Para acabar com a poluição visual causada pelo excesso de publicidade e deixar a cidade mais bonita, sete paradas de ônibus de São Sebastião já foram revitalizadas. Artistas locais foram convidados para caprichar na criatividade e presentear os moradores com pinturas sobre temas comunitários. Paz, coragem, esporte, mulheres e até desperdício de água foram temas que inspiraram as obras de arte popular.
A iniciativa faz parte do projeto A administração está nas paradas, realizado desde março pela administração regional. A ideia é aplicar a técnica em todas as 50 paradas de ônibus até a metade de 2010. Na última sexta-feira, a cidade ganhou uma obra do artista plástico Raimundo Rogério Araújo. Ele prestou uma homenagem à terceira idade, levando à parede de concreto cenas comuns do cotidiano dessa faixa etária, como uma senhora bordando e outra lendo.
“Procurei na cidade um ponto que poderia me lembrar deles e nada melhor do que em frente à praça (próxima à administração)”, explicou Rogério, ao afirmar que a oportunidade foi uma das melhores coisas que aconteceram em sua vida ultimamente. “Há muito tempo queria divulgar minha arte e não conseguia”, comentou. A operadora de caixa Silvanice Ribeiro, 19 anos, aprovou o novo colorido na cidade. “Além se ser uma expressão cultural, melhora a paisagem ao nosso redor.”
O auxiliar de cozinha DiogoWeber de Souza, 21, e a dona de casa Neuzete de Paula Silveira, 49, perceberam que as pinturas induzem a maior respeito às paradas de ônibus. Elas estão livres de cartazes e pichação desde março. “Acredito que até os pichadores acharam bonito”, alfinetou Neuzete. Ao lado dos filhos pequenos, a telefonista Helenice dos Santos, 21, destacou que o ambiente ficou melhor até para receber as crianças.
As paradas de ônibus de têm um histórico de depredação e colocação indevida de cartazes publicitários. Para evitar que as novas pinturas sejam cobertas por esse tipo de material,foram colocados ao lado de cada abrigo revitalizado os chamados pirulitos, próprios para a colagem de panfletos. A administração regional tem utilizado as inaugurações das pinturas para se aproximar da comunidade. Com direito a café da manhã e música ao vivo, as celebrações têm servido para os moradores expressarem suas necessidades, por meio de sugestões e reclamações.
Os eventos ocorrem durante a semana, a partir das 5h30, horário em que boa parte dos moradores sai da cidade rumo aos empregos na área central de Brasília. "São Sebastião é uma cidade-dormitório. As pessoas deixam suas casas pela manhã e só voltam no fim do dia, portanto, não têm tempo para vir à administração falar conosco", analisa o administrador, AlanValim. As principais reivindicações dizem respeito a segurança, asfalto, transporte, saúde, colocação de faixas de pedestre, sinalização no trânsito e educação.
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
Cras atenderá mil famílias por mês em São Sebastião
Aberto à população nesta terça-feira (21), Centro de Referência em Assistência Social conta com duas psicólogas, três assistentes sociais, uma coordenadora e três agentes sociais. A estrutura é composta por salão de recepção, salas de acolhimento, coordenação e reuniões e conta com total acessibilidade para pessoas com deficiência. Letícia Rodrigues dos Santos comemorou: "Agora vai ficar melhor"
Mais um Centro de Referência em Assistência Social (Cras) foi inaugurado nesta terça-feira (21), desta vez em São Sebastião. A instituição conta com duas psicólogas, três assistentes sociais, uma coordenadora e três agentes sociais. A estrutura, composta por salão de recepção, salas de acolhimento, coordenação e reuniões, foi construída com total acessibilidade para pessoas com deficiência. Além disso, possibilitará o atendimento de mil famílias por mês.
Os moradores de São Sebastião já recebiam atendimento em uma pequena sala cedida pela Administração Regional em 2006 e também por meio do Cras do Paranoá. É o caso de Letícia Rodrigues dos Santos, beneficiada pelo projeto Mãezinhas Brasilienses, que é destinado às mães e mulheres grávidas. “Eu faço parte do programa há aproximadamente um ano e tive ajuda de R$ 200. Também participei de várias palestras, que me ajudaram muito”, afirma Letícia. “Aprendi os meus direitos e os deveres que eu não conhecia. Agora, com o novo Cras vai ficar melhor.”
A diretora de proteção social básica, Sienia Vaz da Costa, conta que, por meio do Cras, é possível receber atendimento em diversas áreas. “A equipe trabalha com famílias que possuem algum tipo de vulnerabilidade, oferecendo assistência social referente a problemas socioeconômicos e psicológicos, além de permitir o acesso aos programas de transferência de renda.”
Atualmente, 4,9 mil famílias da cidade são beneficiadas com os programas Cartão Vida Melhor, Bolsa Social, Bolsa Escola, Pão e Leite, Cesta Verde, Vou à Luta, entre outros. O evento foi finalizado com distribuição de brinquedos e a presença do Papai Noel. De acordo com a assessoria da Secretaria de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda (Sedest), o investimento para a construção do novo centro foi de aproximadamente R$ 450 mil.
Além do Cras de São Sebastião, mais um Cras e um Centro de Orientação Socioeducativa (Cose ) estão sendo construídos na cidade Estrutural. Em oito meses, o Governo do Distrito Federal inaugurou centros em Sobradinho II, Riacho Fundo II, Itapoã, Arapoanga, Vila Buritis IV, Taguatinga, Ceilândia Sul e Gama Oeste.
da Agência Brasília
Mais um Centro de Referência em Assistência Social (Cras) foi inaugurado nesta terça-feira (21), desta vez em São Sebastião. A instituição conta com duas psicólogas, três assistentes sociais, uma coordenadora e três agentes sociais. A estrutura, composta por salão de recepção, salas de acolhimento, coordenação e reuniões, foi construída com total acessibilidade para pessoas com deficiência. Além disso, possibilitará o atendimento de mil famílias por mês.
Os moradores de São Sebastião já recebiam atendimento em uma pequena sala cedida pela Administração Regional em 2006 e também por meio do Cras do Paranoá. É o caso de Letícia Rodrigues dos Santos, beneficiada pelo projeto Mãezinhas Brasilienses, que é destinado às mães e mulheres grávidas. “Eu faço parte do programa há aproximadamente um ano e tive ajuda de R$ 200. Também participei de várias palestras, que me ajudaram muito”, afirma Letícia. “Aprendi os meus direitos e os deveres que eu não conhecia. Agora, com o novo Cras vai ficar melhor.”
A diretora de proteção social básica, Sienia Vaz da Costa, conta que, por meio do Cras, é possível receber atendimento em diversas áreas. “A equipe trabalha com famílias que possuem algum tipo de vulnerabilidade, oferecendo assistência social referente a problemas socioeconômicos e psicológicos, além de permitir o acesso aos programas de transferência de renda.”
Atualmente, 4,9 mil famílias da cidade são beneficiadas com os programas Cartão Vida Melhor, Bolsa Social, Bolsa Escola, Pão e Leite, Cesta Verde, Vou à Luta, entre outros. O evento foi finalizado com distribuição de brinquedos e a presença do Papai Noel. De acordo com a assessoria da Secretaria de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda (Sedest), o investimento para a construção do novo centro foi de aproximadamente R$ 450 mil.
Além do Cras de São Sebastião, mais um Cras e um Centro de Orientação Socioeducativa (Cose ) estão sendo construídos na cidade Estrutural. Em oito meses, o Governo do Distrito Federal inaugurou centros em Sobradinho II, Riacho Fundo II, Itapoã, Arapoanga, Vila Buritis IV, Taguatinga, Ceilândia Sul e Gama Oeste.
da Agência Brasília
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Moradores reclamam de esgoto a céu aberto em São Sebastião
As casas do Morro Azul não têm rede de esgoto e moradores convivem com mau cheiro e risco de doenças. Administração da cidade prometeu começar obra até dezembro e a Redação Móvel foi conferir.
O esgoto corre a céu aberto perto das casas do Morro Azul, em São Sebastião. “A gente convive com isso há mais de 15 anos. Corre a água da pia, do banheiro. A única água que não vai é a do vaso sanitário porque não tem como, mas o resto vai porque não tem outra alternativa”, conta uma moradora.
Em agosto, a Redação Móvel esteve no local e conversou com o administrador de São Sebastião, Alan Valim. Na época, a promessa foi de que as obras seriam iniciadas em, no máximo, 90 dias. Conforme prometido, as obras foram iniciadas e a rede de esgoto começou a ser implantada, mas o problema está longe de ser resolvido.
“Já tem algumas fossas, foram feitos barrancos na rua porque dentro dos lotes não tem como cavar”, revela a dona de casa Hosana Nascimento.
Segundo Alan Valim, há três anos a administração ainda não sabia se a área onde está sendo feita a obra continuaria a ser habitada. “Os problemas ambientais dificultam a ação governamental. O compromisso não foi cumprido totalmente, mas já está parcialmente cumprido. A primeira etapa já foi concluída, que é a rede interceptora”, explica.
“Nós estamos sofrendo com a água que desce quando chove. Nem carro consegue entrar na rua, até os ônibus passam com dificuldade. Eu queria saber por que não resolveram isso?”, questiona um morador.
De acordo com o administrador, esse problema é do Jardim Botânico III, que é uma obra da Terracap. “A rede e a drenagem pluvial serão concluídas, mas eu não posso garantir uma data porque já furei uma vez. Então, não vou correr esse risco novamente. Seria interessante que alguém da diretoria de Engenharia da Caesb firmasse esse compromisso”, completa.
A Caesb informou que já concluiu duas etapas da obra da rede de esgoto de São Sebastião e que falta apenas a tubulação das casas para o coletor principal, que deve demorar dois meses para ser concluída.
O esgoto corre a céu aberto perto das casas do Morro Azul, em São Sebastião. “A gente convive com isso há mais de 15 anos. Corre a água da pia, do banheiro. A única água que não vai é a do vaso sanitário porque não tem como, mas o resto vai porque não tem outra alternativa”, conta uma moradora.
Em agosto, a Redação Móvel esteve no local e conversou com o administrador de São Sebastião, Alan Valim. Na época, a promessa foi de que as obras seriam iniciadas em, no máximo, 90 dias. Conforme prometido, as obras foram iniciadas e a rede de esgoto começou a ser implantada, mas o problema está longe de ser resolvido.
“Já tem algumas fossas, foram feitos barrancos na rua porque dentro dos lotes não tem como cavar”, revela a dona de casa Hosana Nascimento.
Segundo Alan Valim, há três anos a administração ainda não sabia se a área onde está sendo feita a obra continuaria a ser habitada. “Os problemas ambientais dificultam a ação governamental. O compromisso não foi cumprido totalmente, mas já está parcialmente cumprido. A primeira etapa já foi concluída, que é a rede interceptora”, explica.
“Nós estamos sofrendo com a água que desce quando chove. Nem carro consegue entrar na rua, até os ônibus passam com dificuldade. Eu queria saber por que não resolveram isso?”, questiona um morador.
De acordo com o administrador, esse problema é do Jardim Botânico III, que é uma obra da Terracap. “A rede e a drenagem pluvial serão concluídas, mas eu não posso garantir uma data porque já furei uma vez. Então, não vou correr esse risco novamente. Seria interessante que alguém da diretoria de Engenharia da Caesb firmasse esse compromisso”, completa.
A Caesb informou que já concluiu duas etapas da obra da rede de esgoto de São Sebastião e que falta apenas a tubulação das casas para o coletor principal, que deve demorar dois meses para ser concluída.
Acompanhe a reportagem
domingo, 19 de dezembro de 2010
Por que os cães não vivem tanto quanto as pessoas?
