terça-feira, 30 de novembro de 2010

1º Encontro Fórum de Aprendizagem do Distrito Federal com a Comunidade de São Sebastião

O 1º Encontro do Fórum de Aprendizagem do Distrito Federal em São Sebastião foi sucesso total. Atendendo a demanda dos jovens da cidade, as expectativas foram superadas pela equipe organizadora. Elaborado pelo Fórum de Entidades Sociais de São Sebastião em parceira com Administração Regional e o Centro de Ensino Médio São Francisco o encontro trouxe para a cidade as instituições que trabalham com os projetos que inserem o jovem no mercado de trabalho.

Ás 8 horas da manhã já observavam um movimento diferente pela entrada principal do Centro de Ensino Médio São Francisco. Foram chegando os primeiros jovens interessados em saber do que se tratava a tal Lei do Aprendiz. E não era surpresa, pois a essa nova legislação confunde-se com a mais aplicada nas regras trabalhista. Ela é uma lei que foi elaborada mais precisamente para o jovem que está entrando agora no mercado de trabalho. A nova lei é objetiva, ao ponto de facilitar a inserção do jovem no mercado de trabalho, que pode ser menor de idade ou não, e busca incentivar a sua qualificação profissional.

Aos poucos os jovens interessados foram chegando e se acomodando no pátio principal da escola, onde são realizadas as apresentações. E em pouco tempo todos os lugares já se encontravam lotados pelos jovens e pais interessados em conseguir uma oportunidade para seus filhos. “É um meio de colocar meu filho em um emprego, sem prejudicar ele na escola”, disse dona Luzia, mãe que assistia atentamente à palestra e aguardava ansiosa para fazer o cadastro do filho. 

Logo que foi encerrada a palestra deram se início os cadastros dos jovens. O cadastro é o primeiro passo para quem busca o primeiro emprego. O receio dos estudantes era a contrapartida de que se entrasse no mercado de trabalho, de alguma forma prejudica-los nos estudos, mas depois da palestra apresentada no fórum, muitas dúvidas foram respondidas e confiantes, pouco a pouco, a fila do cadastro foi diminuindo. Muitos jovens fizeram seu cadastro.

Além do cadastro que estava sendo feito pela organização do Fórum, outros parceiros da Lei do Jovem Aprendiz também deram seu apoio, entre eles o mais conhecido no DF, o Centro de Integração Empresa Escola – CIEE, realizavam cadastros para vagas de estágio e para inserção no mercado de trabalho pela nova legislação. O Centro Salesiano do Menor – CESAM, também faziam os cadastros dos jovens. Notava-se a euforia e esperança dos jovens de São Sebastião, que viam ali, uma esperança de começar uma nova mudança.

Além destas instituições que realizavam os cadastros, estávam presentes também representantes da Secretaria de Estado de Justiça e da Secretaria de Estado do Trabalho, Instituto Fecomércio-DF, SENAI, Instituto Federal Brasília. Além desse contaram com a presença indispensável das instituições sociais da cidade, como a Casa de Cultura, CEPSS, Biblioteca Comunitária do Bosque, Casa de Paulo Freire, Brinquedoteca, SuperNova, TBR, Istituto de Arte e Cultura de São Sebastião. Ambas explanando sobre os direitos do cidadão no eixo mercado de trabalho, valorização da vida e ao mesmo tempo emitiam carteiras de trabalhos para aqueles que ainda não possuíam o documento.

Ao tempo que acontecia os cadastros e a apresentação de cada instituição, foram realizando shows e apresentações culturais no palco principal. Os alunos do Projeto Filosofança da própria escola. Na música tinha os meninos Juan Marcus e Vinícius fez a mulherada gritar aos embalos da música setaneja. A apresentação da roda de capoeira fez muita gente mexer o corpo e transpor a energia da luta brasileira. Um desfile de moda também fez sucesso, com as peças produzidas pelo estilista da própria escola.

Vejam o vídeo abaixo



O objetivo do fórum foi realizado ao promover a Lei do Aprendiz para os alunos da cidade. Além de criar uma rede de informações para os parceiros dos projetos, facilitará muito o emprego da nova legislação. Clareou e facilitou o emprego e cumprimento dessa nova lei, sem que com isso prejudicasse os estudantes, facilitando a sua entrada formal no mercado de trabalho.

Vejam as fotos abaixo



segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Cerimônia de encerramento do Instituto de Arte e Cultura de São Sebastião - IACSS/SESBRA

Convido a todos a participarem do evento de encerramento do semestre do Instituto de Arte e Cultura de São Sebastião - IACSS/SESBRA

Dia 01 de dezembro de 2010, ás 19 horas no Centro de Ensino Médio São Francisco (Chicão)

Participação especial da Camerata da Escola de Música de Brasília e do Coral da 3ª Idade da Igreja Nossa Senhora de Fátima, Poesia, Sapateado, Tango, Salsa, Hip Hop, Pop, MPB, Música Sertaneja e muito mais.

Participe. ENTRADA FRANCA




Sueli Brandão Borges
Instituto de Arte e Cultura de São Sebastião/DF
(61) 33352104 / 99547862

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

A comunidade Café sem Troco.

O nome foi emprestado de um modesto bar de madeirite aberto nos anos 1970. Hoje a comunidade tem mais de 12 mil habitantes.

