terça-feira, 28 de novembro de 2017

Governo quer redefinir limites das regiões administrativas do DF

Alguns setores da região do Jardim Botânico sofrem problemas por causa da indefinição das poligonais

Está marcada para as 19h desta quarta-feira (29/11) uma audiência pública que discutirá o projeto de lei complementar (PLC) que regulamenta as poligonais das regiões administrativas do Distrito Federal. Durante a cerimônia, o GDF pretende resolver as questões envolvendo os limites de cada região, o que possibilitaria, entre outras coisas, maior facilidade na administração das cidades.

Não é de hoje que uma definição do problema é aguardada pelos moradores de localidades que encaram o problema dos limites de território. A última atualização dos limites das regiões administrativas ocorreu em 2003, e só 19 das 31 cidades do DF têm poligonais estabelecidas por lei e reconhecidas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Isso interfere nas pesquisas realizadas pelo órgão, que se restringe às áreas com marcações estabelecidas, além de dificultar a prestação de serviços públicos nas cidades ainda sem limites demarcados.

Um dos principais exemplos de RA nessa situação é o Jardim Botânico. Diretor executivo do Movimento Comunitário do Jardim Botânico, Ilton de Queiroz relata que alguns setores habitacionais da região sofrem problemas por causa da indefinição das poligonais. “Contas de luz e de água de residências do Jardim Mangueiral, por exemplo, chegam com endereços de RAs diferentes. Tem do Jardim Botânico, outras de São Sebastião e até de Santa Maria. É como se essa região fosse um limbo”, observa. Ainda de acordo com Ilton, pela extensão do Jardim Botânico, os recursos financeiros disponibilizados para a região administrativa deixam a desejar.

“O Jardim Botânico é a quarta maior região administrativa do Distrito Federal, e a 11ª com a maior população. Porém, essa é uma das RAs com menor orçamento. Regiões com tamanho e população inferiores recebem mais recursos. Isso acontece devido à indefinição dos limites de territórios. O governo não sabe o tamanho do Jardim Botânico. São mais de 62 mil habitantes, mas a Codeplan registra pouco mais de 27 mil”, pontua o líder comunitário.

Mas, segundo Marcos Dantas, chefe da Secretaria de Cidades, a distribuição de recursos “é a mesma para todas as regiões administrativas do Distrito Federal”. Ele diz que “não foi possível acompanhar o crescimento das poligonais. Mas, agora, a expectativa é de que tudo se estabilize. A tendência é de que tudo esteja resolvido até o primeiro semestre de 2018”.

Empecilhos
Segundo especialistas, estabelecer as fronteiras de todas a regiões do DF será uma tarefa árdua. Professora de Urbanismo da Universidade Católica de Brasília, Valéria Andrade reconhece que a demarcação será importante para os habitantes do DF, mas aponta que o governo terá de se esforçar para atender demandas próprias de cada região. “É bom (o estabelecimento dos limites), porque auxilia a população a saber a quem recorrer. Mas, devido a características socioeconômicas de cada região, pode ser que nem todas as pessoas gostem das novas delimitações. Elas não vão se identificar com uma RA que tem um perfil populacional diferente da região que elas já estão”, destaca.

Na audiência de hoje, o GDF discutirá as questões de fronteira de todas as RAs. A atenção maior, contudo, será para aquelas que ainda não têm os limites estabelecidos. De acordo com Lúcio Rennó, presidente da Companhia de Planejamento do DF (Codeplan), o objetivo é “solucionar o problema dos limites do DF por completo e diminuir as dúvidas de jurisdição”.

A demarcação dos territórios, porém, pode gerar atritos entre as administrações do DF, sobretudo em áreas consideradas propícias para desenvolvimento econômico ou que são rentáveis do ponto de vista eleitoral. De qualquer forma, segundo Lúcio Rennó, o plano é entregar o projeto à Câmara Legislativa com todas as divergências resolvidas. “Qualquer definição mexe com interesses da população. Há questões que são mais polêmicas, e as audiências públicas vão servir para identificar esses problemas e encontrar possíveis soluções para que o projeto chegue à Câmara com todas as questões dirimidas”, esclarece o presidente da Codeplan.

Agenda

Audiência pública do projeto de lei complementar das poligonais das regiões administrativas. Hoje, a partir das 19 horas, no auditório do Museu Nacional — Conjunto Cultural da República (próximo à Rodoviária do Plano Piloto)

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Criação do reservatório Lago São Bartolomeu estava prevista nos anos 1970


O reservatório com 110 quilômetros de espelho d'água era previsto desde 1970, mas o projeto acabou arquivado devido, principalmente, à ocupação urbana irregular. O lago seria formado pela água do Rio São Bartolomeu e afluentes
Com mais de 110 quilômetros quadrados de espelho d’água, um segundo lago artificial era previsto para o Distrito Federal desde a inauguração da nova capital. A ideia era formá-lo com água vinda do Rio São Bartolomeu e dos afluentes Ribeirão Mestre d'Armas e Rio Pipiripau. Ele iria de Planaltina até São Sebastião, passando pelo Paranoá, mas foi inviabilizado, principalmente, pelas ocupações urbanas irregulares e pelo parcelamento de terra na região que seria alagada. Previsões da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) dos anos 1980 estimavam a capacidade de produzir até 25 mil litros de água por segundo, número que, somado ao que era captado à época pelo Descoberto e pelo sistema Santa Maria/Torto, tornaria possível abastecer um DF com mais de 11 milhões de habitantes, que nunca passariam por uma crise hídrica. 
O Lago São Bartolomeu só foi completamente descartado nos anos 2000, quando a Agência Nacional das Águas (ANA) autorizou a utilização das águas do Lago Paranoá em uma obra definitiva, que deve custar R$ 465 milhões e atender 600 mil pessoas. Até lá, a possibilidade sempre foi motivo de debate. Em 1986, a Secretaria dos Serviços Públicos do Governo do Distrito Federal mostrou interesse em aplicar cerca de 150 milhões de dólares, algo em torno de 2 bilhões de Cruzeiros, para criar o lago. As manchetes do Correio à época se assemelham com as de 2017, destacando que os reservatórios da capital federal estavam em nível crítico. Segundo a secretaria, à época, a única solução para o futuro hídrico do DF seria a criação do segundo lago.

A barragem a ser construída teria 25 metros de altura e, além de conseguir abastecer cerca de 7 milhões de pessoas, a água do lago seria utilizada também para geração de energia, irrigação na área rural e melhoria do microclima da região. Até 1980, pelo menos 34 propriedades ficavam na área a ser alagada e, 10 anos depois, já eram cerca de 90 condomínios irregulares. Entre 1970 e 1993, novos mapas foram criados, principalmente para diminuir o perímetro da área de proteção do lago. 

A região a ser alagada ficava em um local de grandes fazendas, que eram propriedades de militares importantes da ditadura militar. Em 1981, por exemplo, a redução do perímetro a ser desapropriado beneficiou o general Danilo Venturini, chefe de gabinete do então presidente, João Figueiredo, que teve a propriedade retirada da área a ser desobstruída.

Em 1983, foi criada a Área de Proteção Ambiental (APA) do São Bartolomeu, mas só cinco anos depois, foi concluído o zoneamento ambiental. Porém, nem isso conseguiu impedir a ocupação desenfreada, que ocorreu, principalmente, na agrovila de São Sebastião, no Vale do Amanhecer, em Planaltina, e no Quintas da Alvorada e Jardim Botânico, no Lago Sul.

Planejado 
Um Distrito Federal muito diferente do atual era proposto nas décadas passadas. O plano era que a população crescesse em um eixo na parte sudeste do DF, indo de Ceilândia a Santa Maria, seguindo por cima das adutoras da Caesb que captavam água do Descoberto. “A região oeste seria ocupada pela população, enquanto a leste ficaria para plantações e a criação do reservatório de São Bartolomeu. Mas as ocupações que começaram nos anos 1970 ganharam força em 1986 e 1990, com o início das eleições do DF, impermeabilizando ainda mais a APA do São Bartolomeu”, conta Oscar Netto, professor do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade de Brasília.

Se o segundo lago tivesse sido construído, o DF teria uma região administrativa chamada de Interlagos, situada entre os lagos Paranoá e o São Bartolomeu. A ideia era que o local, que abrigaria 11 condomínios, fosse o mais nobre da capital, devido às condições climáticas privilegiadas e ao contato com a natureza a poucos quilômetros do Plano Piloto. 

O plano de construir o Lago São Bartolomeu foi muitas vezes substituído pela captação do Paranoá, mas, segundo o ecossociólogo Eugênio Giovenardi, no fim dos anos 1990, o governo e a Caesb começavam a perceber que os córregos que abastecem o Lago Paranoá já não estavam mais tão volumosos, sem contar os problemas que seriam causados pela ocupação urbana que ocorreu na orla. “Nesse momento, o São Bartolomeu não era uma opção tão viável, pois já haviam sido formadas verdadeiras cidades na região. A partir daí, o governo começou a apostar na possibilidade do Corumbá IV, que é atualmente a principal saída para combater a crise hídrica”.

Salvação da crise
Especialistas divergem sobre a possibilidade de o São Bartolomeu ter impedido a crise hídrica pela qual o DF passa hoje. Eugênio Giovenardi acredita que a situação atual seria mais branda, mas, com maior oferta de água, o consumo também teria sido intensificado. “Acredito que, ao redor do novo lago, cresceria um grande mercado de agricultura irrigada para utilizar a água, que no fim das contas seria usada, principalmente, para a produção de soja”, opina. Já o professor Glauco Stéfano, do curso de arquitetura e urbanismo do Centro Universitário Iesb não tem dúvidas de que, se o novo reservatório tivesse sido construído, o DF não estaria passando por essa crise. “As cidades ao leste seriam abastecidas sem problemas, sobrando até água para o sudeste e nordeste do DF, que teriam os reservatórios desafogados”, explica.


O professor alerta ainda que o que faltou não foi apenas ação governamental para tirar o São Bartolomeu do papel, mas também conscientização da população em relação às invasões. “Hoje, vivemos os reflexos do que a grilagem de terra e a ocupação ilegal causam. Os malefícios não atingem apenas quem mora nessas regiões, mas toda a sociedade”, afirma. Para evitar que a situação continue ocorrendo, Glauco aconselha investir em conscientização. “É um problema que atinge todas as classes sociais, pois temos invasões tanto no Lago Sul quanto no Pôr do Sol. Fizemos algumas pesquisas com os moradores dessas regiões e eles nem consideram um problema ocupar essas áreas”. 

O professor Oscar Netto acredita que optar pela futura captação definitiva do Lago Paranoá foi uma melhor escolha. “A água do São Bartolomeu receberia esgoto tratado de Sobradinho e Planaltina, e a água mais pura seria a vinda do próprio Paranoá. Usar esse recurso, além de trazer mais custos no tratamento, também traria gastos para bombeá-la do norte do DF para as regiões do centro”. 

A visão atual da Caesb também é de que a melhor decisão foi tomada. “Foi uma alternativa estudada por mais de 30 anos, mas, conforme o tempo foi passando, se tornava cada vez mais inviável, pois a área alagada teve uma ocupação que cresceu, o que traria, além das obras de criação, um encarecimento para pagar a desapropriação dos terrenos”, afirma Stefan Muhlhofer, superintendente de Projetos da Caesb. 

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Moradores da Rua 57, no centro e supermercado Santa Felicidade entram em acordo após mediação da Defensoria


Barulho, vagas de garagem obstruídas, lixo e mau cheiro foram os motivos que fizeram moradores de São Sebastião, vizinhos do Supermercado Santa Felicidade, procurarem a Defensoria Pública do DF. Após o acolhimento da demanda, as conversas com a Administração Regional e com o comércio resultaram em um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), que restabeleceu a paz na rua por meio da mediação.
“Nós entendíamos a demanda do morador. Realmente é chato ter um monte de caminhões atrapalhando a entrada e a saída das garagens das residências, além do barulho. Com o auxílio da Defensoria, o acordo beneficiou ambos. Resolvemos o problema com os moradores e passamos a ter uma relação tranquila. Eram muitas reclamações e agora não temos mais. Abriu-se um canal de diálogo entre o mercado e o morador”, comemora, Ruberval Borges, gerente do supermercado, que atendeu prontamente às reivindicações dos vizinhos.
O estabelecimento, que tem autorização para funcionamento do comércio, usava o local também para depósito, aos fundos da loja, onde é uma área residencial e, segundo relatos dos moradores, caminhões enormes ocupavam a rua e muita bagunça era deixada.
De acordo com a dona de casa Eugênia Fortes, “a rua era um caos. Os caminhões tomavam conta do espaço e bloqueavam as entradas das garagens. Era preciso que fôssemos até o depósito do supermercado pedir que tirassem o caminhão do local para poder sair de casa. Era uma confusão. Tinha dias que vinham carretas às 4h da manhã e faziam muito barulho, alarme disparava, ligavam rádio e conversavam alto. Eu já não conseguia mais dormir, moro em frente ao estabelecimento”, lembra. “Mas graças ao trabalho da Defensoria tudo foi resolvido”.
A Defensoria Pública foi acionada para solucionar o caso. “Entramos em contato com os proprietários e eles se dispuseram a fazer as mudanças”, conta uma das defensoras responsáveis, Eliene Ferreira. Ela explica que o termo assinado em 31 de julho deste ano foi fruto de uma mediação, sem a necessidade de ajuizar qualquer ação e sem resistência por parte do comércio.
Entre as cláusulas acordadas, estão o horário em que os caminhões podem adentrar a rua – entre 7h30 e 17h em dias úteis e das 7h30 às 13h aos sábados – a dedetização do local a cada seis meses, além de ter sido nomeado um “amigo da rua”, um funcionário do mercado responsável por fiscalizar e resolver de forma imediata qualquer problema com os moradores.
O fiscal de loja “amigo da rua”, Gilson da Silva, é o responsável pela logística dos caminhões. “Controlo a entrada e a saída. Antigamente, ficavam 10, 15 caminhões na rua fazendo barulho. Agora não tem mais isso. Ficam apenas dois caminhões pequenos ou um grande estacionado no depósito. Os demais caminhões que precisam ser descarregados ficam estacionados numa feira permanente esperando serem chamados pelo rádio”.
A equipe do núcleo da Defensoria que atuou nesta mediação esteve no local no último mês para verificar a situação e os moradores relatam que o convívio está muito melhor.
ServiçoPara mais informações ou demandas, o Núcleo de Assistência Jurídica do São Sebastião está localizado no Setor de Múltiplas Atividades, Lote 04 – Fórum Desembargador Everards Mota e Matos. O telefone para contato é o (61) 2196-4556  ou (61) 2196-4559.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

'Histórias Brincantes': crianças lançam livro sobre brincadeiras populares durante feira literária em São Sebastião.


Crianças de um projeto social em São Sebastião participaram neste sábado (11), da 1ª Feira Literária da Biblioteca do Bosque (FLIB), em São Sebastião. Os "escritores mirins" - como se reconhecem - vão lançar um livro de contos e crônicas que explica, de forma lúdica, a origem de brincadeiras populares no DF. O evento é gratuito e acontece até domingo (12).

Era Outra Vez… Histórias Brincantes foi escrito por 90 crianças que frequentam o ponto de cultura Ludocriarte, também em São Sebastião. O objetivo, segundo o pedagogo que atua no projeto, Isaac Mendes, é "educar por meio das brincadeiras". No livro, a origem de brincadeiras como "Cinco Marias", "Corre-Cutia", "Os Três Marinheiros" e "Caí no Poço" ganha uma nova versão.

Uma das escritoras do livro, a estudante Lívia Helena, é também moradora de São Sebastião. Este é o terceiro projeto em que ela participa como coautora, ao lado de outras crianças de 6 a 14 anos. Escrever, para ela, é uma experiência "divertida".


Feira literária

Além do lançamento do livro das 90 crianças, a 1ª Feira Literária da Biblioteca do Bosque, em São Sebastião, também conta com o lançamento de obras de outros autores do DF, como o Terminal, de Rômulo Neves, Alma, de Valda Fogaça, e Sangue, de Nanda Pimenta.
A programação também prevê troca de livros e sessão de autógrafos. Nos palcos, apresentações teatrais com a Cia Três Amiguinhos, contação de histórias com Roney Calazans, além de apresentações musicais e discotecagem com artistas da região.
A 1ª FLIB traz, ainda, o Ateliê Itinerante Título Provisório, com livros e zines para venda, estandes de artesanato e do bazar da Casa Frida.

Serviço

1ª Feira Literária da Biblioteca do Bosque de São Sebastião
Quando: 11 e 12 de novembro
Sábado, das 14h às 19h
Domingo, das 9h às 13h
Onde: Biblioteca Comunitária do Bosque (Avenida 02, Quadra 18, Casa 16 – Residencial do Bosque, São Sebastião)
Entrada Franca
Classificação indicativa: livre

Tanques feitos em mutirão ajudam assentamento 1º de julho a enfrentar crise hídrica

Tanques em ferrocimento têm baixo custo de produção e ajudam no enfrentamento da crise hídrica. Foto: Tony Winston/Agência Brasília
Uma medida eficaz de enfrentamento da crise hídrica, adotada pelo Assentamento 1º de Julho, em São Sebastião, é a construção de tanques de ferrocimento. As estruturas — feitas com solo, cal e cimento — servem para armazenar água para irrigação e têm baixo custo.

Para introduzir os reservatórios nas propriedades da região, a comunidade se organizou em um consórcio com dez integrantes. As estruturas são montadas em mutirões promovidos no último fim de semana de cada mês.
Pelas regras do grupo, cada participante contribui com R$ 150 mensais. “É uma solução mais acessível em relação a outros reservatórios, e não precisa de licenciamento ambiental”, compara o extensionista José Gonçalves do Nascimento, da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater-DF).
Um tanque nos moldes do feito pelo consórcio tem capacidade para armazenar 2 mil litros. Ele tem a base em cimento e as paredes em telas revestidas por uma mistura de argamassa e solo. O custo estimado é de R$ 1,5 mil. O gasto com mão de obra não é considerado, já que os próprios produtores executam o trabalho.
Com a estrutura, os agricultores têm condição de instalar o sistema de gotejamento e, dessa forma, aproveitar melhor o recurso hídrico. “Eu costumava puxar água para a horta direto do córrego. Tinha que bombear de uma distância de 370 metros”, conta Carlos Antônio Braga Lima, de 38 anos.
Lima é o mais recente contemplado pelo consórcio. Com a nova estrutura, ele pretende diversificar a atividade na propriedade de 4,5 hectares. “Produzimos mandioca e, agora, penso em montar um sistema de agrofloresta, colocar umas frutíferas”, planeja.
A construção do tanque permitiu a Daniel Aparecido Menezes, de 54 anos, incrementar a oferta de alimentos para a família. Agora, ele cria tilápias para consumo próprio. “É coisa pouca, só para nós mesmo. Mas não precisamos mais comprar peixe nem verdura”, ressalta.
Antes de Menezes e a esposa, Maria Aparecida Martins Ribeiro Menezes, de 50 anos, construírem o tanque, a irrigação da área plantada era manual. “Regava a horta com regador. Gastava muita água e parecia que não molhava a planta”, lembra.
Com o passar do tempo, Menezes conseguiu montar a irrigação por aspersão. Agora, tem o sistema de gotejamento. Com a mudança, viu a lavoura melhorar a produtividade. “Não compramos mais verdura, e o que sobra, nós vendemos”, afirma.
O aproveitamento racional dos recursos permitiu, inclusive, que ele investisse no cultivo de milho de sequeiro. “Mesmo com as dificuldades de oferta de água, estou com a lavoura quase no ponto de colher”, avalia.

Parceria permitiu a construção dos tanques

A ideia de criar um consórcio para construção dos reservatórios de ferrocimento surgiu depois que o escritório da Emater-DF ofereceu curso sobre a tecnologia.
Até agora, quatro integrantes já foram contemplados. “Criamos um contrato com regras bem definidas e fazemos sorteios todos os meses”, detalha Nascimento.
O recolhimento mensal da cota é feito pelos técnicos da empresa pública. Os mutirões ocorrem no último fim de semana de cada mês. Eles duram três dias, tempo necessário para cumprir as etapas da construção.
Ao final de cada mutirão, é feito o sorteio do próximo contemplado. “É uma forma de envolver os produtores nas atividades e reforçar o sentimento de comunidade”, explica o técnico da Emater.
O Assentamento 1º de Julho foi estabelecido há dois anos. As 60 propriedades têm 4 hectares de área cada uma, e a produção é voltada para a subsistência.





quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Polícia investiga chacareiros por venda de áreas públicas no Morro da Cruz


Polícia Civil do Distrito Federal investiga a conduta de um grupo de chacareiros, suspeitos de parcelar e vender áreas públicas no Gama e em São Sebastião. Segundo a corporação, essas terras foram cedidas aos titulares pela Terracap (órgão que gerencia o espaço público do DF) para agricultura. De acordo com a apuração, os suspeitos lucraram cerca de R$ 9,2 milhões com o esquema desde 2014.

Nesta quarta-feira (8), servidores da Delegacia Especial de Proteção ao Meio Ambiente e à Ordem Urbanística apreenderam notebooks, celulares, documentos e faixas de anúncio de venda dos lotes. Além disso, um dos chacareiros foi conduzido à unidade policial para prestar esclarecimentos.

Ninguém foi preso. O G1 procurou a Terracap para pedir mais detalhes sobre a concessão dos terrenos aos chacareiros, mas não recebeu retorno até a publicação desta reportagem.

A suspeita da polícia é de que cerca de 30 pessoas participem do esquema, que envolveria seis chácaras na Ponte Alta do Gama e no Morro da Cruz, em São Sebastião. No Gama, as duas chácaras investigadas foram parceladas em 40 lotes de 800 metros quadrados, e cada um era vendido a R$ 70 mil.

Segundo a delegada Marilisa Gomes, as quatro de São Sebastião têm 20 mil metros quadrados, e cada uma foi dividida em 80 lotes. Cada um tem 200 m² e seria vendido por R$ 20 mil. As propriedades ficam na área de proteção ambiental da Bacia do Rio São Bartolomeu.

Não há prazo para o fim do inquérito. Os suspeitos vão ser indiciados por parcelamento irregular do solo para fins urbanos em chácaras e danos ao meio ambiente. Também há suspeita de lavagem de dinheiro. Quem comprou o terreno também pode ser indiciado, informou a delegada.

domingo, 5 de novembro de 2017

No Morro Azul, polícia militar prende assaltante de ônibus



Na noite de ontem (4) por vota de 22h, policiais militares do Grupo Tático Operacional 41 (Gtop 41) de São Sebastião prenderam um homem que assaltou um ônibus. O assaltante havia sido preso por porte ilegal de arma de fogo uma semana antes.
Logo após o crime, os policiais conversaram com as vítimas descobriram que o autor era um morador do morro azul e que já havia sido preso. Os militares foram a casa do suspeito e lá o localizaram. 
Com ele foram encontrados celulares, carteiras, bolsas e R$ 302 produtos do roubo. Levado a delegacia, o homem foi reconhecido pelas vítimas.
Fonte: PMDF

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Biblioteca do Bosque de São Sebastião recebe feira literária.


Já disse Monteiro Lobato: “quem escreve um livro cria um castelo, quem o lê mora nele”. Com o objetivo de incentivar a leitura, principalmente na infância, a 1ª FLIB – Feira Literária da Biblioteca do Bosque vai reunir várias atrações para levar à região a mágica e a fantasia do mundo dos livros. O evento tem entrada franca e será realizado entre os dias 11 e 12 de novembro, na Biblioteca do Bosque, em São Sebastião.

Entre as atrações, está a sessão de autógrafos de “Era Outra Vez… Histórias Brincantes criadas pelas crianças do Ponto de Cultura Ludocriarte”. O livro traz contos e crônicas criados coletivamente pelas 90 crianças que participam do projeto. A inspiração veio das brincadeiras populares e do universo lúdico. “Escrever Era Outra Vez foi uma experiência muito rica e divertida, uma grande brincadeira. Hoje, posso dizer que sou escritora”, conta Lívia Helena, 14 anos, que participou dos dois livros publicados pelo ponto de cultura .

Os escritores mirins, que têm entre 6 e 14 anos, estarão no estande do Ludocriarte para a sessão de autógrafos no sábado. A programação literária também contará com o lançamento de “Fora da Ordem”, de Vinícius Borba,  “Terminal”, de Rômulo Neves, e “Sangue”, de Nanda Pimenta.
Nos palcos, apresentações teatrais com a Cia Três Amiguinhos, contação de histórias com  Roney Calazans, além de apresentações musicais e discotecagem com artistas da região. O público também poderá movimentar as estantes de sua casa com o estande de Troca de Livros.
A 1ª FLIB traz ainda o Ateliê Itinerante Título Provisório, com livros e zines para venda, estandes de artesanato e do bazar da Casa Frida. Para matar a fome, uma praça de alimentação repleta de delícias. “É extremamente necessário um evento como esse, que valorize espaços para contação de histórias, para o fomento da literatura. É uma grande oportunidade para que as crianças entrem em contato com o universo tão rico da nossa cultura”, ressalta Isaac Mendes, artista convidado para o projeto.
O ação é realizada pela Biblioteca Comunitária do Bosque e conta com recursos do Fundo de Apoio à Cultura, da Secretaria de Cultura do Governo do Distrito Federal. Apoio: Concreto Tintas, Casa do Atleta, Mercado do Bosque, Boom, Título Provisório, Num Só Piscar,Movimento Supernova, Horta Girassol.
Serviço
1ª Feira Literária da Biblioteca do Bosque de São Sebastião
Quando: 11 e 12/11. Sábado, das 14h às 19h. Domingo, das 9h às 13h.
Onde: Biblioteca Comunitária do Bosque – Avenida 02, Quadra 18 Casa 16 – Residencial do Bosque – São Sebastião – DF
Quanto: Entrada Franca
Classificação indicativa: livre