“Sou veterinário, e fui chamado para examinar um cão da raça Wolfhound Irlandês, chamado Belker.
Os proprietários do animal, Ron, sua esposa Lisa, e seu garotinho Shane, eram todos muito ligados a Belker e esperavam por um milagre.
Examinei Belker e descobri que ele estava morrendo de câncer. Eu disse à família que não haveria milagres no caso de Belker, e me ofereci para proceder a eutanásia para o velho cão em sua casa.
Enquanto fazíamos os arranjos, Ron e Lisa me contaram que estavam pensando se não seria bom deixar que Shane, de quatro anos de idade, observasse o procedimento. Eles achavam que Shane poderia aprender algo da experiência.
No dia seguinte, eu senti o familiar “aperto na garganta” enquanto a família de Belker o rodeava. Shane, o menino, parecia tão calmo, acariciando o velho cão pela última vez, que eu imaginei se ele entendia o que estava se passando.
Dentro de poucos minutos, Belker foi-se, pacificamente. O garotinho parecia aceitar a transição de Belker, sem dificuldade ou confusão.
Nós nos sentamos juntos, um pouco após a morte de Belker, pensando alto sobre o triste fato da vida dos animais serem mais curtas que as dos seres humanos.
Shane, que tinha estado escutando silenciosamente, disse: "Eu sei porque."
Abismados, nós nos voltamos para ele. O que saiu de sua boca, me assombrou. Eu nunca ouvira uma explicação mais reconfortante.
Ele disse: - "As pessoas nascem para que possam aprender a ter uma boa vida, como amar todo mundo todo o tempo e ser bom, certo?"
o garoto de quatro anos continuou...
Bem, cães já nascem sabendo como fazer isto, portanto não precisam ficar por tanto tempo".
Os proprietários do animal, Ron, sua esposa Lisa, e seu garotinho Shane, eram todos muito ligados a Belker e esperavam por um milagre.
Examinei Belker e descobri que ele estava morrendo de câncer. Eu disse à família que não haveria milagres no caso de Belker, e me ofereci para proceder a eutanásia para o velho cão em sua casa.
Enquanto fazíamos os arranjos, Ron e Lisa me contaram que estavam pensando se não seria bom deixar que Shane, de quatro anos de idade, observasse o procedimento. Eles achavam que Shane poderia aprender algo da experiência.
No dia seguinte, eu senti o familiar “aperto na garganta” enquanto a família de Belker o rodeava. Shane, o menino, parecia tão calmo, acariciando o velho cão pela última vez, que eu imaginei se ele entendia o que estava se passando.
Dentro de poucos minutos, Belker foi-se, pacificamente. O garotinho parecia aceitar a transição de Belker, sem dificuldade ou confusão.
Nós nos sentamos juntos, um pouco após a morte de Belker, pensando alto sobre o triste fato da vida dos animais serem mais curtas que as dos seres humanos.
Shane, que tinha estado escutando silenciosamente, disse: "Eu sei porque."
Abismados, nós nos voltamos para ele. O que saiu de sua boca, me assombrou. Eu nunca ouvira uma explicação mais reconfortante.
Ele disse: - "As pessoas nascem para que possam aprender a ter uma boa vida, como amar todo mundo todo o tempo e ser bom, certo?"
o garoto de quatro anos continuou...
Bem, cães já nascem sabendo como fazer isto, portanto não precisam ficar por tanto tempo".
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
São Sebastião - ar de interior
Do alto do vale, os motoristas que descem a DF-463 podem ver os prédios e casas que se espalham lá embaixo, em meio ao verde característico da mata local. Ali se encontra São Sebastião, uma cidade que já completa 17 anos, mas que tem raízes profundas e muitas histórias para contar. Os primeiros habitantes da região faziam parte de três grandes fazendas: Papuda, Cachoeirinha e Taboquinha. Após as desapropriações dos terrenos, várias olarias se espalharam e tomaram corpo com o intuito de fornecer material de construção para a capital federal, que começava a sair do papel.
O coordenador de transportes Edvair Ribeiro dos Santos, 47 anos, chegou à região que viria a se tansformar São Sebastião em 1968, quando tinha apenas 6 anos. Ele se lembra de uma época em que não existia água encanada, luz ou telefone. Ônibus só chegou em 1977. Mesmo assim, em três horários pré-definidos e sem chance de reforço de frota. A cidade mais próxima era o Núcleo Bandeirante. E tinha gente acostumada a fazer o percurso de um ponto a outro a pé. “Cansei de ir até lá dessa maneira”, contou Edvair.
São Sebastião é um centro urbano com características peculiares. Ainda possui aspectos das pequenas cidades de interior, onde todos se conhecem e se cumprimentam pelas ruas. Mas também já conta com uma população mais urbana, que desconhece os hábitos dos homens do campo. Os bairros e nomes de ruas se revezam com as quadras e sua divisão numérica. As músicas de rap conquistaram boa parte do público jovem da cidade, embora os gostos sejam variados e exista quem prefira as modas de viola sertaneja ou os solos de guitarras do rock’n’roll.
Como a cidade se encontra no fundo de um vale, os moradores sofrem com temperaturas muito baixas ou muito altas. Cinco grandes olarias ainda resistem ao teste do tempo na região. Muitas com liminares que permitem seu funcionamento, apesar dos malefícios que trazem ao meio ambiente. A região também é rica em nascentes e possui seis mil propriedades rurais distribuídas por uma área de 48 mil hectares. A produção mais forte de São Sebastião é a de gado leiteiro. São 100 mil litros de leite produzidos diariamente. A região também é famosa pela produção de milho. Mas não deixa a dever em outros quesitos. Ali também há quem produza frutas, vegetais e hortaliças de todo tipo.
Uma cidade nova, que apresenta todos os problemas característicos de qualquer grande centro urbano, mas que também conta com uma população disposta a fazer de lá o local ideal para viver.
Vilas Olímpicas de São Sebastião e Ceilândia são inauguradas
Depois de sete meses de atrasos, Vilas Olímpicas de Ceilândia e São Sebastião finalmente vão ser inauguradas nesta quinta-feira (16). Em São Sebastião, a vila tem capacidade para quatro mil alunos.
As inscrições já estão abertas e podem ser feitas até sábado (20). Jovens com idades entre seis e 17 anos devem pegar os formulários nas escolas e ir até a Vila Olímpica para efetuar a inscrição. A vila só vai atender moradores de São Sebastião. Para pessoas com mais de 18 anos, a recomendação é ir diretamente na Vila Olímpica.
A vila conta com ginásio, quadras, três piscinas olímpicas e um campo de futebol com grama sintética. Ao todo, serão oferecidas 17 modalidades. De acordo com o secretário de Esportes, Herbert Felix, a Vila Olímpica de Ceilândia também será inaugurada hoje.
Ainda existem oito Vilas Olímpicas em fase de construção e elas deverão ser entregues no próximo governo. “Conhecemos bem nosso próximo governador, ele é um esportista, foi ministro do Esporte, então acredito que não vai deixar que um equipamento maravilhoso desse fora de suas obras”, afirmou o secretário.
De acordo com o secretário, o atraso na entrega das vilas, prevista para 2009, foi causado pela crise política que atingiu o GDF com a Operação Caixa de Pandora.
Confira o a reportagem abaixo
As inscrições já estão abertas e podem ser feitas até sábado (20). Jovens com idades entre seis e 17 anos devem pegar os formulários nas escolas e ir até a Vila Olímpica para efetuar a inscrição. A vila só vai atender moradores de São Sebastião. Para pessoas com mais de 18 anos, a recomendação é ir diretamente na Vila Olímpica.
A vila conta com ginásio, quadras, três piscinas olímpicas e um campo de futebol com grama sintética. Ao todo, serão oferecidas 17 modalidades. De acordo com o secretário de Esportes, Herbert Felix, a Vila Olímpica de Ceilândia também será inaugurada hoje.
Ainda existem oito Vilas Olímpicas em fase de construção e elas deverão ser entregues no próximo governo. “Conhecemos bem nosso próximo governador, ele é um esportista, foi ministro do Esporte, então acredito que não vai deixar que um equipamento maravilhoso desse fora de suas obras”, afirmou o secretário.
De acordo com o secretário, o atraso na entrega das vilas, prevista para 2009, foi causado pela crise política que atingiu o GDF com a Operação Caixa de Pandora.
Confira o a reportagem abaixo
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Circo Teatro Payassu
"Hoje tem espetáculo? Tem sim, senhor! E o palhaço, o que é? É ladrão de mulher".
Respeitável público de São Sebastião, o Circo Teatro Payassu orgulhosamente apresenta:
FICHA TÉCNICA:
Adapatação livre da peça "A BOMBA VERDE".
Texto original e Direção: Luciano Astiko.
Elenco: Diones Gomes da Silva, Eduardo Marucci, Isa Laranjeiras Fortes, Rafael Pestana.
Elenco convidado: Arthur Dourado, Arthur Marques, Paulo Henrique da Silva, Jéssica Santos, Wanderson Rodrigue.
Figurinos: Lurdinha Danezy.
Cenário: Marcelo Shamoshine.
Música: Leonardo Coutinho de Sousa (Kaju) e Luiz Gonzaga Costa Júnior (Junai).
Produção: Luciano Astiko e Amanda Ayres.
Produção Local: Diones Gomes da Silva e Eduardo Marucci.
Adereços: Eduardo Marucci de Meneses, Raqueil Piantino, Luciano Astiko, Lurdinha Danezy.
Arte final: Mangala Bloch.
Apoio: Academia ACM, Adm. Regional de São Sebastião-DF, Centro de Ensino São Francisco (Chicão)
Parceria Local: Resgate Circense e SuperNova.
Agradecimentos: André Fonseca, Andressa Faiad, Diana Bloch, Gabriel Cristian Alves Pereira, Leonardo Leal Ricardo, Rondinele Saraiva, Thaís Pdma, Virshna Cunha, Deuza, Esmeralda, Felipes.
NÃO PERCAM!!!
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Artesã de São Sebastião cria grupo que recolhe pneus velhos e faz pufes
A ideia está sendo muito bem recebida não só pela comunidade, como por muita gente que gostou da solução criativa. Mas há outro diferencial: dessa forma, elas também ajudam a combater os focos da dengue
Doações
Todo o material usado pelas mulheres de São Sebastião é doado. Vizinhos e comerciantes ajudam a reforçar o estoque do ateliê. Doam vidros, potes de leite, latas de tinta, entre outros objetos que iriam para o lixo. Nas mãos das artesãs, tudo vira bem de consumo. Prendedores velhos se transformam em ímãs de geladeira, pedaços de cano de PVC e rolo de fita-crepe em pulseiras coloridas, e assim vão surgindo as criações. Mas o principal artigo está em falta. “Não estamos mais encontrando pneus pelas ruas. Passamos a pedir nas borracharias da cidade. Mas agora, nem lá conseguimos mais. Esses dias, percorremos 10, mas sem sucesso”, lamenta Hozana.
Em contrapartida, a procura por pufes está de vento em popa. Cada unidade é vendida a R$15. As últimas 10 peças foram levadas por uma única cliente. “Fiquei sabendo da ideia e vim conhecer. Testei e achei os pufes bonitos e confortáveis. Esse trabalho de reaproveitar um produto que estava poluindo a natureza é maravilhoso”, elogia a fiscal de limpeza pública do GDF Sueli Brandão, 39 anos. As peças adquiridas por ela vão mobiliar outra ONG: o Instituto de Artes e Cultura de São Sebastião, onde Sueli é voluntária. A instituição dá aulas de música e dança para 42 adolescentes da comunidade.