Em longas horas de viagem, nas extensas distâncias percorridas pelas estradas deste país, caminhoneiros sempre encontram pelo caminho um lugar aconchegante para tomar aquele café quentinho coado na hora. Em 1975, a opção para quem passava pelo trecho ainda de terra da BR-251, na altura do entroncamento com a DF-130, região de São Sebastião, era um modesto bar de madeirite construído à beira da pista chamado, à época, Panela Velha. Lá, o saboroso café ajudava a manter o motorista acordado ou aquecido, durante o período mais frio do ano, e o caldo de cana moída num engenho antigo os refrescava em momentos de forte calor da capital federal.

preço barato dos produtos também agradava aos fregueses. O problema só aparecia se o valor da cédula fosse maior que a quantia consumida. Nesse caso, o motorista podia esquecer a diferença no preço. Naquele ponto, o café era sem troco. E não pense que o então proprietário do barraco, Alarico Joaquim Pires, era desonesto. Pelo contrário: na falta de dinheiro miúdo para devolver o troco, Alarico deixava condutores lancharem de graça no modesto quiosque. “Aqui não tinha nada e era distante de tudo. Quando via uma nota graúda, sabia que não teria como devolver o restante do dinheiro”, recorda um morador de Cariru, região vizinha ao bar, o fazendeiro Joaquim José da Silva, 68 anos.
 
Para não se apossar do suado salário do caminhoneiro, Alarico propunha um acordo. O homem lanchava e deixava, por exemplo, uma nota de R$ 10 — na época, seria uma cédula de cruzeiro. Seguia viagem até o ponto onde descarregaria o material transportado. E, depois, quando voltasse a cortar a rodovia já com o serviço realizado, tinha crédito no boteco ou poderia retirar as moedas já trocadas para continuar a viagem. Como pessoas de todo o país passavam e ainda passam pelo ponto, a fama da falta de moedas no boteco cresceu rápido.
 
Apelido
De uma hora para outra, o Panela Velha ganhara o apelido de Café 100 troco, que mais tarde viraria nome de batismo de toda a região que atualmente abriga 12 mil habitantes. Um dos mais antigos fazendeiros do lugar, o mineiro Domingos Fernandes da Silva, 85 anos, ajudou, ao lado da esposa Conceição Araújo Fernandes, 66, a intitular o local. “Eles moram aqui desde o início do bar e faziam brincadeira com a ausência de moedas”, entrega Joaquim José, triste com a notícia de que o amigo de anos Domingos Fernandes está com problemas de saúde e não pôde dar entrevista.

João Carlos Paludo:
 agora, o bar Café 100 troco tem, sim, moedinhas
O barraco de madeirite sobreviveu no ponto irregular por pelo menos 20 anos. Depois de removido pelo governo, em meados da década de 1990, o servidor público Wilson Florentino Borges, 72 anos, comprou o lote próximo ao famoso quiosque e resolveu construir um restaurante mais estruturado e espaçoso. O nome do famoso bar foi comprado após a morte do dono. Wilson, então, assumiu a responsabilidade de levar adiante o comércio que dera nome à região (chamada de Café sem troco). Trabalhou duro nele, mesmo após aposentado.

Mas, cansado da rotina de comerciante, arrendou, há quatro anos, a lanchonete a João Carlos Paludo, 48 anos, que faz questão de tranquilizar os motoristas. Diferentemente do passado, hoje o proprietário consegue devolver o troco aos clientes. “As pessoas acham graça no nome. Uns chegam a ficar parados com a nota de R$ 20 na mão imaginando se pagam ou se deixam de comprar, com medo de não terem o dinheiro de volta”, conta.

Aconchego a 56km da capital

O cheiro de poeira, o ar de interior e as prosas pausadas dos fazendeiros caracterizam o lugar. A 56km de distância do centro do poder do país, Café sem troco abriga diversas famílias em aconchegantes casas de alvenaria. Além de restaurantes e postos para atender aos motoristas, mercados, lojas de materiais de construção e salões de beleza já mostram a evolução da economia local. O fazendeiro Joaquim José da Silva criou três filhos na região. “Eles estudaram na escola até a 4ª série e depois foram para o PADF (Programa de Assentamento Dirigido do Distrito Federal), onde puderam continuar os estudos”, lembra a mulher, Leonilda Gomes da Silva, 55 anos.
Piadista, Joaquim José aponta para a charrete e brinca: "É o meu escritório"

O divertido baiano que alegra a todos que passam com piadas contadas pausadamente atualmente só produz o necessário para a sobrevivência. “Já plantei, já toquei gado e cavalo. Mas hoje eu vivo tranquilo e não tenho necessidade de fazer mais isso. Ainda tenho do arroz que plantei em 2008 e só devo plantar outro quando o meu acabar”, conta. “Tá vendo aquilo ali? É meu escritório”, brinca o fazendeiro, já aposentado, apontando para a charrete e o cavalo.

O carreteiro Nilson Bertuol, 60 anos, não hesitou ao encontrar uma sombra no terreno da comunidade Café sem troco. Morador de Medianeira, no Paraná, o motorista contava com a ajuda da mulher, a professora Marineuza Menegol, 53 anos, para preparar o almoço na própria carreta. No cardápio, arroz, frango e salada, com ingredientes frescos comprados no vilarejo. Eles estão fora de casa há 20 dias. Passaram Natal e réveillon nas estradas da Bahia e agora levam fibras de algodão para Uberlândia(MG). “Paramos aqui por causa da sombra, mas já estamos gostando do clima agradável da região”, conta.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Estudantes de São Sebastião visitam o Tribunal

Um grupo de 42 estudantes da área rural de São Sebastião, nos arredores de Brasília, foi recebido pelo presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Ari Pargendler, em mais uma etapa do projeto Museu-Escola. Instituído pelo STJ em 2001, o projeto promove a visita de grupos de estudantes do ensino fundamental e do ensino médio ao museu e demais instalações do Tribunal.

Dessa vez, os visitantes eram alunos da oitava série do Centro de Ensino Fundamental Nova Betânia. Eles foram recepcionados pelo presidente no museu do STJ, que reúne documentos e objetos representativos de momentos importantes da história da instituição.

