Uma população assustada. “Assusta sim, porque têm uns 15 dias que mataram um perto de uma creche onde eu trabalho”, diz a recepcionista Freililena de Souza. Uma guerra com território demarcado. “Se um mora na quadra 101 não pode ir na 102. Se alguém for eles matam”, conta a auxiliar legislativa Maria Divida da Silva.
Esses depoimentos são comprovados em números. Só no mês de janeiro deste ano quatro pessoas foram assassinadas em São Sebastião. E em dois casos os autores eram menores de idade, um de 15 e outro de 17 anos. Os moradores da cidade são obrigados a conviver com um lamentável título de que a cidade é uma das mais violentas do DF. “A polícia só pega trabalhador. Eu mesmo já fui parado duas vezes enquanto estava fazendo entrega”, fala o entregador de pizza Flávio dos Santos.
O delegado chefe da 30ª DP, Maurílio Lima Rocha, responsável por São Sebastião chegou há uma semana e já constatou o que é comum na maioria das cidades, o tráfico de drogas é que financia o crime, e cada vez mais recruta jovens e até crianças. “Temos notícias de crianças de 9, 12 e 13 anos estão envolvidas no tráfico”, afirma.
São os jovens que também tiram o sono e a segurança dos moradores do Itapuã. Na delegacia da cidade a maioria das ocorrências é de pequenos roubos ao comércio, que normalmente é para comprar drogas. “Muitos dos assaltos que registramos por aqui, os criminosos fogem a pé ou de bicicleta. São atitudes desesperadas para conseguir pagar os traficantes”, explica Joás Borges, delegado-chefe da 6ª DP.
No Itapoã a equipe filmou uma patrulha da Polícia Militar fazendo ronda e abordagens. Mas para um grupo de guardas comunitários é apenas uma sensação de segurança. “A gente acaba vendo de tudo. Briga de usuários de drogas”, fala o guarda comunitário Abdias Alexandre. “Também tem muita morte”, completa outro guarda.
Mortes que, apesar da diminuição do número de homicídios em 15% entre 2009 e 2010, ainda se espalham pelo DF. Na noite dessa quarta-feira (2), no polo de cinema em Sobradinho, dois homens foram assassinados, um de 20 anos e outro de 26. Eles moravam em uma invasão e a polícia acredita que o crime tenha sido um acerto de contas.
“Acredito realmente que foi um acerto de contas”, diz o policial militar Clébio de Deus.
Disponível em: Bom Dia DF

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