Além de ser uma fonte de renda, o artesanato é para essa equipe uma atividade de lazer. “A gente se distrai, fica inventando, criando. Quando vê, já está pronto. Essa ideia do pneu tem sido muito elogiada. As pessoas chegam aqui e perguntam do que o pufe é feito, não acreditam que é de pneu”, relata Lúcia Souza Dias, 47 anos. Autodidata, ela começou a criar com 18 anos, quando ainda morava em Pedra Branca, cidade a menos de duas horas de Salvador (BA). “Nunca fiz curso, sempre usei a intuição.”
A adolescente Ingrid Louize Nascimento, 14 anos, sobrinha de Hozana, segue os passos das mulheres mais experientes e os exemplos de família. Assim que termina a aula, a jovem, que cursa a 7ª série, vai ao ateliê para ajudar as artesãs. “Desde pequena vejo minha mãe e minha tia fazendo atividades manuais. Com o artesanato, aprendi a respeitar mais a natureza, compromisso que muitos colegas de escola não têm. Pelo contrário, alguns jogam lixo no chão sem se preocupar com o meio ambiente. Já nós fazemos ao contrário”, afirma a jovem. Fica a lição.
Transmissor
Tem o nome popular de mosquito da dengue, pois é o vetor da doença. O inseto é adaptado a zonas urbanas e precisa de uma pequena quantidade de água para se reproduzir. Por isso, sua proliferação se dá especialmente na época de chuva. Seus ovos são bastante resistentes, podendo sobreviver vários meses até a chegada da água, que propicia a incubação.
PASSO A PASSO
Material:
Pneu aro 14
» 4 pedaços de malha (de preferência com helanca) de 4m de comprimento e 25cm de largura
Como fazer:
» Cada parte de malha embrulha 1/4 do pneu
» Ao embrulhar, estique bem o tecido
» Cubra um lado do pneu e dê dois nós no tecido
» O laço precisa ser forte para não correr o risco de desatar
» Repita o procedimento com os três pedaços restantes, cobrindo as partes do pneu ainda visíveis
CONHEÇA
Interessados em colaborar nesse trabalho podem ligar para Hozana: 9124-9895. Ela também está disponível para esclarecer dúvidas sobre a forma de fazer pufes.
Criatividade e disposição não faltam para a artesã Hozana Alves do Nascimento, 38 anos. A moradora de São Sebastião consegue ver utilidade em coisas desprezadas pela maioria das pessoas. Em seu ateliê improvisado, produtos que iriam para o lixo ganham cor e finalidade. A última ideia da artista, além de ser ecológica, tem ajudado a incrementar a renda de mulheres da região. Preocupada com os casos de dengue na cidade, ela decidiu recolher os pneus velhos das ruas, que servem de criadouros para o mosquito Aedes aegypti, e transformá-los em pufes. Em três meses, Hozana e as companheiras de trabalho produziram mais de 30 peças. E a demanda tem aumentado a cada dia.
Tudo começou quando a artesã assistiu a um programa de TV que ensinou como fazer os pufes de pneu. O processo de transformação é simples. “Só requer um pouco de força nos braços”, avisa a expertise. O objeto de borracha é embrulhado com quatro pedaços de malha e logo ganha cara de assento. Em menos de 10 minutos é possível conferir o resultado final: um pufe colorido e confortável. “Nós queremos conscientizar as pessoas da importância de não deixar os pneus jogados e mostrar que temos uma solução para eles. A cidade de São Sebastião já foi um grande foco da doença. Queremos manter o mosquito longe”, afirma Hozana.
Também artesã, Maria Alves de Carvalho, 47 anos, irmã de Hozana, ajuda no trabalho e elogia a iniciativa. “Tirar os pneus das ruas foi uma ideia maravilhosa. A dengue é uma doença que eu não desejo para meu pior inimigo, que eu não tenho”, conta, com a alegria de quem está curada. Em setembro passado, Maria contraiu a doença. Os sintomas surgiram durante uma viagem que ela fez ao Ceará, em vista à família. “Passei duas semanas com febre, dor de cabeça e enjoo. Tive que tomar muito líquido e ficar de repouso. Foi terrível.”
Além de Hozana e Maria, outras seis artesãs participam do trabalho de transformação de produtos. Em 2005, as mulheres se juntaram para criar a Casa de Cultura e Educação Permanente de São Sebastião. O objetivo inicial da organização não governamental (ONG) era dar aulas de reforço para crianças carentes da região. “O trabalho foi ganhando dimensão, mas não demos mais conta de pagar o aluguel do imóvel”, explica Hozana. As contas de água e luz também eram rateadas entre o grupo.
A loja onde hoje funciona o ateliê é emprestada de um comerciante local. “O espaço aqui é limitado para desenvolver as atividades sociais. Então, resolvemos concentrar os esforços no artesanato para juntar recursos e complementar a renda. Neste ano, vamos apresentar nossos projetos para conseguir apoio e retomar a atividade com as crianças”, destaca.
Doações
Todo o material usado pelas mulheres de São Sebastião é doado. Vizinhos e comerciantes ajudam a reforçar o estoque do ateliê. Doam vidros, potes de leite, latas de tinta, entre outros objetos que iriam para o lixo. Nas mãos das artesãs, tudo vira bem de consumo. Prendedores velhos se transformam em ímãs de geladeira, pedaços de cano de PVC e rolo de fita-crepe em pulseiras coloridas, e assim vão surgindo as criações. Mas o principal artigo está em falta. “Não estamos mais encontrando pneus pelas ruas. Passamos a pedir nas borracharias da cidade. Mas agora, nem lá conseguimos mais. Esses dias, percorremos 10, mas sem sucesso”, lamenta Hozana.
Em contrapartida, a procura por pufes está de vento em popa. Cada unidade é vendida a R$15. As últimas 10 peças foram levadas por uma única cliente. “Fiquei sabendo da ideia e vim conhecer. Testei e achei os pufes bonitos e confortáveis. Esse trabalho de reaproveitar um produto que estava poluindo a natureza é maravilhoso”, elogia a fiscal de limpeza pública do GDF Sueli Brandão, 39 anos. As peças adquiridas por ela vão mobiliar outra ONG: o Instituto de Artes e Cultura de São Sebastião, onde Sueli é voluntária. A instituição dá aulas de música e dança para 42 adolescentes da comunidade.
Além de ser uma fonte de renda, o artesanato é para essa equipe uma atividade de lazer. “A gente se distrai, fica inventando, criando. Quando vê, já está pronto. Essa ideia do pneu tem sido muito elogiada. As pessoas chegam aqui e perguntam do que o pufe é feito, não acreditam que é de pneu”, relata Lúcia Souza Dias, 47 anos. Autodidata, ela começou a criar com 18 anos, quando ainda morava em Pedra Branca, cidade a menos de duas horas de Salvador (BA). “Nunca fiz curso, sempre usei a intuição.”
A adolescente Ingrid Louize Nascimento, 14 anos, sobrinha de Hozana, segue os passos das mulheres mais experientes e os exemplos de família. Assim que termina a aula, a jovem, que cursa a 7ª série, vai ao ateliê para ajudar as artesãs. “Desde pequena vejo minha mãe e minha tia fazendo atividades manuais. Com o artesanato, aprendi a respeitar mais a natureza, compromisso que muitos colegas de escola não têm. Pelo contrário, alguns jogam lixo no chão sem se preocupar com o meio ambiente. Já nós fazemos ao contrário”, afirma a jovem. Fica a lição.
Transmissor
Tem o nome popular de mosquito da dengue, pois é o vetor da doença. O inseto é adaptado a zonas urbanas e precisa de uma pequena quantidade de água para se reproduzir. Por isso, sua proliferação se dá especialmente na época de chuva. Seus ovos são bastante resistentes, podendo sobreviver vários meses até a chegada da água, que propicia a incubação.
PASSO A PASSO
Material:
Pneu aro 14
» 4 pedaços de malha (de preferência com helanca) de 4m de comprimento e 25cm de largura
Como fazer:
» Cada parte de malha embrulha 1/4 do pneu
» Ao embrulhar, estique bem o tecido
» Cubra um lado do pneu e dê dois nós no tecido
» O laço precisa ser forte para não correr o risco de desatar
» Repita o procedimento com os três pedaços restantes, cobrindo as partes do pneu ainda visíveis
CONHEÇA
Interessados em colaborar nesse trabalho podem ligar para Hozana: 9124-9895. Ela também está disponível para esclarecer dúvidas sobre a forma de fazer pufes.
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Vila Olímpica será inaugurada
Abertura oficial está marcada para a próxima quinta-feira (16), às 10h, e contará com a presença do governador do Distrito Federal, Rogério Rosso, e da vice-governadora, Ivelise Longhi.
Os moradores de São Sebastião já podem comemorar a inauguração da Vila Olímpica local. Quatro mil vagas, em 17 modalidades esportivas, serão colocadas à disposição dos alunos da rede pública de ensino da cidade. A abertura oficial está marcada para a próxima quinta-feira (16), às 10h, e contará com a presença do governador do Distrito Federal, Rogério Rosso, e da vice-governadora, Ivelise Longhi.
A conclusão da obra e a entrega das vilas olímpicas do DF foram consideradas prioridades pelo Comitê de Acompanhamento de Obras, coordenado pela vice-governadora Ivelise Longhi. No último dia 10 de novembro, Ivelise conheceu as instalações de São Sebastião e avaliou positivamente a estrutura. “Esse é um projeto social muito importante e que recebeu atenção especial do governo, porque ao mesmo tempo em que oferece uma atividade extra para as crianças e adolescentes, a vila também é uma opção de lazer para as famílias”, explicou a vice-governadora.
Para colocar as vilas olímpicas em funcionamento, o GDF repassou recursos para que a organização social escolhida garanta o bom funcionamento de todas as atividades. O repasse será acompanhado pelo Tribunal de Contas e pelo Ministério Público do Distrito Federal.
Inscrições na segunda-feira
As inscrições começarão na próxima segunda-feira (13). As fichas de inscrição estarão disponíveis em todas as escolas da regional e deverão ser entregues preenchidas na própria Vila Olímpica. Para evitar tumultos, a escolha dos estudantes se dará por etapas de faixa etária e por meio de sorteio. Inicialmente, serão sorteados mil alunos de 8 a 12 anos de idade.
No espaço, serão oferecidas várias atividades de esporte e lazer: atletismo, basquete, capoeira, dança, escalada, futebol, futsal, futevôlei, ginástica localizada, handebol, hidroginástica, musculação, natação, tênis de mesa, voleibol, vôlei de praia e xadrez. Os 30 mil metros quadrados da unidade abrigam ginásio multiuso coberto, campo de futebol de grama sintética, duas quadras poliesportivas, pista de atletismo, três piscinas, parede de escalada, quadra de areia e quadra de tênis.
Em janeiro, já está programado para o local um festival de esportes para garantir a alegria da garotada durante as férias. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone da assessoria de imprensa: (61) 9982-6694.
São Sebastião ganha ponto de cultura
Valorizar a cultura a frodescendente , fortalecer a cidadania, a educação e o desenvolvimento humano são os objetivos do Instituto Cultural Congo Nya, uma Organização Não-Governamental que desenvolve projetos nas áreas de educação, artes, esporte e cultura voltados, principalmente, para a comunidade de São Sebastião (DF).
Fundado em 2003, o instituto oferece aos moradores da cidade aulas de percussão, corte e costura, dança, teatro, reforço escolar, entre outros. Tudo envolto num cenário cultural africano.
O trabalho é feito por um grupo de quatro pessoas e conta com o auxílio de cerca de oito voluntários. Reconhecido pelo Ministério da Cultura, no dia 29 de setembro de 2009, o Instituto Congo Nya se tornou um ponto de cultura.
