O campeonato de futebol, que envolve mais de 3 mil pessoas em duas ligas e três categorias, é iniciativa espontânea da comunidade, para o seu próprio bem.
Damos oportunidades para tirar pessoas das drogas”, diz o treinador Ailton Gomes da Silva. É da comunidade o maior esforço para curar o analfabetismo, que atinge 40% da população. “Sentimos falta de algumas políticas públicas na nossa cidade, e a educação é um ponto crucial”, destaca Elias Araújo, da Casa de Paulo Freire. Foi em casa que um garotinho de 8 anos conheceu a riqueza da música clássica. É por esforço próprio que os atletas de São Sebastião carregam o peito de medalhas. “A dificuldade é nossa maior motivação”, diz um atleta.
Com mais de cem mil habitantes, na periferia pobre de Brasília, São Sebastião é cidade dormitório para quem trabalha no Distrito Federal. À sombra da capital, não é município, mas região administrativa. Por ser uma região administrativa de Brasília, São Sebastião depende diretamente do governo do Distrito Federal. E neste ano sofreu muito com as turbulências. De fevereiro para cá, quando o governador José Roberto Arruda renunciou, depois de uma onda de escândalos, o Distrito Federal já teve três outros governadores.
Isso ajuda a explicar por que São Sebastião tem uma moderna vila olímpica pronta e fechada desde fevereiro, à espera de inauguração, enquanto os atletas se exercitam na poeira, e por que uma Unidade de Pronto-Atendimento continua fechada enquanto o posto de saúde atual rejeita paciente após paciente, sem médico para atender. “A gente chega aqui e fica no maior abandono. Estou passando mal, precisando de atendimento médico e não tenho. Para que trabalhamos e pagamos impostos se São Sebastião está esquecido desta forma?“, desabafou a dona de casa Araci Alves da Cunha.
“O Distrito Federal foi projetado para ter 500 mil habitantes no ano 2000 e hoje já estamos chegando perto dos 3 milhões”, conta Vilson Mesquita, do Conselho de Saúde de São Sebastião. “A rede de saúde do Distrito Federal não tem como atender à demanda local”. Em meio a tantas carências, a mobilização da sociedade é o melhor lado de São Sebastião. “A comunidade deve ocupar esse espaço, mas não tem como substituir o estado. A ocupação da comunidade vem para dar um complemento à ação do estado“, diz o educador Francisco Rodrigues.
Talvez a disposição para meter a mão na massa seja marca das raízes deste lugar. Quando fundador, Sebastião Azevedo Rodrigues, conhecido como Tião da Areia, chegou à região, há meio século, foi trabalhar no barro de São Sebastião, fonte dos tijolos que ergueram Brasília. Perguntado se faria tudo de novo, ele responde: “O difícil é a idade. Mas se eu voltasse à idade de 50 atrás, faria tudo de novo e com mais perfeição”.
Veja a reportagem:
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Ernesto Paglia prova ‘iguaria’ em São Sebastião (DF)
Na correria diária do JN no Ar, almoçamos a qualquer hora, quando dá. Você já viu nosso líder gastronômico Ernesto Paglia comendo moqueca capixaba em Guarapari (ES), tambaqui na brasa em Alto Alegre (RR), mas nem sempre é assim.
Em São Sebastião (DF), faltou tempo para sentar e apreciar com calma alguma iguaria local. Teve que ser jogo rápido. E, sabe como é, quem não tem cão, caça com (churrasquinho de) gato na Barraca do Costa. Confira abaixo:
Equipe do JN no ar vai retratar realidade de São Sebastião
Depois de poucas horas descanso, Ernesto Paglia e sua equipe vão conhecer São Sebastião. Eles chegaram de madrugada, vindos de Roraima, e estão mostrando um pouco da vida nas cidades do Brasil.
Para a equipe do JN no ar, que cruza os céus do Brasil, não há muito tempo para descanso. O repórter Ernesto Paglia e a equipe do projeto decolaram de Roraima antes das 22h e chegaram em Brasília durante a madrugada desta terça-feira (7).
“Em toda cidade que a gente está visitando, tentamos, no curto tempo que temos, fazer um retrato do que é aquela comunidade; o que ela quer melhorar, do que tem orgulho”, conta a produtora Adriana Caban.
Pela manhã, foi hora de descobrir São Sebastião. A primeira parada foi a partida de futebol da segunda divisão da várzea do Distrito Federal. Sob o clima seco e o calor, teve quem se aventurasse para assistir ao clássico.