O professor Vanderley Gleimar – que acompanhava os alunos juntamente com a professora Juliana Vassoler – agradeceu ao STJ por mais essa oportunidade oferecida aos alunos do CE Nova Betânia, que há três anos participa do projeto Museu-Escola. “O STJ, ao assumir esse compromisso direto com o desenvolvimento intelectual e social de nossos estudantes, transcende a sua responsabilidade jurisdicional para garantir a cidadania em seus múltiplos aspectos”, afirmou o professor.

O transporte dos estudantes que participam do projeto é feito pelo Tribunal. As escolas interessadas podem inscrever suas turmas pelos telefones (61) 3319-8373/8376, de segunda a sexta-feira, das 9h às 19h; ou via internet, por meio do formulário do projeto Museu-Escola. 

Estudantes são recebidos pelo ministro Ari Pargendler
  Disponível em: STJ

terça-feira, 23 de novembro de 2010

1º Encontro Fórum de Aprendizagem do Distrito Federal com a Comunidade de São Sebastião

No dia 27 de novembro (próximo sábado), será realizado no Centro Educacional São Francisco a partir das 8 da manhã, o 1° Encontro Fórum de Aprendizagem do Distrito Federal com a Comunidade de São Sebastião. A ação tem o objetivo de divulgar a Lei da Aprendizagem (para jovens de 14 a 24 anos) e estabelecer um vínculo com a nossa comunidade para o encaminhamento dos jovens para o mercado de trabalho.


A participação dos representantes dos vários segmentos é fundamental para podermos aproveitar bem esta oportunidade e começarmos um trabalho concreto em prol da inserção no mercado de trabalho dos nossos adolescentes e jovens. Por favor, mandem um representante. A coordenação do Fórum de São Sebastião agradece.

Uma severa crítica à educação atual

Quino, autor da Mafalda, desiludido com o rumo deste século no que diz respeito a valores morais e educação, deixou impresso no cartum o seu sentimento:







O que cabe a nós, professores? O que podemos fazer para mudar esta situação, uma vez que estamos indo contra a maré da nova sociedade?

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

SÃO SEBASTIÃO COUNTRY FEST



São Sebastião Country Fest acontece de 18 a 21/11 no Parque de Exposições de São Sebastião e reúne diversas atrações.

O Instituto Educar e Crescer ? IEC realiza de 18 a 21/11 o evento São Sebastião Country Fest, o IEC é uma instituição sem fins lucrativos, que atua na área do turismo e da educação, voltada ao desenvolvimento local sustentável e à inclusão social, no intuito de democratizar as oportunidades de ensino-aprendizagem, profissionalização, de lazer e de entretenimento.

Nos dias 18 e 20/11, a entrada será franca para os shows de Cleber & Cauan, considerada ?dupla revelação? do Distrito Federal em 2009 e Bruno & Mateus, havendo a presença de artistas locais nas duas ocasiões.

O rodeio profissional terá sua abertura oficial no dia 19/11 com o artista Eduardo Costa, mineiro de Belo Horizonte que faz malabarismos com sua viola. O encerramento acontecerá no dia 20/11 com os cantores Pedro Paulo e Matheus, respeitada dupla de Brasília.

SÃO SEBASTIÃO COUNTRY FEST

Local: Parque de Exposições de São Sebastião

18/11: Cleber e Cauan + Artistas Locais
Entrada Franca

19/11: Bruno e Mateus + Artistas Locais
Entrada Franca

20/11: Eduardo Costa
R$ 20 (meia)

21/11: Pedro Paulo e Matheus
R$ 10 (meia)

Classificação: 16 anos.

Informações: (61) 8118 1505

Preciosidades da nossa literatura

Essa é a nova coluna, que terá frequentemente um texto falando sobre os memoráveis escritores brasileiros. Os textos aqui publicados são de autoria de Francisco Nery, colaborador e parceiro na construção deste espaço. A todos, tenham uma boa leitura.

Lima Barreto foi um notável intelectual que se fez escritor e revitalizou a literatura brasileira do começo do século XX.

Afonso Henriques de Lima Barreto nasceu no Rio de Janeiro em 13 de maio de 1881. Como poucos homens de sua condição e de seu tempo, teve a oportunidade de estudar em escola pública. Ingressou na Escola de Engenharia, a então Escola Politécnica do Rio de Janeiro. Entretanto, o escritor logo se viu obrigado a abandoná-la muito antes de concluir os estudos para chefiar a família e incumbir-se dos cuidados do pai, o qual fora acometido por uma grave doença mental.


O autor de Recordações do escrivão Isaias Caminha (1909), Triste fim de Policarpo Quaresma (1915) e Vida e Morte de M.J Gonzaga e Sá (1919) – dentre muitos outros títulos e mais de cem contos catalogados – é considerado o romancista mais atuante e engajado com as causas políticas e sociais no período de transição literária que ficou conhecido como Pré-Modernismo (1902-1922).

Barreto colaborou por longo tempo na imprensa militante, e por ter cultivado de forma incisiva o humor crítico, é considerado um dos discípulos de Machado de Assis. Lima Barreto viveu e sofreu intensamente as transformações da realidade dolorosa que ora se impunha a ele e a uma legião de brasileiros do seu tempo.
Durante as duas primeiras décadas do ano de 1900, a Europa passava por profundas mudanças socioculturais e políticas, ocasionadas em especial pela propagação dos movimentos da vanguarda modernista, ao passo que a literatura brasileira ainda se mantinha presa aos estilos nascidos no século anterior: o parnasianismo e o simbolismo vigoravam na poesia, o realismo e o naturalismo, na prosa. Os ventos da modernidade não tardariam a soprar por aqui. O primeiro sinal de mudança manifestou-se quando alguns poucos escritores, como Graça Aranha (1868 -1931), Monteiro Lobato (1882 -1948), Euclides da Cunha (1866-1909), Augusto dos Anjos (1884-1914) e notadamente Afonso Henriques de Lima Barreto (1881-1922), cada um ao seu modo, problematizaram a realidade social e cultural brasileira, traçando em suas obras um vasto painel dos males de um país agrário e subdesenvolvido, o Brasil não-oficial.