Entretanto, o reconhecimento não resultou em melhorias para a instituição. Os responsáveis pelo Congo Nya lamentam a falta de recursos. “É difícil manter a ONG funcionando. Ela é sustentada por pessoas carentes. Sem ajuda fica difícil pagar as contas básicas, de telefone e água, por exemplo. Precisamos de contador, de mais voluntários, de pessoas que nos ajudem a pagar as contas”, diz Margot Ribeiro, uma das fundadoras do instituto.
Ela explica que quando uma ONG se torna ponto de cultura, o Ministério da Cultura passa a destinar uma verba para os trabalhos promovidos pela instituição. Mas, segundo Margot, eles ainda não podem usar esses recursos. “Estão corrigindo uma falhas na legislação para liberar a verba”, esclarece.
O Ministério da Cultura explica que o atraso no pagamento é decorrente da legislação eleitoral e do atual contingenciamento, mas garante que o pagamento será normalizado no próximo mês.
Diversidade
Enquanto a situação não se resolve, o Congo Nya é sustentado pela boa vontade de alguns voluntários e pelas poucas apresentações que os grupos de arte do local fazem pela cidade.
Na tarde de ontem, o projeto Mais Educação, do Ministério da Educação, em parceria com o Centro de Ensino Médio 01 (CEE) de São Sebastião, e com o Instituto Congo Nya promoveu o dia da Consciência Negra. Com o objetivo de valorizar a cultura africana e extinguir o preconceito, alunos se vestiram com roupas típicas de paises africanos e desfilaram na passarela improvisada no pátio do colégio.
“Esse evento vai fazer com que eles tenham um contato maior com a cultural africana. Assim eles saberão que é importante se conscientizar sobre a diversidade e respeitar a todos”, afirma a vice-diretora do CEE, Rosângela Toledo.
Vestidos com roupas confeccionadas pelo Congo Nya, 22 adolescentes, entre meninos e meninas, se caracterizaram e desfilaram representando os povos da África. “É um projeto que visa valorizar e fazer com que as pessoas conheçam a cultura da África e respeitem o povo. O negro é marginalizado, é visto como bandido. É uma questão de educação”, diz o presidente da ONG, Siherwin Morries.
Saibda Mais
Ponto de Cultura são entidades reconhecidas e apoiadas financeira e institucionalmente pelo Ministério da Cultura, que desenvolvem ações de impacto sociocultural em suas comunidades.
Em abril de 2010, eram 2,5 mil pontos de cultura em 1.122 cidades brasileiras. Quando firma convênio com o MinC, a instituição recebe R$ 185 mil, em cinco parcelas semestrais.
Para contribuir com o Congo Nya o e-mail é congonya_iccn@yahoo.com.br.
Fundado em 2003, o instituto oferece aos moradores da cidade aulas de percussão, corte e costura, dança, teatro, reforço escolar, entre outros. Tudo envolto num cenário cultural africano.
O trabalho é feito por um grupo de quatro pessoas e conta com o auxílio de cerca de oito voluntários. Reconhecido pelo Ministério da Cultura, no dia 29 de setembro de 2009, o Instituto Congo Nya se tornou um ponto de cultura.
Entretanto, o reconhecimento não resultou em melhorias para a instituição. Os responsáveis pelo Congo Nya lamentam a falta de recursos. “É difícil manter a ONG funcionando. Ela é sustentada por pessoas carentes. Sem ajuda fica difícil pagar as contas básicas, de telefone e água, por exemplo. Precisamos de contador, de mais voluntários, de pessoas que nos ajudem a pagar as contas”, diz Margot Ribeiro, uma das fundadoras do instituto.
Ela explica que quando uma ONG se torna ponto de cultura, o Ministério da Cultura passa a destinar uma verba para os trabalhos promovidos pela instituição. Mas, segundo Margot, eles ainda não podem usar esses recursos. “Estão corrigindo uma falhas na legislação para liberar a verba”, esclarece.
O Ministério da Cultura explica que o atraso no pagamento é decorrente da legislação eleitoral e do atual contingenciamento, mas garante que o pagamento será normalizado no próximo mês.
Diversidade
Enquanto a situação não se resolve, o Congo Nya é sustentado pela boa vontade de alguns voluntários e pelas poucas apresentações que os grupos de arte do local fazem pela cidade.
Na tarde de ontem, o projeto Mais Educação, do Ministério da Educação, em parceria com o Centro de Ensino Médio 01 (CEE) de São Sebastião, e com o Instituto Congo Nya promoveu o dia da Consciência Negra. Com o objetivo de valorizar a cultura africana e extinguir o preconceito, alunos se vestiram com roupas típicas de paises africanos e desfilaram na passarela improvisada no pátio do colégio.
“Esse evento vai fazer com que eles tenham um contato maior com a cultural africana. Assim eles saberão que é importante se conscientizar sobre a diversidade e respeitar a todos”, afirma a vice-diretora do CEE, Rosângela Toledo.
Vestidos com roupas confeccionadas pelo Congo Nya, 22 adolescentes, entre meninos e meninas, se caracterizaram e desfilaram representando os povos da África. “É um projeto que visa valorizar e fazer com que as pessoas conheçam a cultura da África e respeitem o povo. O negro é marginalizado, é visto como bandido. É uma questão de educação”, diz o presidente da ONG, Siherwin Morries.
Saibda Mais
Ponto de Cultura são entidades reconhecidas e apoiadas financeira e institucionalmente pelo Ministério da Cultura, que desenvolvem ações de impacto sociocultural em suas comunidades.
Em abril de 2010, eram 2,5 mil pontos de cultura em 1.122 cidades brasileiras. Quando firma convênio com o MinC, a instituição recebe R$ 185 mil, em cinco parcelas semestrais.
Para contribuir com o Congo Nya o e-mail é congonya_iccn@yahoo.com.br.
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Domingo tem “Hip Hop Solidário” em São Sebastião
No próximo Domingo (12) tem Diga How, Ede C – Anormadores, Atitude Feminina e muito mais no “Hip Hop Solidário,” evento direcionado às crianças atendidas pela Brinquedoteca Ludocriarte.
Leve um brinquedo em bom estado, ele será revertido aos pupilos após a Celebração.
Pode chegar junto, e Diga How pras crianças!
Serviço: Hip Hop Solidário
Data: 12/12/2010
Local: Aquarios Bar, São Sebastião – Df
Hora: 12:00
Entrada: Um brinquedo em bom estado
Classificação: Livre
Leve um brinquedo em bom estado, ele será revertido aos pupilos após a Celebração.
Pode chegar junto, e Diga How pras crianças!
Serviço: Hip Hop Solidário
Data: 12/12/2010
Local: Aquarios Bar, São Sebastião – Df
Hora: 12:00
Entrada: Um brinquedo em bom estado
Classificação: Livre
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Rede de solidariedade
Olimpíada internacional promovida por uma ONG de incentivo à educação seleciona o Projeto Garatuja, criado e desenvolvido em São Sebastião por uma bailarina voluntária, como beneficiário deste ano. Com isso, futuras bailarinas terão condições de investir em sua carreira.
Quando a música começa, o silêncio toma conta do galpão construído sobre piso de cimento. As risadas são substituídas pela concentração e pela seriedade, para mais um ensaio da turma de balé clássico. Rapidamente, as 20 bailarinas tomam posição. Antes que a ópera encha o salão, elas aproveitam os segundos restantes para ajustar a saia rosa e o collant, trajes confeccionados pela mãe de uma delas, e as sapatilhas de pano. Com braços erguidos, pernas levemente arqueadas e um sorriso, elas recebem a si mesmas, refletidas no espelho da sala, como se estivessem em pleno espetáculo.
A professora de dança e ex-bailarina Daniela Pereira Couto, 32 anos, acompanha o ensaio de perto. Marca o passo, cobra postura, dedica-se a cada aluna enquanto sonha com um futuro melhor para as 30 meninas assistidas pelo Projeto Garatuja. Criado por Daniela em 2007 com o objetivo de diminuir a evasão escolar em São Sebastião, o projeto é tocado com o apoio de seis professores voluntários que ensinam dança contemporânea e clássica a jovens de 10 a 15 anos, além de aulas de reforço escolar e acompanhamento pedagógico do desempenho delas nas escolas. Este ano, o Garatuja será o beneficiado pela Olimpíada Solidária de Estudo. O evento internacional promovido pela Ekloos, ONG de incentivo ao voluntariado e educação, reúne 34 bibliotecas participantes no Brasil, distribuídas em 12 cidades. O objetivo é converter em reais as horas de estudo acumuladas pelos visitantes das bibliotecas durante o mês de novembro. O valor contabilizado até o próximo dia 5 será doado pelas instituições participantes para o projeto social.
A olimpíada começou em 5 de novembro passado e termina no próximo domingo. Este ano, 15 países participam do evento. A cada hora de estudo ou leitura dos voluntários nas bibliotecas credenciadas, os patrocinadores do projeto doam R$ 1 para ajudar um projeto social, na área de educação. Agora, o escolhido foi o Projeto Garatuja. As horas excedentes vão para a construção de quatro escolas no Haiti.
Publicado no Correio Braziliense em 03/12/2010
A professora de dança e ex-bailarina Daniela Pereira Couto, 32 anos, acompanha o ensaio de perto. Marca o passo, cobra postura, dedica-se a cada aluna enquanto sonha com um futuro melhor para as 30 meninas assistidas pelo Projeto Garatuja. Criado por Daniela em 2007 com o objetivo de diminuir a evasão escolar em São Sebastião, o projeto é tocado com o apoio de seis professores voluntários que ensinam dança contemporânea e clássica a jovens de 10 a 15 anos, além de aulas de reforço escolar e acompanhamento pedagógico do desempenho delas nas escolas. Este ano, o Garatuja será o beneficiado pela Olimpíada Solidária de Estudo. O evento internacional promovido pela Ekloos, ONG de incentivo ao voluntariado e educação, reúne 34 bibliotecas participantes no Brasil, distribuídas em 12 cidades. O objetivo é converter em reais as horas de estudo acumuladas pelos visitantes das bibliotecas durante o mês de novembro. O valor contabilizado até o próximo dia 5 será doado pelas instituições participantes para o projeto social.
Para o Garatuja, ter sido escolhida a única instituição beneficiada pela olimpíada significará um grande salto para o projeto — além de várias piruetas e giros na ponta do pé. Com o valor arrecadado (que até ontem havia chegado a R$ 25,2 mil), a equipe pretende construir a sede do grupo. “Desde 2007, é um desafio garantir a permanência do Garatuja. Todos os anos, nos mudamos para um novo lugar, sempre emprestado”, conta Daniela. Desde janeiro, as aulas de dança ocorrem no Centro de Múltiplas Atividades de São Sebastião, durante a semana, e as aulas de reforço, em salas cedidas por uma escola de ensino fundamental, aos sábados. No novo prédio, as aulas de reforço poderão ser ministradas diariamente, sonho da professora de dança. “Desde o início, o objetivo é investir no talento dessas crianças e mostrar que elas são capazes. Mais do que formar bailarinas, eu sonho em ajudar a construir sua moral, afastá-las das ruas, formar filhas com ideais maiores do que os de seus pais”, conta.
Determinação
Ela vinha com os olhos brilhantes, como a fantasia azul recém-arrematada. “Eu não sei o que seria da minha vida sem o balé”, afirma Sandrynne Ferreira Rodrigues, de 11 anos. Quando ouve os primeiros acordes da música anunciar sua entrada no palco improvisado, limitado no chão com as sandálias das meninas, a bailarina respira fundo, os olhos marejados. Ao seu lado, está a amiga Daniella Úrsula Macedo, 12. As duas marcam o piso frio com toques leves e saltos vibrantes, como se fossem uma só estrutura de força e leveza. Rodopiam e a música termina, enquanto Daniella imagina seus giros no Teatro Bolshoi. “Essa é minha maior meta: me formar em balé na Rússia e chegar aos melhores palcos do mundo”, conta.
