Projeto de habitação que deveria ser modelo não foi entregue. Dos 15 condomínios previstos, apenas um está pronto. São 400 apartamentos, mas ninguém recebeu a chave de casa.
Localizado a 15 minutos do Plano Piloto, o Jardim Mangueiral é uma área cobiçada e as obras no local estão a todo vapor. O bairro, que fica perto de São Sebastião, foi a primeira parceria público privada no DF para programas de habitação.
As casas e apartamentos seriam destinados para a população de baixa renda, para pessoas que ganham até três salários mínimos, mas os planos mudaram. De acordo com a Companhia de Desenvolvimento Habitacional (Codhab), só é selecionado para ter um imóvel no Jardim Mangueiral quem ganha a partir de R$ 4 mil.
Um apartamento de dois dormitórios térreo custa R$ 89 mil. O valor está dentro do teto estabelecido para pessoas que ganham até três salários mínimos, mas o comprador tem que dar uma entrada de quase R$ 20 mil - dinheiro que uma pessoa que ganha R$ 1,5 mil por mês dificilmente teria como dar à vista.
Júnio Carvalho e Edilene Félix foram pré-selecionados pela Codhab para morar no Jardim Mangueiral. O casal já morou no DF, mas o valor do aluguel de uma casa para eles e os dois filhos subiu muito além do orçamento e obrigou a mudança para a Cidade Ocidental. “Morar lá no DF é caro, para você morar bem é caro. Aqui é longe, mas a gente mora confortável, numa casa de três quartos, a gente mora bem aqui”, conta a dona de casa.
Uma pesquisa feita pelo Sindicato das Imobiliárias em parceria com a Universidade de Brasília mostra que o valor médio do aluguel de um apartamento de três quartos no Guará é de R$ 1,6 mil. No Cruzeiro, onde Júnio e Edilene chegaram a morar, o preço do aluguel é de R$ 1,2 mil.
“Eu sempre tive o sonho de comprar uma casa lá em Brasília, mas vejo o Mangueiral agora como uma oportunidade: um imóvel com preço mais em conta que daria para gente comprar na atualidade”, afirma Júnio.
Mesmo com vantagens aparentes, todo cuidado é pouco na hora do financiamento. Os bancos aceitam um comprometimento de até 30% da renda familiar para a compra da casa própria, mas o economista Roberto Piscitelli alerta para o risco de endividamento, principalmente quando se fala em longo prazo e pra população de baixa renda.
“É preciso considerar que além desses 30% há muitas outras despesas fixas difíceis de comprimir e que comprometem uma outra parte do orçamento doméstico. Eu acho que se deveria comprometer algo entre 15% e 20% no máximo da renda familiar”, recomenda.
Sobre o Jardim Mangueiral, a Codhab informou que nenhum apartamento foi entregue porque uma força tarefa teve que revisar todos os contratos, pois havia suspeita de favorecimento para alguns contemplados. O trabalho terminou e foi publicada nesta quinta-feira (02) no Diário Oficial a lista dos 400 contemplados, que terão 30 dias para reapresentar documentos.
Amanhã, na última reportagem da série, o repórter Fred Ferreira conversa com especialistas que apontam soluções para o problema da habitação no DF.
Acompanhe a reportagem
Reportagem exibida no dia 02 de dezembro de 2010 no DFTV 1ª Edição
isso e um abuso onde a pessoa de baixa renda vai ter 20 mil.reais para dar entreda sendo que quem tem filhos e paga aluguel vai ter dinheiro pra dar entrada
ResponderExcluirisso e um abuso onde a pessoa de baixa renda vai ter 20 mil.reais para dar entreda sendo que quem tem filhos e paga aluguel vai ter dinheiro pra dar entrada
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