Em virtude do seu preocupante estado de saúde, agravado principalmente pela bebida, pelo reumatismo e por outras complicações, o escritor foi acometido por um forte colapso cardíaco, vindo a falecer em 1º de novembro de 1922, fatalidade que coincide com o ano do advento da Semana de Arte Moderna em São Paulo. De vida literária curta, porém intensa, a sua obra foi de extrema importância ao trazer para a literatura a temática social conjugada, de alguma forma, à vida pessoal. Na sua História concisa da literatura brasileira, Alfredo Bosi (1996) assinala que:
A biografia de Lima Barreto explica o húmus ideológico da sua obra: a origem humilde, a cor, a vida penosa de jornalista pobre e de pobre amanuense, aliadas à viva consciência da própria situação social, motivaram aquele seu socialismo maximalista, tão emotivo nas raízes quanto penetrante nas análises.
Lima Barreto soube, com extrema habilidade e precisão, construir uma sátira de seu tempo, transpondo para o romance ou para o conto, muitos dos velhos e conhecidos problemas do Brasil, como a questão da indiferença, do preconceito, do nacionalismo puramente ornamental e vazio de sentimento patriótico, a depravação moral e política das elites, além das diferenças aberrantes existentes entre as classes que compunham a sociedade brasileira no alvorecer da República.
Enfim, foi um notável intelectual que se fez escritor e, lutando contra as forças e intempéries naturais que oprimem o homem no seu próprio meio, revitalizou a literatura brasileira, dando a ela uma nova roupagem, um novo caráter, uma nova missão, ao trazer para as páginas escritas a voz antes silenciada das camadas populares mais humildes. Para Achcar (1995), isso foi possível graças a uma forte empatia e militância do escritor com o mundo suburbano do Rio - a cidade na qual ele viveu, a cidade que nele vivia.
Vida Literária
Sob a direção de Francisco de Assis Barbosa, em colaboração com Antônio Houaiss e Manoel Cavalcante Proença, a obra barretiana foi publicada no ano de 1956 em dezessete volumes, incluindo as produções satíricas (Os Bruzundangas e Coisas do reino de Jambon); os romances (Numa e a Ninfa, Clara dos Anjos); artigos e crônicas (Feiras e mafuás, Impressões de leitura, Vida urbana, Bagatelas e Marginália) e os livros de memórias (O cemitério dos vivos e Diário íntimo). Foram publicados, ainda, dois volumes que constituem toda a sua correspondência - ativa e passiva - e uma coletânea de contos de caráter satírico, de crítica social e de costumes, com destaque para Congresso pamplanetário, O homem que sabia javanês, Nova Califórnia e O filho da Gabriela.
Obra-prima
Triste fim de Policarpo Quaresma (1915),constitui a obra-prima de Lima Barreto, reconhecimento que, na concepção do crítico Alfredo Bosi, se deve tanto ao acabamento formal quanto à rica presença de imagens da cena política e cultural do Brasil republicano, captadas de perto por um olhar crítico e atento. Publicado inicialmente em folhetins do Jornal do Comércio, em 1911, e cinco anos depois em formato de livro, o romance constrói um rico panorama histórico, político e social do país ao retratar o contexto pós-instauração do regime republicano, o governo ditatorial de Floriano Peixoto, o levante da armada e a política oligárquica.
De acordo com Francisco Achcar o livro está dividido basicamente em três partes: o retrato do personagem e o seu projeto cultural, o projeto agrícola, e o projeto político. O romance é narrado em terceira pessoa e conta a história do personagem-título, o Major Quaresma, um brasileiro de extremado patriotismo, inteiramente tomado de amores pelas riquezas naturais e culturais brasileiras. Um homem, cuja obsessão nacionalista o levou a comportamentos por vezes incompreensíveis, beirando o patético e a loucura. Funcionário da Secretaria da Guerra, ele era um cidadão no melhor sentido do termo, que levava uma vida simples e pacata, respeitado por tantos quanto o conheciam pela sua ética e caráter. Dedicara-se em vida ao estudo e ao engrandecimento de tudo que dizia respeito aos assuntos do Brasil.

Desde moço, ai pelos vinte anos, o amor da pátria tomou-o todo inteiro. Não fora o amor comum, palrador e vazio; fora um sentimento sério, grave e absorvente. Nada de ambições políticas ou administrativas; o que Quaresma pensou, ou melhor, o que o patriotismo o fez pensar, foi num conhecimento inteiro do Brasil, levando-o a meditações sobre os seus recursos, para depois então apontar os remédios, as medidas progressivas, com pleno conhecimento de causa. (BARRETO, 1915, p.5)

Por Francisco Nery

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Sorrir faz bem a saúde

Acordar cedo, ficar preso no trânsito, esperar aquele ônibus que não chega nunca, todo aquele caos que temos que enfrentar todo dia. Isso não colabora muito com o bom humor, ainda mais se você for uma daquelas pessoas que não funcionam muito bem de manhã.

Mas já pensou em fazer pequenas coisas que possam ajudar a melhorar esse processo? Abrir um sorriso largo para o vizinho no elevador é simpático e de quebra previne doenças, joga o stress pra escanteio e alivia dores. O sorriso estimula a produção de endorfinas, neurotransmissores que produzem a sensação de bem-estar e relaxamento.

Que saber como? Confira no vídeo abaixo.



O vídeo é o registro de uma ação da Brastemp realizada através de 11 estacões de rádio de São Paulo. As rádios trasmitiram simultaneamente o spot Sorriso, que convidava os motoristas a sorrir para o motorista ao lado.

Os fotográfos Silvio Tanaka e Agê Alessandro também vão te ajudar na inspiração, registrando com suas lentes sorrisos escondidos em objetos espalhados pela cidade.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Calem a boca Nordestinos

Para quem ainda não sabe, após a confirmação da vitória de Dilma na eleição presidencial, um grupo de paulistas (claro, a turma do psdb) através de uma 'universitária' do curso de direito chamada: Mayara Petruso, lançou no twitter a seguinte campanha: "Faça um favor a são paulo, se encontrar um nordestino, mate ele afogado". Querendo com isso "responsabilizar" o nordeste por ter eleito Dilma, mal sabendo ela que, mesmo "excluindo" o nordeste da votação, Dilma teria sido eleita por mais de um milhão de votos. Pois bem, a campanha se espalhou, virou uma guerra altamente preconceituosa contra nordestinos no twitter e demais redes sociais. Muito foi dito até agora, muitos opinaram, a tal Mayara até perdeu seu emprego em sampa e está sendo processada por crime de racismo e também por indução à prática de crime (incitar pessoas a afogarem nordestinos) pela OAB do estado de Pernambuco.

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A eleição de Dilma Rousseff trouxe à tona, entre muitas outras coisas, o que há de pior no Brasil em relação aos preconceitos. Sejam eles religiosos, partidários, regionais, foram lançados à luz de maneira violenta, sádica e contraditória.

Já escrevi sobre os preconceitos religiosos em outros textos e a cada dia me envergonho mais do povo que se diz evangélico (do qual faço parte) e dos pilantras profissionais de púlpito, como Silas Malafaia, Renê Terra Nova e outros, que se venderam de forma absurda aos seus candidatos. E que fique bem claro: não os cito por terem apoiado o Serra… outros pastores se venderam vergonhosamente para apoiarem a candidata petista. A luta pelo poder ainda é a maior no meio do baixo-evangelicismo brasileiro.

Mas o que me motivou a escrever este texto foi a celeuma causada na internet, que extrapolou a rede mundial de computadores, pelas declarações da paulista, estudante de Direito, Mayara Petruso, alavancada por uma declaração no twitter: “Nordestino não é gente. Faça um favor a SP, mate um nordestino afogado!”.

Infelizmente, Mayara não foi a única. Vários outros “brasileiros” também passaram a agredir os nordestinos, revoltados com o resultado final das eleições, que elegeu a primeira mulher presidentE ou presidentA (sim, fui corrigido por muitos e convencido pelos “amigos” Houaiss e Aurélio) do nosso país.

E fiquei a pensar nas verdades ditas por estes jovens, tão emocionados em suas declarações contra os nordestinos. Eles têm razão!

Os nordestinos devem ficar quietos! Cale a boca, povo do Nordeste!
Que coisas boas vocês têm pra oferecer ao resto do país?

Ou vocês pensam que são os bons só porque deram à literatura brasileira nomes como o do alagoano Graciliano Ramos, dos paraibanos José Lins do Rego e Ariano Suassuna, dos pernambucanos João Cabral de Melo Neto e Manuel Bandeira, ou então dos cearenses José de Alencar e a maravilhosa Rachel de Queiroz?

Só porque o Maranhão nos deu Gonçalves Dias, Aluisio Azevedo, Arthur Azevedo, Ferreira Gullar, José Louzeiro e Josué Montello, e o Ceará nos presenteou com José de Alencar e Patativa do Assaré e a Bahia em seus encantos nos deu como herança Jorge Amado, vocês pensam que podem tudo?

Isso sem falar no humor brasileiro, de quem sugamos de vocês os talentos do genial Chico Anysio, do eterno trapalhão Renato Aragão, de Tom Cavalcante e até mesmo do palhaço Tiririca, que foi eleito o deputado federal mais votado pelos… pasmem… PAULISTAS!!!

E já que está na moda o cinema brasileiro, ainda poderia falar de atores como os cearenses José Wilker, Luiza Tomé, Milton Moraes e Emiliano Queiróz, o inesquecível Dirceu Borboleta, ou ainda do paraibano José Dumont ou de Marco Nanini, pernambucano.

Ah! E ainda os baianos Lázaro Ramos e Wagner Moura, que será eternizado pelo “carioca” Capitão Nascimento, de Tropa de Elite, 1 e 2.
Música? Não, vocês nordestinos não poderiam ter coisa boa a nos oferecer, povo analfabeto e sem cultura…

Ou pensam que teremos que aceitar vocês por causa da aterradora simplicidade e majestade de Luiz Gonzaga, o rei do baião? Ou das lindas canções de Nando Cordel e dos seus conterrâneos pernambucanos Alceu Valença, Dominguinhos, Geraldo Azevedo e Lenine? Isso sem falar nos paraibanos Zé e Elba Ramalho e do cearense Fagner…

E Não poderia deixar de lembrar também da genial família Caymmi e suas melofias doces e baianas a embalar dias e noites repletas de poesia…

Ah! Nordestinos…

Além de tudo isso, vocês ainda resistiram à escravatura? E foi daí que nasceu o mais famoso quilombo, símbolo da resistência dos negros á força opressora do branco que sabe o que é melhor para o nosso país? Por que vocês foram nos dar Zumbi dos Palmares? Só para marcar mais um ponto na sofrida e linda história do seu povo?

Um conselho, pobres nordestinos. Vocês deveriam aprender conosco, povo civilizado do sul e sudeste do Brasil. Nós, sim, temos coisas boas a lhes ensinar.

Por que não aprendem conosco os batidões do funk carioca? Deveriam aprender e ver as suas meninas dançarem até o chão, sendo carinhosamente chamadas de “cachorras”. Além disso, deveriam aprender também muito da poesia estética e musical de Tati Quebra-Barraco, Latino e Kelly Key. Sim, porque melhor que a asa branca bater asas e voar, é ter festa no apê e rolar bundalelê!
Por que não aprendem do pagode gostoso de Netinho de Paula? E ainda poderiam levar suas meninas para “um dia de princesa” (se não apanharem no caminho)! Ou então o rock melódico e poético de Supla! Vocês adorariam!!!

