sexta-feira, 24 de junho de 2016

São Sebastião completa 23 anos


Neste fim de semana, serão comemorados os 23 anos de São Sebastião. Apresentação de artistas locais de diferentes estilos, espaço destinado a esportes ao ar livre, ação educativa de trânsito e oferta de serviços do governo de Brasília estão entre as atividades previstas.

A programação começa na sexta-feira (24), às 9h, com um desfile cívico de alunos das escolas públicas da região administrativa. Eles sairão da Feira Permanente, na Quadra 101, e seguirão até o balão da Avenida Comercial. Às 11h, haverá a entrega de máquinas compradas pela Secretaria da Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, por meio de emenda do deputado distrital Lira (PHS), a representantes do setor rural de São Sebastião. Às 11h30, serão distribuídos mais de 2 mil pedaços de bolo à população em frente ao Centro de Atenção Integral à Criança Unesco (Caic Unesco), na Quadra 5, Conjunto A.

No sábado (25), das 9h às 17h, também em frente ao Caic, órgãos do governo de Brasília vão oferecer serviços gratuitos à população. Estará estacionado o Ônibus da Mulher, da Secretaria do Trabalho, Desenvolvimento Social, Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos. Nele haverá atendimento psicológico, jurídico e social a mulheres em situação de violência.

Além disso, servidores da Secretaria de Saúde vão aferir pressão, medir glicemia e comandar oficinas de práticas de saúde. Já a pasta do Trabalho vai emitir carteiras de trabalho e divulgar cursos de qualificação para microempreendedores. No mesmo dia, o projeto educativo infantil Transitolândia, do Departamento de Estradas de Rodagem do DF, estará no Parque de Exposições.

Ainda no sábado (25), das 6h às 13h, ocorrerá a Feira do Produtor no Parque de Exposições, com venda de verduras, frutas e hortaliças de produtores de São Sebastião, que serão escolhidos por sorteio e pagarão a taxa de uso do espaço público.

No domingo (26), a Avenida São Sebastião, entre os bairros São José e São Francisco, ficará livre para a prática de esportes. A interdição para a passagem de veículos será das 10h às 21h, na altura da Quadra 1 até a Quadra 16 do São José.

Programação musical do aniversário de São Sebastião

A partir das 20h de sexta-feira (24), o Parque de Exposições vai receber shows de grupos de reggae e de pagode, além de DJ e de quadrilhas de festa junina.

No dia seguinte, nos mesmos local e horário, será a vez do sertanejo e do forró. A música gospel também é atração do aniversário, com apresentação às 20h de sexta (24) em frente ao CAIC.
O gasto total com a festa é de R$ 107,4 mil, sendo que, desses, a Administração Regional de São Sebastião custeará apenas R$ 7,4 mil para a locação de iluminação e de som. O restante, usado na contratação dos artistas, entre outros serviços, é proveniente de parcerias e emendas parlamentares.

História da região

Com a área ocupada a partir de 1957, quando olarias foram instaladas para suprir a demanda da construção civil por materiais, São Sebastião foi reconhecida como região administrativa em 1993, por meio da Lei nº 467, e está ao sul da Área de Proteção Ambiental do Rio São Bartolomeu, a cerca de 23 quilômetros do Plano Piloto. Dados da pesquisa mais recente da Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan) sobre a localidade indicam que a população é de mais de 100 mil habitantes, e a renda per capita é de R$ 985.

terça-feira, 21 de junho de 2016

Deficit habitacional atinge 125 mil brasilienses e aumenta a cada ano



Conquistar a casa própria é a grande ambição da operadora de caixa Michelle Bezerra Pereira, 37 anos. Mãe de dois filhos, ela enfrentou neste ano o pesadelo de ver o pequeno barraco irregular no Setor Habitacional Sol Nascente, em Ceilândia, derrubado pela fiscalização. Catou os poucos pertences e se instalou com o marido e as crianças em uma casa simples no mesmo bairro, alugada por R$ 550.
Michelle e o marido ganham, juntos, dois salários mínimos e gastam mais de 30% da renda com moradia. Ela faz parte de um grupo de mais de 125 mil brasilienses que sofrem com o deficit habitacional. Brasília tem a maior renda per capita do país e um grande estoque de terras públicas, mas os registros oficiais mostram que o problema se agrava. Entre 2008 e 2014, a carência cresceu 25%: em apenas seis anos, cerca de 25 mil pessoas passaram a fazer parte das estatísticas.

O deficit habitacional é dividido em quatro modalidades (leia História de problemas). A primeira é a precariedade. Pessoas que não pagam aluguel, mas vivem em barracos sem a mínima infraestrutura urbana, devem ser incluídas na lista de demanda por moradia. O segundo eixo é a coabitação, quando parentes ou amigos dividem o imóvel, por questões financeiras. Também há o problema do adensamento excessivo de moradias alugadas. Isso ocorre em situações em que há mais de três pessoas vivendo no mesmo cômodo de um imóvel que não é próprio.


O último ponto é o ônus excessivo do aluguel. Isso ocorre quando a locação compromete mais de 30% dos vencimentos de pessoas com renda familiar de três salários mínimos — caso de Michelle Pereira. “Estou inscrita na fila de espera do governo, mas nunca me chamaram para receber um lote. Espero há mais de cinco anos, já estou perdendo as esperanças”, conta a operadora de caixa, que vive em um imóvel construído em uma rua sem asfalto e iluminação do Sol Nascente. “Quando derrubaram o meu barraco, achei que conseguiria alguma oportunidade para comprar a casa própria. Hoje, eu trabalho praticamente só para pagar aluguel”, lamenta.
As regras da política habitacional do Distrito Federal foram definidas por uma legislação de 2006. Entre as diretrizes estabelecidas há 10 anos, estão a obrigatoriedade de que 40% dos imóveis oferecidos à população beneficiem inscritos na lista da Companhia de Desenvolvimento Habitacional (Codhab); 40% sejam destinados a cooperativas e associações habitacionais; e 20%, a pessoas com grande vulnerabilidade, como deficientes físicos.
Desde 2015, o governo faz uma limpa na lista da Codhab. Foram excluídas pessoas que não se enquadram nos critérios legais ou que foram contempladas com a casa própria. “Graças a esse trabalho, o número de inscritos caiu de 180 mil para 158 mil. Do total, 80% se inscreveram individualmente e 20% fizeram a inscrição por meio de entidades, como cooperativas”, explica o presidente da Codhab, Gilson Paranhos.
Apesar da queda do ritmo de crescimento populacional nas últimas décadas, o número de habitantes do DF ainda aumenta, em média, 2,3% a cada ano. Além da demanda reprimida, novos candangos vão em busca de um teto. Mas a oferta de imóveis pelo governo para os inscritos no programa habitacional não chega nem perto de atender a lista de espera. Entre 2011 e 2014, 11 mil famílias saíram contempladas. No ano passado, o GDF entregou 5.701 unidades nos empreendimentos Parque do Riacho, Paranoá Parque, Estilo Santa Maria e Jardins Mangueiral.
LixãoO catador de lixo Elias Oliveira de Lima, 35, mora com a mulher e cinco filhos em um barraco de madeirite de 30m², sem água encanada, esgoto, asfalto ou iluminação. Mesmo diante da precariedade, ele não se inscreveu na lista da Codhab para tentar melhorar de vida. “Nem perdi o meu tempo. Nunca tem opções de casa para quem é muito pobre. As prestações do Minha Casa, Minha Vida são pesadas. Não é coisa para mim”, explica Elias.
Há um ano e meio, ele deixou Luziânia com a família para tentar a sorte na capital federal. Comprou um lote na invasão da Chácara Santa Luzia, ao lado do Lixão da Estrutural, por apenas R$ 200. Gastou mais R$ 700 para erguer o barraco, decorado com bandeirinhas do Brasil. “Eu queria muito ter uma casa fixa para ficar com os meninos. Aqui, o teto é nosso, mas a gente sofre com o esgoto e com a poeira”.
O secretário de Gestão do Território e Habitação, Thiago de Andrade, explica que o problema do ônus excessivo do aluguel, proporcionalmente à renda das famílias, cresceu nos últimos anos por causa da forte valorização imobiliária registrada no DF, entre 2007 e 2013. “A precariedade caiu, porque as pessoas tiveram acesso a crédito e puderam melhorar suas habitações. Esse problema, hoje, se concentra principalmente na região da Estrutural, por causa da Santa Luzia, e em parte da Ceilândia, além da área rural”, diz o secretário.

'Expansão de expansão', novo bairro do Vila do Boa em São Sebastião,


Moradores da Vila do Boa em São Sebastião, no Distrito Federal, começaram a abrir caminho para expandir a área irregular de uma invasão existente há anos no local. A "expansão da expansão" já foi cercada, e parte da vegetação nativa foi arrancada para abrir espaço às construções. A Agefis informou que estruturas mais recentes serão demolidas.

A Vila do Boa é uma das áreas mais antigas de São Sebastião. No crescimento desenfreado de casas na região, a única escola – com capacidade para 250 estudantes – não tem condições para receber todos os alunos.

A eletricidade no local é feita através de gambiarras. As ruas da região foram nomeadas pelos moradores. A Agefis já fez diversas operações de derrubadas na região, mas os barracos estão sendo reerguidos em meio do entulho das casas derrubadas.

A vice-diretora do Centro de Ensino localizado na Vila do Boa, Luana Pimentel, acredita que o local está crescendo desordenadamente. "Muitas crianças vem fazer o uso do transporte escolar para ir para outras escolas porque a escola só tem dez turmas no total. Aqui a Vila do Boa está perdendo a característica de vila", diz.

O órgão informou a que as casas mais antigas da Vila do Boa podem ser regularizadas, mas as construções feitas a partir de julho de 2014 serão demolidas, pois as áreas invadidas são da Terracap. A CEB não se manifestou até a publicação dessa reportagem sobre as gambiarras na rede elétrica.