Por se destacarem no Garatuja e na escola, as duas jovens são monitoras do grupo e alunas bolsistas em uma conceituada companhia de balé de Brasília — vagas conquistadas com apoio da professora Daniela Couto. “Quando via minha irmã dançando, eu achava muito lindo e queria fazer igual”, lembra Sandrynne. Muito nova para entrar no Garatuja, a jovem não desistiu. “Eu tinha só 8 anos e as alunas começam com 10. A professora Dani me visitou e achou que eu levava jeito.” No balé do Garatuja desde 2008, Sandrynne sempre contou com o apoio da mãe. “Meu pai não mora conosco. Minha mãe se esforça para compensar, de todas as formas. Ela é pai e mãe para mim, está ao meu lado sempre.”
A determinação das alunas inspira a professora e ex-bailarina, pois suas histórias são semelhantes. Filha de empregada doméstica, Daniela Couto começou a dançar aos 5 anos. Aos 10, decidiu bater de porta em porta nas academias de dança, ao lado da mãe, em busca de apoio. “Nunca desisti do Garatuja para que essas meninas tenham mais oportunidade do que eu. Em vez de bater à porta da oportunidade, eu mesma quis levar a elas o sonho da dança”, resume.
Olimpíada
Em Brasília, três instituições estão participando da Olimpíada Solidária de Estudo: as duas bibliotecas do Instituto de Ensino Superior de Brasília (Iesb) — da Asa Sul e da Asa Norte — e a Biblioteca Lajedo, da 704 Norte. A biblioteca do Iesb Norte está em primeiro lugar no ranking nacional, com 4.265 horas de estudo acumuladas. Matheus Duarte, 18 anos, e Rodrigo Ferreira Cruz de Lima, 19, são alunos de administração e fizeram questão de contribuir. “É período de provas na faculdade e é comum montarmos grupo de estudo. Esta semana fizemos questão de preencher o ‘vale R$ 1’ a cada hora em que passamos na biblioteca”, conta Matheus. Para Rodrigo, o projeto é triplamente eficiente. “Nós ajudamos uma instituição, somos incentivados a estudar e as empresas que participam mostram como é importante ser voluntário”, defende o estudante.
Publicado no Correio Braziliense em 03/12/2010
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Filosofia da poesia e poesia da filosofia
Nem todo questionamento é filosófico
E nem tudo que rima é poesia
Rima pobre
Rima rica
Rima preciosa ou rara
Interna ou externa
Emparelhada ou interpolada
Tantas são as rimas que perdemos a contas
E eis um punhado de palavras soltas
Muito bem ordenadas e dispostas
Ao sabor de uma vã sonoridade
Ou à vontade de caprichos e fetiches
De amores juvenis
Aventuras e desventuras
De um ser qualquer infeliz
Palavras vivas de notável eruditismo
Bem compostas, retocadas aqui e ali
Servidas à mesa em pratos muito finos
Bem ao gosto dos fatigáveis salões burgueses
Ao eco seco do tamborilar de dedos à mesa
E aos burburinhos que pairam risonhos
Numa clara ostentação
De glamour e requinte
Mas, quando postas à balança
É que se tem a exata medida do que dizem:
Impossível esconder tamanha arrogância
De palavras cruas e vazias
Que pouco ou nada dizem.
Palavras que mais molestam os fatigados ânimos
E aborrecem os ouvidos,
Frases intoxicadas pelo elevado teor
E pelo ranço de tempos remotos que não cabem mais em si
Pois que fiquem sabendo os sofistas, os céticos
E todos os que querem enquadrar
E matematizar a livre e manifesta expressão:
Que não existe regra nem padrão
Que abarquem e definam minimamente
O verdadeiro fazer poético.
Pois que a poesia nua e pura
É filha primeira e legítima da emoção que brota
Ardente e sedenta por materializar-se
Pela palavra simples e inteligível
Perante os olhos da razão e à alma do coração.
Todavia, um complexo emaranhado se revela
Linguagem carregada de significação
A extravasar dor, alegria, antíteses e antídotos
Até o mais profundo grau possível
Força que nos toca, paralisa e emociona diante da vida
Para levar ao coração
– canal de sentimentos e pensamentos enigmáticos –
A sugestão e a possibilidade
De brincarmos de ser criadores
De realidades possíveis, concretas ou surreais.
Donos e donas de um destino implacável.
Que insiste em nos lembrar
Que um dia há de nos domar
Pela força bruta da predestinação do Amor
Ou por capricho ou força de vontade própria
Os cientistas, os físicos e matemáticos
Deveriam saber muito bem que
Não há dimensão nem medida calculável
Nem ponderação ou sobriedade
Muito menos a tal objetividade
Quando desejamos tratar das coisas e fenômenos
Cujo terreno seja de domínio da emoção
Pois o pensamento supera
O infinitamente pensável
-Meu sentimento é do tamanho do mundo!
Em minhas águas aparentemente calmas
Me pego a digladiar interminavelmente
Contra feras indomáveis
Monstros tenebrosos saídos
Na calada da noite
Do fundo do mar bravio -
Furacão doido, tempestuoso – sorvedouro marinho
De dia, águas mansas, à noite, mar inavegável
Minha emoção não se faz prisioneira, portanto,
Das correntes do Formalismo Russo
Ou dos preceitos mais sagrados
Ditados pela consagrada norma culta-padrão Greco-Latina
Não requer floreios de retórica
Nem palavras sublimes de fúteis lisonjas
Minha poesia não usa gravata
Nem ostenta de nariz empinado ou
De salto alto, resquícios de ares palacianos
Não carrega reis ufanos e absolutistas na barriga
Muito menos fala o que quer
Por não ter nada a dizer.
Não, definitivamente, minha poesia,
E toda minha carga de emoção
Andam juntas e de mão dadas,
Jamais caberiam num mero soneto
Dois quartetos, dois tercetos: 14 versos
Não abarcam a amplitude do meu sentimento
A minha angústia, ou contentamento.
Tudo isto me parece imensurável
Incompreensível, quimeras, ora bolas!
Mas não te esqueças que poesia
Tem um pouco de filosofia
E se queres de fato apreciá-las
Como bom vivant
Abre uma taça do teu vinho predileto
Toma de bom grado o primeiro cálice e o
O que agora te digo:
Para a primeira, não te prendas aos arcaísmos gramaticais
Nem a fórmulas poéticas pré-fabricadas
E escritas à pena e ao gosto de estilos confundíveis
Eterniza o quanto possível em teus poemas
As alegrias da vida, teus amores e paixões mais febris
Mas também registra tuas dores e tristezas
E as coisas mais banais e vãs que acaso
Julgue merecedoras de um belo poema teu
Pois estas também constituem matéria de poesia.
Finalmente, para a segunda peço apenas
Que te admires um tanto mais
Com as coisas mais simples
Que povoaram e ainda povoam a tua existência
Posto que nelas encontrarás algum sentido
Para entender os mecanismos que movem e removem
Silenciosamente, imperceptivelmente...
Na calada dos teus deslizes
As engrenagens da grande e maravilhosa
Máquina do mundo!
Sê um poeta, sê um filósofo com o pouco
Que tens e com o muito que te restas saber
Mas, filósofo e poeta,
não de momento ou de ouvido, simplesmente
Mas para toda uma vida
O resto, é prontidão...
Por Francisco Nery
E nem tudo que rima é poesia
Rima pobre
Rima rica
Rima preciosa ou rara
Interna ou externa
Emparelhada ou interpolada
Tantas são as rimas que perdemos a contas
E eis um punhado de palavras soltas
Muito bem ordenadas e dispostas
Ao sabor de uma vã sonoridade
Ou à vontade de caprichos e fetiches
De amores juvenis
Aventuras e desventuras
De um ser qualquer infeliz
Palavras vivas de notável eruditismo
Bem compostas, retocadas aqui e ali
Servidas à mesa em pratos muito finos
Bem ao gosto dos fatigáveis salões burgueses
Ao eco seco do tamborilar de dedos à mesa
E aos burburinhos que pairam risonhos
Numa clara ostentação
De glamour e requinte
Mas, quando postas à balança
É que se tem a exata medida do que dizem:
Impossível esconder tamanha arrogância
De palavras cruas e vazias
Que pouco ou nada dizem.
Palavras que mais molestam os fatigados ânimos
E aborrecem os ouvidos,
Frases intoxicadas pelo elevado teor
E pelo ranço de tempos remotos que não cabem mais em si
Pois que fiquem sabendo os sofistas, os céticos
E todos os que querem enquadrar
E matematizar a livre e manifesta expressão:
Que não existe regra nem padrão
Que abarquem e definam minimamente
O verdadeiro fazer poético.
Pois que a poesia nua e pura
É filha primeira e legítima da emoção que brota
Ardente e sedenta por materializar-se
Pela palavra simples e inteligível
Perante os olhos da razão e à alma do coração.
Todavia, um complexo emaranhado se revela
Linguagem carregada de significação
A extravasar dor, alegria, antíteses e antídotos
Até o mais profundo grau possível
Força que nos toca, paralisa e emociona diante da vida
Para levar ao coração
– canal de sentimentos e pensamentos enigmáticos –
A sugestão e a possibilidade
De brincarmos de ser criadores
De realidades possíveis, concretas ou surreais.
Donos e donas de um destino implacável.
Que insiste em nos lembrar
Que um dia há de nos domar
Pela força bruta da predestinação do Amor
Ou por capricho ou força de vontade própria
Os cientistas, os físicos e matemáticos
Deveriam saber muito bem que
Não há dimensão nem medida calculável
Nem ponderação ou sobriedade
Muito menos a tal objetividade
Quando desejamos tratar das coisas e fenômenos
Cujo terreno seja de domínio da emoção
Pois o pensamento supera
O infinitamente pensável
-Meu sentimento é do tamanho do mundo!
Em minhas águas aparentemente calmas
Me pego a digladiar interminavelmente
Contra feras indomáveis
Monstros tenebrosos saídos
Na calada da noite
Do fundo do mar bravio -
Furacão doido, tempestuoso – sorvedouro marinho
De dia, águas mansas, à noite, mar inavegável
Minha emoção não se faz prisioneira, portanto,
Das correntes do Formalismo Russo
Ou dos preceitos mais sagrados
Ditados pela consagrada norma culta-padrão Greco-Latina
Não requer floreios de retórica
Nem palavras sublimes de fúteis lisonjas
Minha poesia não usa gravata
Nem ostenta de nariz empinado ou
De salto alto, resquícios de ares palacianos
Não carrega reis ufanos e absolutistas na barriga
Muito menos fala o que quer
Por não ter nada a dizer.
Não, definitivamente, minha poesia,
E toda minha carga de emoção
Andam juntas e de mão dadas,
Jamais caberiam num mero soneto
Dois quartetos, dois tercetos: 14 versos
Não abarcam a amplitude do meu sentimento
A minha angústia, ou contentamento.
Tudo isto me parece imensurável
Incompreensível, quimeras, ora bolas!
Mas não te esqueças que poesia
Tem um pouco de filosofia
E se queres de fato apreciá-las
Como bom vivant
Abre uma taça do teu vinho predileto
Toma de bom grado o primeiro cálice e o
O que agora te digo:
Para a primeira, não te prendas aos arcaísmos gramaticais
Nem a fórmulas poéticas pré-fabricadas
E escritas à pena e ao gosto de estilos confundíveis
Eterniza o quanto possível em teus poemas
As alegrias da vida, teus amores e paixões mais febris
Mas também registra tuas dores e tristezas
E as coisas mais banais e vãs que acaso
Julgue merecedoras de um belo poema teu
Pois estas também constituem matéria de poesia.
