segunda-feira, 22 de junho de 2020

São Sebastião: medo de não ter onde morar



Moradores da região da Baia dos Carroceiros, em São Sebastião, estão preocupados com um leilão que será feito pela Agência de Desenvolvimento do Distrito Federal (Terracap) do terreno onde vivem atualmente.

De acordo com o relato de moradores do local ao Jornal de Brasília, o órgão, que pretende repartir os lotes, não chegou a tratar da questão diretamente com os habitantes dali, oferecendo possibilidades de realocação. A preocupação é que sejam despejados durante a pandemia e não tenham casa para se proteger do vírus.

Previsto para acontecer na última quinta-feira (18), o leilão, entretanto, foi adiado. Segundo o edital de licitação para a compra de imóveis, trata-se de parte do Programa Habita Brasília, e tem intuito de construir um residencial com 726 casas, sendo mais duas quadras para o bairro Bonsucesso, vizinho da Baia. De acordo com o documento licitatório, os lotes serão vendidos pelo preço mínimo de R$ 62.800 — estes com 136,5 m² —, enquanto outros, maiores, variam entre R$ 104 mil, R$ 330 mil e R$ 644 mil.

De acordo com Delcimar Júnior, 38 anos, presidente da Associação de Moradores do local, a região habitada existe desde a fundação de São Sebastião, criada para que carroceiros locais pudessem deixar seus cavalos. “Nós estamos em um mato sem cachorro. Em 21 de junho de 1995, foi criada uma Associação de Carroceiros para cuidar da limpeza da cidade. O bairro foi criado para que colocassem os cavalos, mas de tanto roubarem, precisaram construir as moradias. De lá para cá, virou um bairro”, explicou.

Em 2018, foi realizada uma audiência pública na Câmara Legislativa do DF (CLDF) para regularização fundiária da Baia dos Carroceiros.

À frente da proposta estava o deputado Lira de Medeiros (PHS). O resultado, porém, não favoreceu a comunidade, que permanece sem saneamento básico na região, com improvisos para conseguir água e luz. Na audiência, como noticiou portal da CLDF, representantes da Terracap ou GDF não compareceram.

Procurada pela reportagem, a Terracap informou que “a terra é pública e pertencente ao patrimônio da estatal”. Ainda de acordo com a empresa, “o governo está estudando a melhor forma de realizar a desocupação da área, atendendo aos anseios de todos”.
Com relação à visita aos moradores da região, no entanto, o órgão não se pronunciou. Também não foi esclarecido o motivo para o adiamento do leilão previsto.

Sustento

Apesar do não reconhecimento da área pelo governo local, o gaúcho Jorge Batista Ribeiro, 63 anos, é um dos poucos que recebe as contas da Companhia Elétrica de Brasília (CEB) todos os meses. Ele mora na localidade desde 2000, quando começou a trabalhar como carroceiro e se manteve na profissão até 2005, mas não deixou a região. Há seis anos tira o próprio sustento dos cultivos que faz na terra.

“Eu pago energia há mais de três anos, não tenho ‘gato’ aqui. Decidi trabalhar com a terra e hoje pago um espaço na feira de São Sebastião. Estão fechando os olhos para nós mesmo”, afirmou. “E ainda tenho um outro rapaz que trabalha para mim, que também tira o sustento da família dele daqui”, continuou.
Segundo a esposa, Maria Francisca, além da CEB, a Emater também está ciente da plantação existente no local, tendo até fornecido uma certidão de produtor para Jorge. “Não estamos na ilegalidade. Estamos correndo atrás dos direitos, mas não liberam”, disse.

Em 2017, sete bairros vizinhos à área da Baia dos Carroceiros foram contemplados com a transferência de 4.507 lotes para a Companhia de Desenvolvimento Habitacional do Distrito Federal (Codhab).

Fonte: Jornal de Brasília

sexta-feira, 19 de junho de 2020

Parque dos Ipês: 73 candidatos são convocados para assinatura dos contratos




Nesta quinta-feira (18/6), a Companhia de Desenvolvimento Habitacional do Distrito Federal (Codhab-DF) e a Caixa Econômica Federal realizaram o sorteio para definir os endereços dos apartamentos do Parque dos Ipês – Crixá III, em São Sebastião.  A transmissão do resultado foi feita ao vivo pelo Facebook da Codhab.
 
Os apartamentos serão distribuídos a candidatos da faixa de renda até R$ 1,8 mil. Ao todo, foram sorteadas 272 unidades habitacionais. Os apartamentos são de 47,65 m² e 47,75 m², e possuem dois quartos, sala, cozinha e banheiro. O condomínio conta com estacionamento, área de lazer, centro comunitário e escola pública.
 
Após o sorteio, as próximas etapas serão vistoria, assinatura de contrato e entrega de chaves. As datas serão divulgadas em breve. Confira, aqui, a lista dos contemplados.

segunda-feira, 15 de junho de 2020

Área rural em São Sebastião está 70% pavimentada


A região do Capão Comprido, na área rural São Bartolomeu, em São Sebastião, já está com 70% da pavimentação concluída em suas vias, que totalizam 1.965 metros. A obra é de responsabilidade do Departamento de Estradas de Rodagem (DER-DF).

O asfalto vai beneficiar cerca de 18 mil moradores, bem como os 650 estudantes da Escola Classe São Bartolomeu, no bairro Bela Vista. A obra deve ser entregue até o fim de junho, segundo o diretor-geral do DER-DF, Fauzi Nacfur Júnior. 

 “Vai ser maravilhoso ver as crianças indo para a aula sem sujar a roupa e caminhando com segurança até chegar à escola”, ressalta a diarista Maria das Dores Silveira, 39 anos. “Isso sem contar o restante da população que mora aqui. Todos nós vamos ganhar com a rua asfaltada.”

 Etapas

O serviço de pavimentação foi iniciado em 31 de março deste ano e passou pelas fases de drenagem, terraplenagem, sub-base e base (implantação de camadas de cascalho) e imprimação, que antecedeu o estágio de capa asfáltica. Após a aplicação do asfalto, serão instalados a calçada e os meios-fios, além da sinalização horizontal e vertical.

quinta-feira, 4 de junho de 2020

Girassol dá um colorido especial para a rodovia que liga Brasília a Unaí


Se o pintor pós-impressionista Vincent Van Gogh estivesse vivo, provavelmente se apaixonaria pelo PAD-DF, região rural do Distrito Federal próximo à divisa com Minas Gerais. As flores que conquistaram o mundo nos quadros mais famosos do holandês, colorem as margens da BR-251, como trechos de ouro no cerrado. É na altura do km 5 que olhos desavisados se deparam com o dourado intenso do campo de girassóis, contrastando com o azul do céu infinito.

Não à toa, a flor que inspirou artistas do mundo todo, motiva os motoristas que por ali passam a descer e garantir um registro. Quem vai uma vez se apaixona. “Todo ano, paramos aqui para fazer foto”, garante o segurança Alan da Silva, 38 anos. Ele e a esposa, a enfermeira Stephani Santos, 33 anos, moram no município mineiro de Unaí e trabalham em Brasília. Diariamente, no caminho de casa para o trabalho, veem os campos, que florescem em maio. Neste ano, quando voltavam de um plantão, estacionaram o carro em um dos trechos da plantação.

Stephanie explica que entre 6h e 9h, as flores estão mais bonitas, e voltadas para a BR. “A gente adora. Até os parentes, que nos visitam de São Paulo, querem vir fotografar também”, comenta. “É muito lindo.” Eles não são os únicos. Casais apaixonados, famílias, amigos, crianças, fotógrafos profissionais, todos querem aproveitar o cenário de filme para garantir uma bela imagem.
 
Os advogados Irair Alves, 28 anos, e Cristiano Meira, 44, são proprietários de um haras no DF e resolveram usar o local para divulgar um produto. Bastou colocar o acessório em uma das flores, e pronto. “Vamos sortear um boné nas nossas redes sociais, e espero que a foto ajude”, afirma Irair. Claro, ela também aproveitou para ter fotos pessoais. Como o casal passa por lá com frequência, já viu os mais diversos modelos em meio aos girassóis. “Sempre tem ensaio fotográfico de noiva, gestante. Mas o melhor horário é durante o pôr do sol. Isso aqui fica cheio de gente”, conta Cristiano. “Em alguns dias, já vi até 40 carros parados.”

Os que descobrem o lugar e vão pela primeira vez se encantam. Tayanne Rodrigues, 27 anos, é fotógrafa e soube da florada pelas redes sociais. “A experiência foi excelente, mas os girassóis estão quase no final”, lamenta. Ela levou a irmã, a maquiadora Olga Modrack, 25, e a militar Ana Caroline Araruna, 30, para usar como modelos. “Com certeza, indico a experiência a todos. Mas é importante lembrar de usar protetor solar e repelente, porque tem muito mosquito e abelha”, aconselha.

O campo
Cerca de dois hectares de girassóis estão espalhados dentro e nas proximidades do parque Ivaldo Cenci, onde acontece a AgroBrasília, uma das maiores feiras de exposições de produtos do agronegócio no país. O presidente da feira, Ronaldo Triacca, explica que a plantação começou há cerca de oito anos e, desde então, virou tradição e um dos atrativos do evento. “O pessoal vem muito, é impressionante. No sábado, tinham mais de 50 carros. No domingo, talvez 100”, calcula. Os campos são plantados pelos produtores vinculados ao parque e à Cooperativa Agropecuária da Região do Distrito Federal (Coopa-DF). Depois de encerrada a florada, os agricultores destinam os girassóis para a produção de grãos e óleo.

Como a feira deste ano foi cancelada, devido à pandemia do coronavírus, o parque está fechado para fotos. Mas os que ficam do lado de fora estão disponíveis à população. “A gente gosta que as pessoas venham, porque elas veem como é o agronegócio. Não é aquele vilão pregado por muitos. Ali, do lado do girassol, dentro da propriedade, tem trigo, milho, sorgo e batata-inglesa. Isso mostra a diversidade do PAD-DF”, destaca. “É interessante que o público venha ao campo e veja como trabalhamos, nosso cuidado com a natureza. O produtor está cada vez mais preocupado com o meio ambiente.”

Quem ainda quiser garantir uma foto ainda este ano precisa correr, porque, segundo Triacca, a florada está na última semana. Para o ano que vem, ele explica que será preciso pensar em uma forma de controlar melhor o fluxo de pessoas. “Como não entendem muito das lavouras que estão ao lado, acabam danificando algumas plantações, como de trigo, que ainda está baixo. Mas a gente vai continuar plantando e disponibilizando gratuitamente para quem quiser fotografar”, garante.

Feira de negócios
Com a chegada do novo coronavírus ao DF e a proibição de eventos, este ano, a AgroBrasília será virtual, entre 6 e 10 de julho. No ano passado, a feira movimentou cerca de R$ 1,2 bilhão para o agronegócio, com a participação de 480 expositores. Este ano, os participantes terão uma plataforma on-line para apresentar seus produtos. Também serão feitas palestras, debates, e os organizadores estudam a possibilidade de leilões de animais.