Mas se não quiserem, podemos pedir ao pessoal aqui do lado, do Mato Grosso do Sul, que lhes exporte o sertanejo universitário… coisa da melhor qualidade!

Ah! E sem falar numa coisa que vocês tem que aprender conosco, povo civilizado, branco e intelectualizado: explorar bem o trabalho infantil! Vocês não sabem, mas na verdade não está em jogo se é ou não trabalho infantil (isso pouco vale pra justiça), o que importa mesmo é o QUANTO esse trabalho infantil vai render. Ou vocês não perceberam ainda que suas crianças não podem trabalhar nas plantações, nas roças, etc. porque isso as afasta da escola e é um trabalho horroroso e sujo, mas na verdade, é porque ganha pouco. Bom mesmo é a menina deixar de estudar pra ser modelo e sustentar os pais, ou ser atriz mirim ou cantora e ter a sua vida totalmente modificada, mesmo que não tenha estrutura psicológica pra isso… mas o que importa mesmo é que vão encher o bolso e nunca precisarão de Bolsa-família, daí, é fácil criticar quem precisa!
Minha mensagem então é essa: – Calem a boca, nordestinos!

Calem a boca, porque vocês não precisam se rebaixar e tentar responder a tantos absurdos de gente que não entende o que é, mesmo sendo abandonado por tantos anos pelo próprio país, vocês tirarem tanta beleza e poesia das mãos calejadas e das peles ressecadas de sol a sol.

Calem a boca, e deixem quem não tem nada pra dizer jogar suas palavras ao vento. Não deixem que isso os tire de sua posição majestosa na construção desse povo maravilhoso, de tantas cores, sotaques, religiões e gentes.

Calem a boca, porque a história desse país responderá por si mesma a importância e a contribuição que vocês nos legaram, seja na literatura, na música, nas artes cênicas ou em quaisquer situações em que a força do seu povo falou mais alto e fez valer a máxima do escritor: “O sertanejo é, antes de tudo, um forte!”

Que o Deus de todos os povos, raças, tribos e nações, os abençoe, queridos irmãos nordestinos!

Texto retirdado do blog da Dinha. Disponível também em: Crer e Pensar 

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Entrevista com Hosana Alves

Para quem não conhece, Hosana Alves, (Neguinha) é moradora da quadra 12, do bairro Morro Azul. É líder comunitária, trabalha arduamente em busca de melhorias para o lugar onde ela e muitas famílias vivem.
Diante a grande desafios, ela conta neste pequeno longa, um pouco de sua história relacionado aos movimentos pela fixação da Quadra 12, os problemas que ainda existem e o que pode ser feito pela melhoria para o bairro.

POESIA E VINHO - Cultura alternativa no Distrito Federal




Em 2003, um grupo de jovens artistas de São Sebastião decidiu criar um coletivo para potencializar suas apresentações e trocar experiências artísticas. Atores, músicos, poetas e artistas plásticos iniciaram uma jornada conjunta, complementando o fazer de cada arte. Os Radicais Livres S/A criaram há sete anos o Sarau Radical, evento mensal para a comunidade da cidade-satélite. Os Radicais Livres S/A percorreram várias outras áreas do Distrito Federal, levando os artistas de São Sebastião para interagir com os do Plano Piloto e de outras comunidades.

Vinícius Borba, produtor cultural, ator, poeta e jornalista, é um dos coordenadores do coletivo. Diogo Ramalho, poeta, escritor e declamador, promove e participa dos saraus. Por fim, Thiago Allexander, membro fundador do grupo, é ator, produtor cultural, músico e escritor.

Os Radicais Livres S/A chegam no Espaço Mosaico no dia 9 de novembro, para o Poesia e Vinho. O evento, conduzido pelo ator Adeilton Lima, começará às 20 horas e é gratuito. Classificação Mostrar tudoindicativa: 16 anos.

Serviço

Data: 09 de novembro
Horário: 20h
Local: Espaço Cultural Mosaico
Informações: (61) 3032 - 1330
Classificação indicativa: 16 anos

Entrada franca
E.mail: espacomosaico@gmail.com | Site: http://www.espacoculturalmosaico.com.br/

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Obras das vilas olímpicas de São Sebastião estão atrasadas

GDF promete inaugurar as duas vilas na segunda quinzena de dezembro. As unidades serão administradas por organizações sociais. Das dez vilas prometidas somente a de Samambaia está funcionado.

As dez Vilas Olímpicas do Distrito Federal começaram a ser construídas em 2008, cada uma com custo
entre R$ 7 e 8 milhões. Elas deveriam ter ficado prontas até julho deste ano. Mas até hoje, só uma, a de Samambaia, foi inaugurada. Agora, o GDF garante que vai entregar outras duas.
A Secretaria de Esportes já escolheu as duas entidades que vão administrar as vilas de São Sebastião e do Parque da Vaquejada, em Ceilândia. Os contratos devem ser assinados nos próximos dias e a promessa é de que elas comecem a funcionar na segunda quinzena de dezembro.

“Já estava proposto desde o início do projeto vila olímpica e as entidades elas têm o papel operacional, ou seja, todo trabalho executado nas vilas é feito por ela. O governo então faz o repasse financeiro e fiscaliza junto com os órgãos de controle a operação desse projeto”, explica o secretário de Esportes, Hebert Félix.
Crianças e adolescentes matriculados na rede pública vão ter atividades esportivas e recreativas no horário em que não estiverem na escola. Nos fins de semana, as vilas serão abertas à comunidade como clube. O vendedor Fábio Souza não vê a hora da inauguração, principalmente, por causa da filha de nove anos. “Minha filha está louca para inaugurar logo, ela quer fazer natação”, conta.

Ainda não há previsão de inauguração para outras sete vilas olímpicas: de Brazlândia, de Ceilândia, do Gama, de Planaltina, do Recanto das Emas, do Riacho Fundo e de Santa Maria. A Secretaria de Esportes garante que em todas as vilas pelo menos 70% da obra está pronta. Mas os moradores reclamam da lentidão. “Está lento demais esse serviço. Acho que agora em dezembro não tem como inugurar”, afirma o segurnaça Fernando Pessoa. A ONG Eu Acredito vai administrar a Vila Olímpica de São Sebastião. A do Parque da Vaquejada, em Ceilândia, vai ficar com o Centro de Treinamento de Educação Física Especial. As duas vão receber R$ 300 mil por mês da Secretaria.

Acompanhe a reportagem
R$ 300 mil por mês, vamos ficar de olho!

Reportagem exibida no DFTV 1ª Edição em 06 de novembro de 2010.
 
Luisa Doyle / Luiz Quilião

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Os Feras do Baile São PUNKS!



Para início de conversa, vamos fixar o conceito de underground.
Consultemos, digamos, o dicionário de inglês–português da enciclopédia britânica brasileira Barsa e eis:
Underground. I s. subsolo; subterrâneo; ferrovia subterrânea, (ing.) metrô (abrev. de u.railway; (polít.) organização secreta (esp. de resistência a invasor, ger. Acompanhado de the). II. Subterrâneo, secreto, oculto.

Under quer dizer sob, abaixo.
Ground quer dizer chão, solo.

Então acho que já temos subsídios suficientes para definir o nosso conceito de underground. O underground é algo que está abaixo do solo, escondido nos subterrâneos, ou melhor, abaixo da superfície.
Transferindo isso para o mundo musical e fonográfico, podemos deduzir que o que está na superfície, então, é a chamada música pop, a música aprovada pelas grandes gravadoras e acatada (não por um preço baixo) pelas rádios. A música produzida com muita grana. A música produzida por muita gente. A música produzida pra muita gente.

Por conseqüência, o underground é uma música alternativa, uma música produzida pelos meios próprios, divulgada por meios igualmente próprios, sem muitos recursos. Uma música que não é aprovada pelas grandes gravadoras nem tampouco acatada pelas grandes rádios. O maior expoente do underground mundial chamou-se movimento punk. Surgido no final da década de 70, o movimento punk protagonizou uma verdadeira revolução no mundo da música, pois os caras descobriram que não só músicos profissionais poderiam tocar instrumentos musicais e montar uma banda. A partir de bandas como the Clash e Sex Pistols, na inglaterra, e Ramones nos EUA, começaram a surgir muitas bandas independentes que não estavam nem aí pra mídia. Na falta do que fazer na nossa quebrada começamos a realizar um levantamento das bandas underground da cidade de São Sebastião, periferia de Brasília, Distrito Federal, onde, por acaso, moramos. E acabamos por descobrir que existe uma banda originária de Uruana, Minas Gerais que, migrando para Brasília, veio parar nesta humilde cidade, que a adotou de coração. É claro que estamos falando dos Feras do Baile!

Os Feras do Baile gravam, produzem e distribuem os seus próprios CDs. Para tanto, se beneficiam da pirataria, da distribuição gratuita, das regravações caseiras e dos CDs que passam de mãos em mãos.

O que isso lembra? O copyleft é claro.

Os Feras do Baile não tem dinheiro para pagar jabás, não tem acesso às grandes rádios e muito menos às grandes gravadoras mas se divulgam através das rádios comunitárias (leia-se piratas), de vizinhos chatos que ligam o som dos carros a toda altura tocando suas músicas, e da distribuição de CDs na porta dos shows. Nesse esquema, já produziram verdadeiros hinos punks como “Libera o Tóim”, “Carro de Playboy”, “Abre a Mala do Carrão” e a antológica “companheiro é companheiro, fé da puta é fé da puta”.

O que isso lembra? Mídia independente.

Os feras do Baile usam sempre os mesmos acordes, três ou quatro no máximo, com letras diretas e debochadas, sem floreios, performances esquizofrênicas e muita simplicidade.

O que isso lembra? (que Deus me perdoe...) lembra o movimento punk.

É o próprio do it yourself em ação.

***

A banda ainda continua com os mesmos ideais de trinta anos atrás. Com um trabalho totalmente independente, longe de aparecer em televisão, produz sua própria mídia. Grava os próprios CDs e DVD’s e mesmo assim tem um público grande e fiel. Um público, aliás, formado pelas classes menos favorecidas da sociedade, formada por pedreiros, jardineiros, operários, domésticas, caseiros, copeiros e tantos outros profissionais desse naipe que, morando em São Sebastião, serve diariamente à burguesia que habita os palacetes do Lago Sul, pedaço de terra mais caro do Brasil e que fica 25 km de nossa cidade, denotando de forma imbusbebável o abismo social que assola a sociedade brasileira, mas isso não vem ao caso agora.

O que importa é que o visual da banda é totalmente agressivo e contraditório aos padrões de beleza exigidos pela sociedade, pois uns caras feios daqueles não poderiam estar mesmo dentro do perfil de beleza exigidos pela mídia e pela sociedade.

As músicas são formadas por acordes simples, com a bateria sempre no mesmo ritmo e feitas em cima dos três velhos acordes que os punks usavam naqueles tempos, com a diferença de que agora os sintetizadores tocam metade da música. Com pouca ou nenhuma formação musical eles mesmo assim conseguem agradar a todo mundo com seu ritmo “contagiante”. Enfim, eles são ou não são punks, são ou não são os legítimos undergrounds?

Então só me resta concluir que O Feras do Baile são os legítimos representantes do UNDERGROUND em São Sebastião e quiçá no Distrito Federal. Talvez só encontrem comparativo na banda Móveis Coloniais de Acaju, que também é uma banda idenpendente muito bem sucedida.

Contagiando no forró? Eles estão mesmo é contagiando no Underground.

Por Devana Baboo e Chyko Batera

Para quem nunca viu os "caras", vejam aí:


Disponível em : Recanto das Letras

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Rua da Ponte continua sem sinalização

Via foi mostrada pela Redação Móvel em setembro e até agora não recebeu melhorias prometidas. Os motoristas trafegam em alta velocidade, ignorando os riscos para eles e para os pedestres.

A via traz riscos tanto para pedestres quanto para motoristas. “O movimento aqui é terrível, às 18h o movimento é muito grande e não tem faixa de pedestre, não tem quebra-molas, não tem sinal, não tem placa e nem acostamento”, relata o comerciante Severino Pereira. A Redação Móvel mostrou o problema no dia 28 de setembro, poucos dias depois de um carro invadir uma loja devido à falta de sinalização. Na época, a administração de São Sebastião e o Detran se comprometeram a melhorar as condições da via.
 
A administração de São Sebastião informou que não cumpriu o prazo por que depende da Novacap para fazer quebra-molas e que fez a solicitação quando a primeira reportagem foi veiculada. A assessoria de imprensa da Novacap informou que a administração só fez o pedido de um quebra-molas hoje. O Detran informou que só pode sinalizar a pista depois que os quebra-molas forem construídos.

Acompanhe a reportagem

Kenzô Machida / Juarez Dornelles
Reportagem exibida no DFTV 1ª Edição em 04 de novembro de 2010

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

X Semana de Extensão da UNB no CEPSS


A Semana de Extensão é um expoente movimento de divulgação da UnB e da Extensão Universitária que se dá mediante uma programação gratuita e aberta ao público, especialmente aos universitários e estudantes do ensino básico das redes pública e privada.

A X SEMEX Brasília 50 Anos-DiverCidades "representa o resultado de uma grande construção coletiva e reafirma perante a sociedade, o compromisso da Universidade em protagonizar ações para a promoção e a garantia dos valores democráticos, da igualdade e do desenvolvimento social". Clique aqui e leia mais sobre o histórico da SEMEX.

CEPSS será palco de algumas atividades da X SEMEX

Com o objetivo de fortalecer ainda mais as experiências e a troca de saberes entre a comunidade acadêmica e a população em geral, o Centro de Educação Popular receberá em sua sede as seguintes oficinas nas respectivas datas e horários:

1- Oficina de Mosaico
Data: 10/11
Horário: 14 às 17h

2- Cinema Alternativo
Data: 10/11
Horário: 08 às 12h

3-Oficina de miçangas
Data: 11/11
Horário: 14 às 17h

4- Massagem Anti- stress
Data: 12/11
Horário: 14 às 17h

Os interessados devem comparecer à secretaria do CEPSS (Quadra 29 Lote 21C, Bairro São José) ou entrar em contato pelo telefone 3339-7460 para confirmar a participação nas oficinas. Participem! Vagas limitadas!

GDF não cumpre promessa de construir 280 km de ciclovia

As ciclovias prometidas para o fim do ano, ficaram só no papel. A promessa foi feita há 40 dias e as obras nem começaram. O Distrito Federal tem 42 km de ciclovia construídos e outros 68 km em obras. Em São Sebastião, o projeto inicial tinha ciclovia dentro da cidade até a saída par ao Trevo de Unaí. Hoje só vai até o bairro Morro Azul
A promessa foi feita no dia 22 de setembro pelo governador Rogério Rosso, que prometeu investir R$ 54 milhões em 280 quilômetros de ciclovias até o fim do mandato. Mas, se foi um incentivo para quem queria trocar o carro pela bicicleta, não funcionou. Quase 40 dias depois, nada de obra.  “O tempo está acabando, o governo está se encerrando. Na próxima semana entra o governo de transição e as prioridades são outras e a gente fica na expectativa”, afirma o presidente da ONG Rodas da Paz, Ronaldo Alves.

O governo não concluiu nem as ciclovias que já estavam em construção, como as de Ceilândia, Santa Maria e Recanto das Emas. Em muitas cidades, os ciclistas ainda esperam para poder pedalar com tranquilidade. Em São Sebastião, a ciclovia começa no fim da cidade.  “A gente anda de bicicleta na pista junto com os carros, aí corre perigo de ser atropelado a qualquer hora. Eu já fui atropelado uma vez”, conta o estudante Weslei Oliveira.

A pista segue por 12 km e é considerada a melhor do DF, mas ao longo da via o ciclista tem que parar várias vezes e a ciclovia termina no meio do nada. Ela liga São Sebastião a lugar nenhum. A pista acaba em frente a um condomínio, na estrada que segue para o Paranoá. Para seguir para o Lago Sul, os ciclistas pegam as ciclo faixas, que ficam no acostamento e onde enfrentam velhos problemas. “Tem carros que passam bem perto, tirando o fino da gente, tem momentos que o motorista tem que ir com cuidado”, disse o jornaleiro Marcos Jesus.

O jardineiro Anilson José Dias que trabalha no Lago Sul e mora em São Sebastião sonha com o dia em que vai fazer todo o trajeto na ciclovia. “Bom para o trabalhador e pra quem quer fazer caminhada pela manhã. A passagem do ônibus é cara e a ciclovia ajuda muito. Eu já fui atropelado e o motorista fugiu”, conta. A Novacap, que responsável pelas obras, informou que não vai comentar sobre o assunto porque os recursos anunciados pelo governador não foram remanejados para as ciclovias.

Acompanhe a reportagem:

Renata Feldman / Luis Ródnei

Reportagem exibida no DFTV 1ª Edição em 03/11/2010