Finalmente, para a segunda peço apenas
Que te admires um tanto mais
Com as coisas mais simples
Que povoaram e ainda povoam a tua existência
Posto que nelas encontrarás algum sentido
Para entender os mecanismos que movem e removem
Silenciosamente, imperceptivelmente...
Na calada dos teus deslizes
As engrenagens da grande e maravilhosa
Máquina do mundo!
Sê um poeta, sê um filósofo com o pouco
Que tens e com o muito que te restas saber
Mas, filósofo e poeta,
não de momento ou de ouvido, simplesmente
Mas para toda uma vida
O resto, é prontidão...
Por Francisco Nery
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
São Sebastião Sunset
Meus amigos, navegando nesse mundo web, achei esse vídeo da nossa cidade, achei muito interessante.
Em São Sebastião, escurece muito mais rápido que nas demais cidades. Principalmente na região do Morro Azul
400 apartamentos no Jardim Mangueiral estão prontos, mas vazios
Projeto de habitação que deveria ser modelo não foi entregue. Dos 15 condomínios previstos, apenas um está pronto. São 400 apartamentos, mas ninguém recebeu a chave de casa.
Localizado a 15 minutos do Plano Piloto, o Jardim Mangueiral é uma área cobiçada e as obras no local estão a todo vapor. O bairro, que fica perto de São Sebastião, foi a primeira parceria público privada no DF para programas de habitação.
As casas e apartamentos seriam destinados para a população de baixa renda, para pessoas que ganham até três salários mínimos, mas os planos mudaram. De acordo com a Companhia de Desenvolvimento Habitacional (Codhab), só é selecionado para ter um imóvel no Jardim Mangueiral quem ganha a partir de R$ 4 mil.
Um apartamento de dois dormitórios térreo custa R$ 89 mil. O valor está dentro do teto estabelecido para pessoas que ganham até três salários mínimos, mas o comprador tem que dar uma entrada de quase R$ 20 mil - dinheiro que uma pessoa que ganha R$ 1,5 mil por mês dificilmente teria como dar à vista.
Júnio Carvalho e Edilene Félix foram pré-selecionados pela Codhab para morar no Jardim Mangueiral. O casal já morou no DF, mas o valor do aluguel de uma casa para eles e os dois filhos subiu muito além do orçamento e obrigou a mudança para a Cidade Ocidental. “Morar lá no DF é caro, para você morar bem é caro. Aqui é longe, mas a gente mora confortável, numa casa de três quartos, a gente mora bem aqui”, conta a dona de casa.
Uma pesquisa feita pelo Sindicato das Imobiliárias em parceria com a Universidade de Brasília mostra que o valor médio do aluguel de um apartamento de três quartos no Guará é de R$ 1,6 mil. No Cruzeiro, onde Júnio e Edilene chegaram a morar, o preço do aluguel é de R$ 1,2 mil.
“Eu sempre tive o sonho de comprar uma casa lá em Brasília, mas vejo o Mangueiral agora como uma oportunidade: um imóvel com preço mais em conta que daria para gente comprar na atualidade”, afirma Júnio.
Mesmo com vantagens aparentes, todo cuidado é pouco na hora do financiamento. Os bancos aceitam um comprometimento de até 30% da renda familiar para a compra da casa própria, mas o economista Roberto Piscitelli alerta para o risco de endividamento, principalmente quando se fala em longo prazo e pra população de baixa renda.
“É preciso considerar que além desses 30% há muitas outras despesas fixas difíceis de comprimir e que comprometem uma outra parte do orçamento doméstico. Eu acho que se deveria comprometer algo entre 15% e 20% no máximo da renda familiar”, recomenda.
Sobre o Jardim Mangueiral, a Codhab informou que nenhum apartamento foi entregue porque uma força tarefa teve que revisar todos os contratos, pois havia suspeita de favorecimento para alguns contemplados. O trabalho terminou e foi publicada nesta quinta-feira (02) no Diário Oficial a lista dos 400 contemplados, que terão 30 dias para reapresentar documentos.
Amanhã, na última reportagem da série, o repórter Fred Ferreira conversa com especialistas que apontam soluções para o problema da habitação no DF.
Acompanhe a reportagem
Reportagem exibida no dia 02 de dezembro de 2010 no DFTV 1ª Edição
Projeto Filosofança
Só uma correção: dia 11 de dezembro de 2010 é SÁBADO!
A idéia é oferecermos atividades artísticas para a comunidade de São Sebastião e arrecadarmos fundos para o Filosofança. Vamos cobrar apenas R$ 1,00 pela participação de cada pessoa na ação, independente da idade, e oferecer a elas oficinas e apresentações de qualidade! Precisamos da ajuda de todos que nos conhecem e de todos os integrantes ou ex-integrantes do Filosofança para nos ajudar a divulgar esse evento e torná-lo uma manhã de alegria, aprendizado e diversão através da cultura. Convidem os vizinhos, a família, os amigos da escola, da igreja, do esporte e de todos os outros locais bacanas que vocês frequentam. Digam para levar seus irmãos, filhos, primos, sobrinhos, enteados, amigos e adultos, eternas crianças, para trocar conosco: oferecemos arte e cultura (o que sabemos fazer) e desejamos receber em troca essa pequena contribuição financeira. Além disso, quem participar poderá comprar livros no Sebo; roupas no Bazar Brechó para o Natal ou para o dia a dia mesmo e belos textos do Blog em suas mãos, escritos pelos integrantes do Filosofança, para presentear amigos e a si mesmo. Ajudem-nos a fazer o evento do dia 11/12/10 bombar!!!
Por: Projeto Filosofança
terça-feira, 30 de novembro de 2010
1º Encontro Fórum de Aprendizagem do Distrito Federal com a Comunidade de São Sebastião
O 1º Encontro do Fórum de Aprendizagem do Distrito Federal em São Sebastião foi sucesso total. Atendendo a demanda dos jovens da cidade, as expectativas foram superadas pela equipe organizadora. Elaborado pelo Fórum de Entidades Sociais de São Sebastião em parceira com Administração Regional e o Centro de Ensino Médio São Francisco o encontro trouxe para a cidade as instituições que trabalham com os projetos que inserem o jovem no mercado de trabalho.
Ás 8 horas da manhã já observavam um movimento diferente pela entrada principal do Centro de Ensino Médio São Francisco. Foram chegando os primeiros jovens interessados em saber do que se tratava a tal Lei do Aprendiz. E não era surpresa, pois a essa nova legislação confunde-se com a mais aplicada nas regras trabalhista. Ela é uma lei que foi elaborada mais precisamente para o jovem que está entrando agora no mercado de trabalho. A nova lei é objetiva, ao ponto de facilitar a inserção do jovem no mercado de trabalho, que pode ser menor de idade ou não, e busca incentivar a sua qualificação profissional.
Além do cadastro que estava sendo feito pela organização do Fórum, outros parceiros da Lei do Jovem Aprendiz também deram seu apoio, entre eles o mais conhecido no DF, o Centro de Integração Empresa Escola – CIEE, realizavam cadastros para vagas de estágio e para inserção no mercado de trabalho pela nova legislação. O Centro Salesiano do Menor – CESAM, também faziam os cadastros dos jovens. Notava-se a euforia e esperança dos jovens de São Sebastião, que viam ali, uma esperança de começar uma nova mudança.
O objetivo do fórum foi realizado ao promover a Lei do Aprendiz para os alunos da cidade. Além de criar uma rede de informações para os parceiros dos projetos, facilitará muito o emprego da nova legislação. Clareou e facilitou o emprego e cumprimento dessa nova lei, sem que com isso prejudicasse os estudantes, facilitando a sua entrada formal no mercado de trabalho.
Vejam as fotos abaixo
Aos poucos os jovens interessados foram chegando e se acomodando no pátio principal da escola, onde são realizadas as apresentações. E em pouco tempo todos os lugares já se encontravam lotados pelos jovens e pais interessados em conseguir uma oportunidade para seus filhos. “É um meio de colocar meu filho em um emprego, sem prejudicar ele na escola”, disse dona Luzia, mãe que assistia atentamente à palestra e aguardava ansiosa para fazer o cadastro do filho.
Logo que foi encerrada a palestra deram se início os cadastros dos jovens. O cadastro é o primeiro passo para quem busca o primeiro emprego. O receio dos estudantes era a contrapartida de que se entrasse no mercado de trabalho, de alguma forma prejudica-los nos estudos, mas depois da palestra apresentada no fórum, muitas dúvidas foram respondidas e confiantes, pouco a pouco, a fila do cadastro foi diminuindo. Muitos jovens fizeram seu cadastro.
Além destas instituições que realizavam os cadastros, estávam presentes também representantes da Secretaria de Estado de Justiça e da Secretaria de Estado do Trabalho, Instituto Fecomércio-DF, SENAI, Instituto Federal Brasília. Além desse contaram com a presença indispensável das instituições sociais da cidade, como a Casa de Cultura, CEPSS, Biblioteca Comunitária do Bosque, Casa de Paulo Freire, Brinquedoteca, SuperNova, TBR, Istituto de Arte e Cultura de São Sebastião. Ambas explanando sobre os direitos do cidadão no eixo mercado de trabalho, valorização da vida e ao mesmo tempo emitiam carteiras de trabalhos para aqueles que ainda não possuíam o documento.
Ao tempo que acontecia os cadastros e a apresentação de cada instituição, foram realizando shows e apresentações culturais no palco principal. Os alunos do Projeto Filosofança da própria escola. Na música tinha os meninos Juan Marcus e Vinícius fez a mulherada gritar aos embalos da música setaneja. A apresentação da roda de capoeira fez muita gente mexer o corpo e transpor a energia da luta brasileira. Um desfile de moda também fez sucesso, com as peças produzidas pelo estilista da própria escola.
Vejam o vídeo abaixo
O objetivo do fórum foi realizado ao promover a Lei do Aprendiz para os alunos da cidade. Além de criar uma rede de informações para os parceiros dos projetos, facilitará muito o emprego da nova legislação. Clareou e facilitou o emprego e cumprimento dessa nova lei, sem que com isso prejudicasse os estudantes, facilitando a sua entrada formal no mercado de trabalho.
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segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Cerimônia de encerramento do Instituto de Arte e Cultura de São Sebastião - IACSS/SESBRA
Convido a todos a participarem do evento de encerramento do semestre do Instituto de Arte e Cultura de São Sebastião - IACSS/SESBRA
Dia 01 de dezembro de 2010, ás 19 horas no Centro de Ensino Médio São Francisco (Chicão)
Participação especial da Camerata da Escola de Música de Brasília e do Coral da 3ª Idade da Igreja Nossa Senhora de Fátima, Poesia, Sapateado, Tango, Salsa, Hip Hop, Pop, MPB, Música Sertaneja e muito mais.
Participe. ENTRADA FRANCA
Sueli Brandão Borges
Instituto de Arte e Cultura de São Sebastião/DF
(61) 33352104 / 99547862
Dia 01 de dezembro de 2010, ás 19 horas no Centro de Ensino Médio São Francisco (Chicão)
Participação especial da Camerata da Escola de Música de Brasília e do Coral da 3ª Idade da Igreja Nossa Senhora de Fátima, Poesia, Sapateado, Tango, Salsa, Hip Hop, Pop, MPB, Música Sertaneja e muito mais.
Participe. ENTRADA FRANCA
Sueli Brandão Borges
Instituto de Arte e Cultura de São Sebastião/DF
(61) 33352104 / 99547862
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
A comunidade Café sem Troco.
O nome foi emprestado de um modesto bar de madeirite aberto nos anos 1970. Hoje a comunidade tem mais de 12 mil habitantes.
Em longas horas de viagem, nas extensas distâncias percorridas pelas estradas deste país, caminhoneiros sempre encontram pelo caminho um lugar aconchegante para tomar aquele café quentinho coado na hora. Em 1975, a opção para quem passava pelo trecho ainda de terra da BR-251, na altura do entroncamento com a DF-130, região de São Sebastião, era um modesto bar de madeirite construído à beira da pista chamado, à época, Panela Velha. Lá, o saboroso café ajudava a manter o motorista acordado ou aquecido, durante o período mais frio do ano, e o caldo de cana moída num engenho antigo os refrescava em momentos de forte calor da capital federal.
preço barato dos produtos também agradava aos fregueses. O problema só aparecia se o valor da cédula fosse maior que a quantia consumida. Nesse caso, o motorista podia esquecer a diferença no preço. Naquele ponto, o café era sem troco. E não pense que o então proprietário do barraco, Alarico Joaquim Pires, era desonesto. Pelo contrário: na falta de dinheiro miúdo para devolver o troco, Alarico deixava condutores lancharem de graça no modesto quiosque. “Aqui não tinha nada e era distante de tudo. Quando via uma nota graúda, sabia que não teria como devolver o restante do dinheiro”, recorda um morador de Cariru, região vizinha ao bar, o fazendeiro Joaquim José da Silva, 68 anos.
Para não se apossar do suado salário do caminhoneiro, Alarico propunha um acordo. O homem lanchava e deixava, por exemplo, uma nota de R$ 10 — na época, seria uma cédula de cruzeiro. Seguia viagem até o ponto onde descarregaria o material transportado. E, depois, quando voltasse a cortar a rodovia já com o serviço realizado, tinha crédito no boteco ou poderia retirar as moedas já trocadas para continuar a viagem. Como pessoas de todo o país passavam e ainda passam pelo ponto, a fama da falta de moedas no boteco cresceu rápido.
Apelido
De uma hora para outra, o Panela Velha ganhara o apelido de Café 100 troco, que mais tarde viraria nome de batismo de toda a região que atualmente abriga 12 mil habitantes. Um dos mais antigos fazendeiros do lugar, o mineiro Domingos Fernandes da Silva, 85 anos, ajudou, ao lado da esposa Conceição Araújo Fernandes, 66, a intitular o local. “Eles moram aqui desde o início do bar e faziam brincadeira com a ausência de moedas”, entrega Joaquim José, triste com a notícia de que o amigo de anos Domingos Fernandes está com problemas de saúde e não pôde dar entrevista.
O barraco de madeirite sobreviveu no ponto irregular por pelo menos 20 anos. Depois de removido pelo governo, em meados da década de 1990, o servidor público Wilson Florentino Borges, 72 anos, comprou o lote próximo ao famoso quiosque e resolveu construir um restaurante mais estruturado e espaçoso. O nome do famoso bar foi comprado após a morte do dono. Wilson, então, assumiu a responsabilidade de levar adiante o comércio que dera nome à região (chamada de Café sem troco). Trabalhou duro nele, mesmo após aposentado.
Mas, cansado da rotina de comerciante, arrendou, há quatro anos, a lanchonete a João Carlos Paludo, 48 anos, que faz questão de tranquilizar os motoristas. Diferentemente do passado, hoje o proprietário consegue devolver o troco aos clientes. “As pessoas acham graça no nome. Uns chegam a ficar parados com a nota de R$ 20 na mão imaginando se pagam ou se deixam de comprar, com medo de não terem o dinheiro de volta”, conta.
Aconchego a 56km da capital
O cheiro de poeira, o ar de interior e as prosas pausadas dos fazendeiros caracterizam o lugar. A 56km de distância do centro do poder do país, Café sem troco abriga diversas famílias em aconchegantes casas de alvenaria. Além de restaurantes e postos para atender aos motoristas, mercados, lojas de materiais de construção e salões de beleza já mostram a evolução da economia local. O fazendeiro Joaquim José da Silva criou três filhos na região. “Eles estudaram na escola até a 4ª série e depois foram para o PADF (Programa de Assentamento Dirigido do Distrito Federal), onde puderam continuar os estudos”, lembra a mulher, Leonilda Gomes da Silva, 55 anos.
O divertido baiano que alegra a todos que passam com piadas contadas pausadamente atualmente só produz o necessário para a sobrevivência. “Já plantei, já toquei gado e cavalo. Mas hoje eu vivo tranquilo e não tenho necessidade de fazer mais isso. Ainda tenho do arroz que plantei em 2008 e só devo plantar outro quando o meu acabar”, conta. “Tá vendo aquilo ali? É meu escritório”, brinca o fazendeiro, já aposentado, apontando para a charrete e o cavalo.
O carreteiro Nilson Bertuol, 60 anos, não hesitou ao encontrar uma sombra no terreno da comunidade Café sem troco. Morador de Medianeira, no Paraná, o motorista contava com a ajuda da mulher, a professora Marineuza Menegol, 53 anos, para preparar o almoço na própria carreta. No cardápio, arroz, frango e salada, com ingredientes frescos comprados no vilarejo. Eles estão fora de casa há 20 dias. Passaram Natal e réveillon nas estradas da Bahia e agora levam fibras de algodão para Uberlândia(MG). “Paramos aqui por causa da sombra, mas já estamos gostando do clima agradável da região”, conta.
Em longas horas de viagem, nas extensas distâncias percorridas pelas estradas deste país, caminhoneiros sempre encontram pelo caminho um lugar aconchegante para tomar aquele café quentinho coado na hora. Em 1975, a opção para quem passava pelo trecho ainda de terra da BR-251, na altura do entroncamento com a DF-130, região de São Sebastião, era um modesto bar de madeirite construído à beira da pista chamado, à época, Panela Velha. Lá, o saboroso café ajudava a manter o motorista acordado ou aquecido, durante o período mais frio do ano, e o caldo de cana moída num engenho antigo os refrescava em momentos de forte calor da capital federal.
preço barato dos produtos também agradava aos fregueses. O problema só aparecia se o valor da cédula fosse maior que a quantia consumida. Nesse caso, o motorista podia esquecer a diferença no preço. Naquele ponto, o café era sem troco. E não pense que o então proprietário do barraco, Alarico Joaquim Pires, era desonesto. Pelo contrário: na falta de dinheiro miúdo para devolver o troco, Alarico deixava condutores lancharem de graça no modesto quiosque. “Aqui não tinha nada e era distante de tudo. Quando via uma nota graúda, sabia que não teria como devolver o restante do dinheiro”, recorda um morador de Cariru, região vizinha ao bar, o fazendeiro Joaquim José da Silva, 68 anos.
Para não se apossar do suado salário do caminhoneiro, Alarico propunha um acordo. O homem lanchava e deixava, por exemplo, uma nota de R$ 10 — na época, seria uma cédula de cruzeiro. Seguia viagem até o ponto onde descarregaria o material transportado. E, depois, quando voltasse a cortar a rodovia já com o serviço realizado, tinha crédito no boteco ou poderia retirar as moedas já trocadas para continuar a viagem. Como pessoas de todo o país passavam e ainda passam pelo ponto, a fama da falta de moedas no boteco cresceu rápido.
Apelido
De uma hora para outra, o Panela Velha ganhara o apelido de Café 100 troco, que mais tarde viraria nome de batismo de toda a região que atualmente abriga 12 mil habitantes. Um dos mais antigos fazendeiros do lugar, o mineiro Domingos Fernandes da Silva, 85 anos, ajudou, ao lado da esposa Conceição Araújo Fernandes, 66, a intitular o local. “Eles moram aqui desde o início do bar e faziam brincadeira com a ausência de moedas”, entrega Joaquim José, triste com a notícia de que o amigo de anos Domingos Fernandes está com problemas de saúde e não pôde dar entrevista.
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| João Carlos Paludo: agora, o bar Café 100 troco tem, sim, moedinhas |
Mas, cansado da rotina de comerciante, arrendou, há quatro anos, a lanchonete a João Carlos Paludo, 48 anos, que faz questão de tranquilizar os motoristas. Diferentemente do passado, hoje o proprietário consegue devolver o troco aos clientes. “As pessoas acham graça no nome. Uns chegam a ficar parados com a nota de R$ 20 na mão imaginando se pagam ou se deixam de comprar, com medo de não terem o dinheiro de volta”, conta.
Aconchego a 56km da capital
O cheiro de poeira, o ar de interior e as prosas pausadas dos fazendeiros caracterizam o lugar. A 56km de distância do centro do poder do país, Café sem troco abriga diversas famílias em aconchegantes casas de alvenaria. Além de restaurantes e postos para atender aos motoristas, mercados, lojas de materiais de construção e salões de beleza já mostram a evolução da economia local. O fazendeiro Joaquim José da Silva criou três filhos na região. “Eles estudaram na escola até a 4ª série e depois foram para o PADF (Programa de Assentamento Dirigido do Distrito Federal), onde puderam continuar os estudos”, lembra a mulher, Leonilda Gomes da Silva, 55 anos.
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| Piadista, Joaquim José aponta para a charrete e brinca: "É o meu escritório" |
O divertido baiano que alegra a todos que passam com piadas contadas pausadamente atualmente só produz o necessário para a sobrevivência. “Já plantei, já toquei gado e cavalo. Mas hoje eu vivo tranquilo e não tenho necessidade de fazer mais isso. Ainda tenho do arroz que plantei em 2008 e só devo plantar outro quando o meu acabar”, conta. “Tá vendo aquilo ali? É meu escritório”, brinca o fazendeiro, já aposentado, apontando para a charrete e o cavalo.
O carreteiro Nilson Bertuol, 60 anos, não hesitou ao encontrar uma sombra no terreno da comunidade Café sem troco. Morador de Medianeira, no Paraná, o motorista contava com a ajuda da mulher, a professora Marineuza Menegol, 53 anos, para preparar o almoço na própria carreta. No cardápio, arroz, frango e salada, com ingredientes frescos comprados no vilarejo. Eles estão fora de casa há 20 dias. Passaram Natal e réveillon nas estradas da Bahia e agora levam fibras de algodão para Uberlândia(MG). “Paramos aqui por causa da sombra, mas já estamos gostando do clima agradável da região”, conta.
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Estudantes de São Sebastião visitam o Tribunal
Um grupo de 42 estudantes da área rural de São Sebastião, nos arredores de Brasília, foi recebido pelo presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Ari Pargendler, em mais uma etapa do projeto Museu-Escola. Instituído pelo STJ em 2001, o projeto promove a visita de grupos de estudantes do ensino fundamental e do ensino médio ao museu e demais instalações do Tribunal.
Dessa vez, os visitantes eram alunos da oitava série do Centro de Ensino Fundamental Nova Betânia. Eles foram recepcionados pelo presidente no museu do STJ, que reúne documentos e objetos representativos de momentos importantes da história da instituição.
O professor Vanderley Gleimar – que acompanhava os alunos juntamente com a professora Juliana Vassoler – agradeceu ao STJ por mais essa oportunidade oferecida aos alunos do CE Nova Betânia, que há três anos participa do projeto Museu-Escola. “O STJ, ao assumir esse compromisso direto com o desenvolvimento intelectual e social de nossos estudantes, transcende a sua responsabilidade jurisdicional para garantir a cidadania em seus múltiplos aspectos”, afirmou o professor.
O transporte dos estudantes que participam do projeto é feito pelo Tribunal. As escolas interessadas podem inscrever suas turmas pelos telefones (61) 3319-8373/8376, de segunda a sexta-feira, das 9h às 19h; ou via internet, por meio do formulário do projeto Museu-Escola.
Disponível em: STJ
Dessa vez, os visitantes eram alunos da oitava série do Centro de Ensino Fundamental Nova Betânia. Eles foram recepcionados pelo presidente no museu do STJ, que reúne documentos e objetos representativos de momentos importantes da história da instituição.
O professor Vanderley Gleimar – que acompanhava os alunos juntamente com a professora Juliana Vassoler – agradeceu ao STJ por mais essa oportunidade oferecida aos alunos do CE Nova Betânia, que há três anos participa do projeto Museu-Escola. “O STJ, ao assumir esse compromisso direto com o desenvolvimento intelectual e social de nossos estudantes, transcende a sua responsabilidade jurisdicional para garantir a cidadania em seus múltiplos aspectos”, afirmou o professor.
O transporte dos estudantes que participam do projeto é feito pelo Tribunal. As escolas interessadas podem inscrever suas turmas pelos telefones (61) 3319-8373/8376, de segunda a sexta-feira, das 9h às 19h; ou via internet, por meio do formulário do projeto Museu-Escola.
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| Estudantes são recebidos pelo ministro Ari Pargendler |
terça-feira, 23 de novembro de 2010
1º Encontro Fórum de Aprendizagem do Distrito Federal com a Comunidade de São Sebastião
No dia 27 de novembro (próximo sábado), será realizado no Centro Educacional São Francisco a partir das 8 da manhã, o 1° Encontro Fórum de Aprendizagem do Distrito Federal com a Comunidade de São Sebastião. A ação tem o objetivo de divulgar a Lei da Aprendizagem (para jovens de 14 a 24 anos) e estabelecer um vínculo com a nossa comunidade para o encaminhamento dos jovens para o mercado de trabalho.
A participação dos representantes dos vários segmentos é fundamental para podermos aproveitar bem esta oportunidade e começarmos um trabalho concreto em prol da inserção no mercado de trabalho dos nossos adolescentes e jovens. Por favor, mandem um representante. A coordenação do Fórum de São Sebastião agradece.
Uma severa crítica à educação atual
Quino, autor da Mafalda, desiludido com o rumo deste século no que diz respeito a valores morais e educação, deixou impresso no cartum o seu sentimento:
O que cabe a nós, professores? O que podemos fazer para mudar esta situação, uma vez que estamos indo contra a maré da nova sociedade?
O que cabe a nós, professores? O que podemos fazer para mudar esta situação, uma vez que estamos indo contra a maré da nova sociedade?
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
SÃO SEBASTIÃO COUNTRY FEST
São Sebastião Country Fest acontece de 18 a 21/11 no Parque de Exposições de São Sebastião e reúne diversas atrações.
O Instituto Educar e Crescer ? IEC realiza de 18 a 21/11 o evento São Sebastião Country Fest, o IEC é uma instituição sem fins lucrativos, que atua na área do turismo e da educação, voltada ao desenvolvimento local sustentável e à inclusão social, no intuito de democratizar as oportunidades de ensino-aprendizagem, profissionalização, de lazer e de entretenimento.
Nos dias 18 e 20/11, a entrada será franca para os shows de Cleber & Cauan, considerada ?dupla revelação? do Distrito Federal em 2009 e Bruno & Mateus, havendo a presença de artistas locais nas duas ocasiões.
O rodeio profissional terá sua abertura oficial no dia 19/11 com o artista Eduardo Costa, mineiro de Belo Horizonte que faz malabarismos com sua viola. O encerramento acontecerá no dia 20/11 com os cantores Pedro Paulo e Matheus, respeitada dupla de Brasília.
SÃO SEBASTIÃO COUNTRY FEST
Local: Parque de Exposições de São Sebastião
18/11: Cleber e Cauan + Artistas Locais
Entrada Franca
19/11: Bruno e Mateus + Artistas Locais
Entrada Franca
20/11: Eduardo Costa
R$ 20 (meia)
21/11: Pedro Paulo e Matheus
R$ 10 (meia)
Classificação: 16 anos.
Informações: (61) 8118 1505
Preciosidades da nossa literatura
Essa é a nova coluna, que terá frequentemente um texto falando sobre os memoráveis escritores brasileiros. Os textos aqui publicados são de autoria de Francisco Nery, colaborador e parceiro na construção deste espaço. A todos, tenham uma boa leitura.
Durante as duas primeiras décadas do ano de 1900, a Europa passava por profundas mudanças socioculturais e políticas, ocasionadas em especial pela propagação dos movimentos da vanguarda modernista, ao passo que a literatura brasileira ainda se mantinha presa aos estilos nascidos no século anterior: o parnasianismo e o simbolismo vigoravam na poesia, o realismo e o naturalismo, na prosa. Os ventos da modernidade não tardariam a soprar por aqui. O primeiro sinal de mudança manifestou-se quando alguns poucos escritores, como Graça Aranha (1868 -1931), Monteiro Lobato (1882 -1948), Euclides da Cunha (1866-1909), Augusto dos Anjos (1884-1914) e notadamente Afonso Henriques de Lima Barreto (1881-1922), cada um ao seu modo, problematizaram a realidade social e cultural brasileira, traçando em suas obras um vasto painel dos males de um país agrário e subdesenvolvido, o Brasil não-oficial.
Triste fim de Policarpo Quaresma (1915),constitui a obra-prima de Lima Barreto, reconhecimento que, na concepção do crítico Alfredo Bosi, se deve tanto ao acabamento formal quanto à rica presença de imagens da cena política e cultural do Brasil republicano, captadas de perto por um olhar crítico e atento. Publicado inicialmente em folhetins do Jornal do Comércio, em 1911, e cinco anos depois em formato de livro, o romance constrói um rico panorama histórico, político e social do país ao retratar o contexto pós-instauração do regime republicano, o governo ditatorial de Floriano Peixoto, o levante da armada e a política oligárquica.
Lima Barreto foi um notável intelectual que se fez escritor e revitalizou a literatura brasileira do começo do século XX.
Afonso Henriques de Lima Barreto nasceu no Rio de Janeiro em 13 de maio de 1881. Como poucos homens de sua condição e de seu tempo, teve a oportunidade de estudar em escola pública. Ingressou na Escola de Engenharia, a então Escola Politécnica do Rio de Janeiro. Entretanto, o escritor logo se viu obrigado a abandoná-la muito antes de concluir os estudos para chefiar a família e incumbir-se dos cuidados do pai, o qual fora acometido por uma grave doença mental.
O autor de Recordações do escrivão Isaias Caminha (1909), Triste fim de Policarpo Quaresma (1915) e Vida e Morte de M.J Gonzaga e Sá (1919) – dentre muitos outros títulos e mais de cem contos catalogados – é considerado o romancista mais atuante e engajado com as causas políticas e sociais no período de transição literária que ficou conhecido como Pré-Modernismo (1902-1922).
Barreto colaborou por longo tempo na imprensa militante, e por ter cultivado de forma incisiva o humor crítico, é considerado um dos discípulos de Machado de Assis. Lima Barreto viveu e sofreu intensamente as transformações da realidade dolorosa que ora se impunha a ele e a uma legião de brasileiros do seu tempo.
Durante as duas primeiras décadas do ano de
Em virtude do seu preocupante estado de saúde, agravado principalmente pela bebida, pelo reumatismo e por outras complicações, o escritor foi acometido por um forte colapso cardíaco, vindo a falecer em 1º de novembro de 1922, fatalidade que coincide com o ano do advento da Semana de Arte Moderna em São Paulo. De vida literária curta, porém intensa, a sua obra foi de extrema importância ao trazer para a literatura a temática social conjugada, de alguma forma, à vida pessoal. Na sua História concisa da literatura brasileira, Alfredo Bosi (1996) assinala que:
A biografia de Lima Barreto explica o húmus ideológico da sua obra: a origem humilde, a cor, a vida penosa de jornalista pobre e de pobre amanuense, aliadas à viva consciência da própria situação social, motivaram aquele seu socialismo maximalista, tão emotivo nas raízes quanto penetrante nas análises.
Lima Barreto soube, com extrema habilidade e precisão, construir uma sátira de seu tempo, transpondo para o romance ou para o conto, muitos dos velhos e conhecidos problemas do Brasil, como a questão da indiferença, do preconceito, do nacionalismo puramente ornamental e vazio de sentimento patriótico, a depravação moral e política das elites, além das diferenças aberrantes existentes entre as classes que compunham a sociedade brasileira no alvorecer da República.
Enfim, foi um notável intelectual que se fez escritor e, lutando contra as forças e intempéries naturais que oprimem o homem no seu próprio meio, revitalizou a literatura brasileira, dando a ela uma nova roupagem, um novo caráter, uma nova missão, ao trazer para as páginas escritas a voz antes silenciada das camadas populares mais humildes. Para Achcar (1995), isso foi possível graças a uma forte empatia e militância do escritor com o mundo suburbano do Rio - a cidade na qual ele viveu, a cidade que nele vivia.
Vida Literária
Sob a direção de Francisco de Assis Barbosa, em colaboração com Antônio Houaiss e Manoel Cavalcante Proença, a obra barretiana foi publicada no ano de 1956 em dezessete volumes, incluindo as produções satíricas (Os Bruzundangas e Coisas do reino de Jambon); os romances (Numa e a Ninfa, Clara dos Anjos); artigos e crônicas (Feiras e mafuás, Impressões de leitura, Vida urbana, Bagatelas e Marginália) e os livros de memórias (O cemitério dos vivos e Diário íntimo). Foram publicados, ainda, dois volumes que constituem toda a sua correspondência - ativa e passiva - e uma coletânea de contos de caráter satírico, de crítica social e de costumes, com destaque para Congresso pamplanetário, O homem que sabia javanês, Nova Califórnia e O filho da Gabriela.
Obra-prima
Triste fim de Policarpo Quaresma (1915),constitui a obra-prima de Lima Barreto, reconhecimento que, na concepção do crítico Alfredo Bosi, se deve tanto ao acabamento formal quanto à rica presença de imagens da cena política e cultural do Brasil republicano, captadas de perto por um olhar crítico e atento. Publicado inicialmente em folhetins do Jornal do Comércio, em 1911, e cinco anos depois em formato de livro, o romance constrói um rico panorama histórico, político e social do país ao retratar o contexto pós-instauração do regime republicano, o governo ditatorial de Floriano Peixoto, o levante da armada e a política oligárquica.
De acordo com Francisco Achcar o livro está dividido basicamente em três partes: o retrato do personagem e o seu projeto cultural, o projeto agrícola, e o projeto político. O romance é narrado em terceira pessoa e conta a história do personagem-título, o Major Quaresma, um brasileiro de extremado patriotismo, inteiramente tomado de amores pelas riquezas naturais e culturais brasileiras. Um homem, cuja obsessão nacionalista o levou a comportamentos por vezes incompreensíveis, beirando o patético e a loucura. Funcionário da Secretaria da Guerra, ele era um cidadão no melhor sentido do termo, que levava uma vida simples e pacata, respeitado por tantos quanto o conheciam pela sua ética e caráter. Dedicara-se em vida ao estudo e ao engrandecimento de tudo que dizia respeito aos assuntos do Brasil.
Desde moço, ai pelos vinte anos, o amor da pátria tomou-o todo inteiro. Não fora o amor comum, palrador e vazio; fora um sentimento sério, grave e absorvente. Nada de ambições políticas ou administrativas; o que Quaresma pensou, ou melhor, o que o patriotismo o fez pensar, foi num conhecimento inteiro do Brasil, levando-o a meditações sobre os seus recursos, para depois então apontar os remédios, as medidas progressivas, com pleno conhecimento de causa. (BARRETO, 1915, p.5)
Por Francisco Nery

