Para mostrar o Brasil aos brasileiros, nenhum detalhe pode escapar. É preciso preparar a reportagem para a TV e o material para quem quer mais detalhes direto no blog do JN no ar - um desafio e tanto em tão pouco tempo.
“O que chama atenção é o desafio de chegar na cidade e, em três ou quatro horas, fazer a matéria, editar e entrar ao vivo à noite”, aponta Ulisses Mendes, técnico da equipe JN no ar.
São Sebastião é a décima cidade visitada pelo projeto JN no ar. E até o sorteio do próximo destino, nossa equipe vai mostrar muitas histórias da região.
Acompanhe a reportagem:
Projeto JN no ar visita São Sebastião
O repórter Ernesto Paglia chegou ao DF na madrugada desta terça-feira
(7). Ele está percorrendo o país para mostrar um pouco da realidade de
uma cidade de cada estado do Brasil antes das eleições.
O sorteio ao vivo, no Jornal Nacional, deu novo rumo à maratona do JN no ar. De Roraima, o projeto, que está mostrando um pouco da realidade de diversas cidades do Brasil, seguiu para o Distrito Federal. Entre Alto Alegre, em Roraima, e Brasília, foram 2.540 quilômetros em mais de três horas de vôo. A viagem foi tranquila, graças à equipe que, ao que parece, não para nem em terra, nem no ar. “Algumas localidades não têm combustível. Então, o planejamento tem que incluir condições para chegarmos lá e irmos, em seguida, ao local mais próximo para abastecer e seguir para etapa seguinte”, explica o comandante Reinaldo Kede.
O projeto JN no ar decolou pela primeira vez no dia 23 de agosto e já visitou nove cidades. Depois de lugares como Guarapari, no Espírito Santo, e Alto Alegre, em Roraima, agora, a equipe vai mostrar um pouco de São Sebastião para todo Brasil. “Passaram para a gente a história muito interessante de que parte do barro usado para construir Brasília saiu de São Sebastião. Haveria lá também um dos fundadores da capital, chamado Tião Areia”, conta a produtora do projeto, Adriana Caban.
Serão poucas horas de permanência no Distrito Federal - tempo suficiente para mais uma série de descobertas. “No caso específico de São Sebastião, acho que há um interesse a mais pelo fato de as pessoas, ao virem a Brasília, conhecerem apenas o Plano Piloto. Eu mesmo confesso que conheço muito pouco fora da Esplanada dos Ministérios. Acho que essa é uma oportunidade de vir à capital e conhecer algo novo”, destaca o repórter Ernesto Paglia.
Acompanhe a Reportagem:
O sorteio ao vivo, no Jornal Nacional, deu novo rumo à maratona do JN no ar. De Roraima, o projeto, que está mostrando um pouco da realidade de diversas cidades do Brasil, seguiu para o Distrito Federal. Entre Alto Alegre, em Roraima, e Brasília, foram 2.540 quilômetros em mais de três horas de vôo. A viagem foi tranquila, graças à equipe que, ao que parece, não para nem em terra, nem no ar. “Algumas localidades não têm combustível. Então, o planejamento tem que incluir condições para chegarmos lá e irmos, em seguida, ao local mais próximo para abastecer e seguir para etapa seguinte”, explica o comandante Reinaldo Kede.
O projeto JN no ar decolou pela primeira vez no dia 23 de agosto e já visitou nove cidades. Depois de lugares como Guarapari, no Espírito Santo, e Alto Alegre, em Roraima, agora, a equipe vai mostrar um pouco de São Sebastião para todo Brasil. “Passaram para a gente a história muito interessante de que parte do barro usado para construir Brasília saiu de São Sebastião. Haveria lá também um dos fundadores da capital, chamado Tião Areia”, conta a produtora do projeto, Adriana Caban.
Serão poucas horas de permanência no Distrito Federal - tempo suficiente para mais uma série de descobertas. “No caso específico de São Sebastião, acho que há um interesse a mais pelo fato de as pessoas, ao virem a Brasília, conhecerem apenas o Plano Piloto. Eu mesmo confesso que conheço muito pouco fora da Esplanada dos Ministérios. Acho que essa é uma oportunidade de vir à capital e conhecer algo novo”, destaca o repórter Ernesto Paglia.
Acompanhe a Reportagem:


